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12/08/08 - 19:42

Seção: Dicas e Trucões
Postado por: Katita
Por trás do glamour

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Tenho recebido muitos e-mails de comadres interessadas em trabalhar com produção de festas. É natural que a festa exerça esse fascínio e magnetismo sobre as pessoas... há flores, há música, boa comida, boa bebida, e pessoas felizes ali, mas devo dizer que por trás do glamour do salão há muito mais transpiração do que inspiração.

Pensei até em criar mais uma série, tantas que são as particularidades que envolvem a produção de uma festa, mas grosso modo, vamos aos aspectos mais relevantes...

O perfil do produtor de festas
Se eu tivesse que traçar o perfil de um produtor de festas eu diria que é fundamental: um traço de loucura; adorar problemas; estar disponível full time; ser flexível; saber engolir sapos e lidar com a vaidade alheia; ter a capacidade de traduzir as expectativas das pessoas; ter uma saúde de ferro; bom conhecimento sobre alimentos e bebidas, ambientação, e dimensionamento; ter bons contatos e um cadastro de prestadores de serviço; ter bom humor; ser ágil e prático; ter grande capacidade de organização e liderança; algum conhecimento técnico sobre sonorização e iluminação; e, sobretudo, muita coragem para assumir a responsabilidade de realizar sonhos.

Pré-requesitos básicos
Carro, internet, comunicação eficaz, e boa equipe.

Não caia na besteira
De achar que dá conta de tudo sozinha; de pechinchar com os seus prestadores de serviço (ao contrário, pague bem, valorize o trabalho das pessoas e você terá o melhor delas); de supor que a montagem está adiantada ou no prazo (uma produção está sempre atrasada por mais organizado e experiente que seja o produtor); de querer dar uma de esperto e ficar com as sobras de bebida e comida, ao contrário, solicite o contratante para conferir as sobras, providencie a sua embalagem e carregamento do carro, e preserve assim a sua integridade.

É bom saber
Quando estiver começando, vai descobrir: que vai ter que pegar peso; que vai descascar as unhas; que jamais poderia imaginar que seria tão cansativo, vai chorar, querer desistir, e perguntar a si mesma "onde foi que amarrou o seu jegue"; que deveria ter inserido gastos com celular e gasolina no orçamento; que salão sem maitre não rola; que o praticável que alugou não sobe a escada e que terá que ser içado pela varanda; que não se lembrou que chove em agosto e você não projetou toldos para a área externa; que deveria ter trazido um ferro para passar as toalhas que chegaram amassadas; o que é valet; que tem que pagar ECAD; que terá que emitir nota fiscal e perder 16% do seu suado dinheirinho que já não é quase nada porque você fez um orçamento frágil; que vai ter que contratar um gerador pois a rede elétrica da casa não segura a luz linda e a sonorização luxo que você contratou; que esqueceu de fotografar; que faltou muita quiche e sobrou muita sobremesa; que deveria ter comprado recipientes descartáveis para a sobra do bolo; que você é responsável pela alimentação da equipe de 30 pessoas que trabalha na montagem da festa bem na hora em que os estômagos roncam; que as flores que você escolheu são chiquérrimas mas não seguram o calor; que deveria ter visitado o local na hora que a festa vai acontecer para perceber a incidência de radiação; que não providenciou sombreiros e ameaça chover; que esqueceu de tirar o dinheiro do pagamento da equipe, o limite de saque no caixa eletrônico é 500 pilas e você só tem uma folha de cheques; que os teceirizados atrasam; que a conta do aluguel de louça aumenta em 20% com as perdas (quebra e sumiço) que você tem que pagar depois da festa; que esqueceu de comprar fósforos; que deveria ter providenciado saca-rolhas já que vai servir prosecco; que o fato do espaço dispor de freezer e refrigeradores não descarta a necessidade do gelo; que sua família vai sentir a sua falta; que vai esquecer da sua consulta médica; que vai almoçar coca zero e batata chips na fila do supermecado; que a irmã do anfitrião é cadeirante e não há acesso para portadores de necessidades especiais no local da festa; que um conviva pode ter o seu celular roubado; que deveria ter providenciado pelo menos avental e touca para as assistentes de cozinha; que não tem um recipiente para ir acondicionando os 20 litros de suco que vai fazer, e que deveria comprar um liquidificador industrial; e finalmente, que a responsabilidade pela limpeza do salão é sua, às 5h da manhã, quando você acabou de dispensar toda a equipe.

Mas, ó... quando você conseguir superar todas estas dificuldades, ver materializada diante dos seus olhos uma linda festa realizada por você, e ouvir o seu cliente dizer que você consegiu realizar o seu sonho, tudo terá valido a pena. E outra: o sofrimento vai diminuindo à medida em que a experiência vai aumentando.

E aí? Quem vai encarar? =)

Nota de rodapé: Fotinha da minha última festa... notícias na sequência.


18/07/08 - 11:39

Postado por: Katita
Fatias de Parida



Mais para o Sul e Sudeste do país atende pelo não mais charmoso nome de Rabanada, e tem data certa para figurar nas mesas, no Natal. Já para as bandas do Nordeste, atende por Fatia de Parida, e é muito mais popular e presente nas mesas dos cafés da manhã nordestinos durante todo o ano, e justamente por isso quase não aparece em nossas ceias natalinas, pois seria como chover no molhado.

A Rabanada é mais metida a besta, até porque precisa de uma dose maior de glamour para entrar no rol da ceia natalina, daí que eu já vi mil versões com inclusão de licores e geléias e coisas que tais em sua composição.

Mas por que Fatia de Parida? Bem, porque reza a lenda que tal guloseima seria muito recomendada na dieta das recém-paridas em resguardo.

Fazer Fatia de Parida é muito simples: basta cortar o pão francês dormido em rodelas, deitá-las numa fôrma, hidratá-las com leite, depois passá-las em ovos peneirados e ligeiramete batidos, fritá-los em óleo quente (fui de Canola), escorrê-los e envolvê-los em açúcar e canela.

Você terá uma massa crocante por fora, macia por dentro, e levemente adocicada, que cai muito bem com um leite morno naqueles dias em que precisamos de um afago.

Mas agora a minha história por trás destas fatias...

Eu estava num mercado perto de casa comprando alguns poucos ítens; quando já na fila há algum tempo, vi um amigo parado com um saco de pão nas mãos, olhando para a fila enorme, e provavelmente refletindo se valeria a pena encarar aquele caos por um pacote contendo 5 pães franceses. Acenei para ele e me propus a pagar pelo seu pão, pois se não o fizesse, seria o mesmo que furar a fila, e haveria outro registro de pagamento, bla bla bla. Ele titubeou, mas acabou concordando. Daí começamos um enorme tricô, ele me ajudou a empacotar as compras, enfiou o dinheiro no meu bolso, e perguntou se eu não queria uma carona; eu falei que estava pertinho de casa, mas ele insistiu. O tricô deu uma colcha até a minha casa, desci, peguei as minhas compras, nos despedimos e seguimos nossos percursos. Uma vez em casa, alguns minutos depois, arrumando as compras, qual não foi a minha surpresa ao perceber que havia dois pacotes de pão! Eu havia trazido a sacola do pobre! Ô meu pai! Liguei para ele meio arrasada, meio divertida, e ele já atendeu gargalhando! Disse que era para eu ficar tranquila, pois ele já estava tomando café em casa de amigo, em mesa muito bem guarnecida de pães de todas as categorias. Eu falei: e agora? O que eu faço com tanto pão? Vou ter que fazer fatia de parida para o café! Ele falou: Pois faça! Fatia de parida é luxo! Foi a deixa que eu precisava para retornar-lhe o pão em forma de fatias de parida, que deixei hoje pela manhã em seu local de trabalho.



E acabou-se a história.


 

 
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