09/07/10 - 13:40 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Mercearia Paraopeba



Malu, eu preciso te dizer uma coisa: eu senti uma vontade enorme de largar tudo e ir para BH só para te dar um abraço em agradecimento a esse link que você deixou nos comentários do meu post sobre mercados do interior. De BH eu te pegava pela mão e a gente ia para Itabirito passar um dia inteirinho sentadinha num banco lá na venda de Seu Zé, só vendo o movimento.

Assinado: Katita, de olhos inchados.

Ai que misto danado de alegria e tristeza!

Tô de mal com todo mundo que não assista a este curta lindo de morrer, de Rustty Marcelinni, pela Cara de Cão Filmes.

Gente, mineiro é um povo muito lindo, Deus é mais!

14/03/10 - 16:31 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Soul Kitchen



Comédia alemã, que em alguns momentos chega a beirar, propositadamente espero, o pastelão. Mas que isso não soe pejorativo, porque o filme me rendeu deliciosas gargalhadas em sua pré-estréia de ontem na Sala de Arte do Museu. Comédia não é para rir? Então tá tudo certo.

A relação do grego Zinos Kazantisakis(Adam Bousdoukos), num momento todo errado de sua vida, com o seu querido e falido restaurante. Pequenos conflitos entre os personagens que frequentam, dependem, amam, odeiam e ambicionam o local, vão tecendo a trama desta divertida história dirigida pelo alemão filho de turcos, Fatih Akin.

O elenco está impecável, com destaque para o irmão Illias Kazantisakis (Moritz Bleibtreu, o namorado de Corra Lola, corra!) e para o insano chef Shayn Weiss (Birol Ünel). A trilha (soul, né?) também é massa.

Eu acho que vocês vão curtir. 19 de março nos cinemas!

Uma coisinha leve antes de enlouquecer na Ilha do Medo de Scorsese logo mais.

Achei um trailer bacana aqui ó, veja se não é instigante...

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04/03/10 - 08:50 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
A beleza da pobreza



Além de ter tudo a ver com a nossa cozinha, esta foto de Márcio Lima, tem também tudo a ver com o meu projeto de mestrado, que vai abordar o senso estético da periferia social.

Márcio Lima é um respeitadíssimo fotógrafo, pernambucano por acaso, que escolheu a Bahia como lar. Conheci Márcio na década de 80 e sempre fui louca pelas suas fotos de cenas "corriqueiras" do cotidiano nas ruas, parques e circos do interior, campos de futebol, puteiros, e especialmente aquelas de interiores, especialmente aquelas de interiores de casas humildes, especialmente aquelas de copas e cozinhas de interiores de casas humildes, com mesas cobertas por toalhas, vasos e flores plásticas.

Ontem navegamos juntos pela história de algumas delas, e descobri que quando viajo faço os mesmos exercícios que ele para colher imagens que me tocam. Seduzo velhinhas, invento histórias, roubo cenas e apesar de nunca tê-lo feito, às vezes me ocorre até mesmo oferecer dinheiro para levar para casa imagens que preciso dividir com o mundo.

Márcio tem várias formas de colher imagens, desde viagens contratadas por empresas estrangeiras até aquelas que traça por sua conta, em cima do calendário de festas populares, ou não, quando simplesmente coloca seus apetrechos no carro e pega uma estrada que vai dar num lugar qualquer, afinal todo lugar qualquer tem um encanto qualquer.



Veja mais fotos de Marcio Lima nas Galerias Fábio Pena Cal e Paulo Darzé.

Ah! E como se não bastasse, ainda é gato, comadres! Vejam se pode uma coisa dessas! =)

Márcio, lindo, obrigada pela cessão das fotos, tá?

17/01/10 - 14:01 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Leitoras que fazem arte



Da nossa querida leitora Ila Fox, que como se não bastasse ser super talentosa e criativa, ainda é linda e loira, a bicha!

Beijo, frô! E obrigada pela liberação da imagem, que é tão nossa cara!

=)

K.

31/07/09 - 09:26 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Faby
Videoclip na cozinha



Nosso leitor Gilson Val e seu sócio, Eduardo Brand, são produtores do videoclip da música Província, de Carlos Posada. O vídeo mistura música e gastronomia e é protagonizado pelo chef Checho Gonzáles, nascido na Bolívia e criado no Brasil e eleito, em 2001, chef revelação pela Revista Gula.

Música e gastronomia - taí uma mistura que eu curto =)

14/07/09 - 20:18 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Menina Mimada



No momento mais crítico daquela manhã insana de trabalho, percebo duas ligações perdidas no celular, retorno e ouço uma voz festiva e risonha que a muito tempo não ouvia.

- Amiga! Tá boa? Que surpresa! Quanto tempo!
- Pois é, amiga. Liguei para te dizer que desde que descobri o seu blog, acesso todos os dias, passei a comprar flores todos os sábados, e aquilo me faz um bem danado.
- Sua cretina! E por que você nunca se manifestou?
- Então, eu tô ligando porque eu queria retribuir com uma coleção de revistas antigas que foi da minha mãe, a Bom Apetite, lembra? Você tem interesse?
=O
-CALARO que eu tenho interesse, comadre, tá lôka? Como é que eu faço para pegar?
- Estou indo para a sua área e vou deixar no seu prédio.
- Mas eu não vou estar lá. =(
- Não tem problema, depois marcamos para eu te visitar.
- E eu faço uma comida de revista? =)

E ficou assim combinado.

A Enciclopédia Semanal Ilustrada de Forno e Fogão foi lançada pela Editora Abril em 1968 (eu disse 1968!), e ia às bancas todas as quintas, a NCr$1,00. Em resumo, ganhei um tesouro.

E como se não bastasse, essa amiga é uma fotógrafa das mais sensíveis que conheço, e me deixou de presente também o catálago da sua última exposição Lugar de Ausência, recentemente lançada no MAM Bahia, e agora em circulação pelo interior.



Lugar de Ausência é como o nome diz: registros de lugares vazios, que sugerem a forte presença de alguém. Não pude resistir, e selecionei as minhas preferidas...



É ou não é possível ver os ausentes e invisíveis?

Amiga, vida longa sim, a esses olhos tão poéticos que você tem. Benza Deus!

Não esqueçam deste nome: Valéria Simões

11/07/09 - 17:08 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Faby
Numa tarde chuvosa...



... o e-mail da leitora e querida Biba Arruda...

Deliciooooooooooso de ler!
As histórias dela encantam e embalam!
Tivemos a sorte de ir ao lançamento do livro!
Laura Goes é uma majestade! Se ainda não a conhecem, juntem os banquinhos, pq vcs Rainhas, tem muito o que trocar!
bjos
Biba Arruda


... e o texto de apresentação do livro, escrito pela chef Carla Pernambuco...

Simples como o fogo

Quem cozinha pela vida afora acaba por descobrir que lidar com panelas e alimentos nos leva a compreensões muito particulares da existência. Quem nos vê com o olhar desligado enquanto debulhamos uma espiga de milho, mal sabe. Aqueles que nos flagram escorrendo uma massa com a expressão mais séria do mundo, sequer imaginam em qual altura anda o nosso pensamento ao “dirigir um fogão”. Pois é. A filosofia da cozinha é intrigante, séria e prazerosa, por ligar pensamentos ao procedimento mais básico do ser humano: o de alimentar-se para viver.

Essa é a primeira impressão que temos ao ler os textos agrupados neste livro de Laura Góes, mulher com experiência quase espiritual sobre o ato de cozinhar. Como se arrumasse aspargos frescos numa cesta, ela organiza lembranças de fatos aparentemente corriqueiros, mas que logo adquirem uma grandeza espetacular, exatamente por sua tocante simplicidade. Hoje que cozinhar virou uma complicada “arquitetura” (ou briga de egos), as histórias de Laura trazem um conforto indescritível. Ela é simples como o fogo. Entretanto, sabemos quanto mistério, calor e perigo ocultam a combustão das labaredas. Ela é uma labareda.

Laura aproxima-se de qualquer situação como se levantasse a tampa do caldeirão, curiosa para ver se ali ainda existe algo que valha a pena aproveitar. Assim, em seis décadas de lembranças e aprendizados, surgem relatos de tias, avós, receitas escritas com caligrafias rebuscadas, espantos com a chegada dos eletrodomésticos nos States, os embates para atingir o ponto correto do cozimento, amizades com feirantes, a simpatia dos contatos em volta da mesa, a implicância com detalhes divertidos. Por exemplo: o pavor inicial na fase profissional de que rotulassem a sua comida de “caseira”, a proibição de chamar jantar de “janta”, as transformações onomatopaicas de receitas estrangeiras (Peras à Belle Hélène em “Peras Belelé”), as observações de quem come tudo (o cliente guloso que raspou o tacho de feijão com pedaço de pão), a parentada que inventa receitas mirabolantes, a descrição dos ambientes e dos tipos humanos... Enfim, frases de leituras deliciosas.

Fico feliz ainda por escrever a apresentação deste livro; em segundo, por saber que existem guerreiras da culinária brasileira como Laura Góes. Sim, embora ela comente (e indique) receitas de procedências diversas, sua dicção é brasileira, seu olhar é brasileiro, seu estilo é o refinamento das mil conexões brasileiras. Ela tanto gosta da polenta quanto do steak, defende o feijão preto e a harmonização dos vinhos (sem ser metida), vai da empadinha ao suflê, das compotas ao quebra-queixo, parecendo uma eterna aprendiza dos sabores, das cores, dos cheiros.

Quem além de Laura Góes teria propriedade, elegância e direito de falar que usava guardanapos gigantes, impecavelmente brancos? Alguém mais teria coragem de dizer que adora “panelas velhas” e que acha linda qualquer tranqueira relacionada aos afazeres da cozinha, mesmo quando são vasilhas surradas e sem cabos? Isso é pura poesia, isso é sabedoria.

“A Cozinha do Alcobaça”, que bom, não se parece com nenhum livro de culinária contemporânea que encontramos por aí. Esses todos vão passar. O volume singelo e brilhante de Laura Góes tem um destino bem maior: ficar para sempre na cachola de quem gosta de comida. Para sempre, viu, Laura? E deixa o fogo aceso que nós vamos passar por aí.

Sua fã,

Carla Pernambuco


... me fizeram tirar o pijama em uma tarde (um dia na verdade) chuvosa e ir correndo ao shopping que, felizmente, fica a menos de cinco minutos da minha casa.

Biba, meu beijo mais grato pela dica e a pergunta que não quer calar: onde eu estava que perdi esse lançamento, hein? Tanto, tanto, tanto lixo na minha caixa postal e só hoje eu recebo essa preciosidade?
Bah.

Vou alí tirar o tempo perdido.

Bom restinho de feriado pra quem é do feriado =)

***

Do O Globo de 27/06, com reportagem de Júlia Dias Carneiro

Dona Laura, da Alcobaça, lança livro com receitas inspiradas nos cadernos da bisavó, que viveu num engenho em meados do século XIX

Laura Góes, de 78 anos, pega um garfinho para cuidadosamente espalhar a calda de açúcar sobre a torta de chocolate que fez para o almoço da quarta-feira. É um dia de semana normal, mas na Pousada da Alcobaça dias normais são sempre ocasião para sobremesas extraordinárias. A da quarta-feira passada era uma receita que ela inventou.

— A receita original era do biscoito de chocolate que servimos com o café. Mas eu inventei de usar essa massa como base de uma torta — conta ela, que sobre a massa despejou ganache de chocolate, amêndoas torradas e calda de açúcar.

Que d. Laura é uma cozinheira de mão-cheia, a legião de fãs que sobe a serra para almoçar no casarão antigo em Corrêas, distrito de Petrópolis, já sabe muito bem — entre eles, Walter Salles, Amy Irving, Miguel Paiva, só para citar alguns nomes que dão seus depoimentos no site da pousada. Que ela também tem um texto delicioso, isso até hoje só era conhecido pela família, de seis filhos e 13 netos, para quem sempre escreve histórias infantis (“escrevo tudo rimadinho, ‘a baleia, a sereia de sapato e meia’...”) e textos sobre os parentes (“todos impublicáveis!”). Ela lança agora um livro sobre o cômodo mais famoso da pousada, “A cozinha da Alcobaça — receitas e histórias” (Editora Terceiro Nome), que autografa na terça-feira, às 18h30m, na Livraria Argumento do Leblon.

O livro reúne a sabedoria que d. Laura acumulou antes mesmo de nascer — sua inspiração mais antiga são os cadernos de receitas herdados de uma bisavó, que viveu num engenho em Pernambuco em meados do século XIX. Cozinhar bem era questão de honra para as mulheres da família, mas d. Laura só foi saber se tinha herdado ou não aquele talento depois de se casar, aos 21 anos — como tantas mulheres, foi só ao ter casa e marido próprios que foi desbravar a cozinha. Sua estreia foi americana: os dois primeiros anos do casamento foram passados perto de Michigan, onde o marido, Mário Góes, estava se formando em engenharia. Assim, sua primeira mentora foi Betty Crocker, e suas primeiras receitas eram medidas em cups (xícaras) e pounds (libras) e assadas em graus Fahrenheit. De lá para cá, ela abrasileirou as medidas, se embrenhou na culinária nacional, incorporou influências francesas, mas, até hoje, é cup para cá, cup para lá na sua cozinha.

Histórias como essas estão na primeira parte do livro, onde d. Laura conta histórias da Alcobaça e de outras cozinhas. Suas primeiras décadas de experiência foram cozinhando para a família — ela era professora de matemática e, antes de abrir a pousada com o marido, Mário Góes, teve duas escolas em São Paulo. Quando o casal assumiu a casa de verão que fora construída pela família de Mário em 1914, ela se viu diante de uma cozinha profissional pela primeira vez. Tinha 62 anos. Depois de 40 anos alimentando sete bocas, tirou o novo desafio de letra.

— Tem uma coisa extraordinária que sei fazer: provando uma comida, faço igual — conta.

Assim nasceu sua famosa receita de pato com laranja, que experimentou num restaurante em São Paulo e quis imitar. Mexeu daqui, mexeu dali e hoje garante que o dela “dá de dez” na receita original. As instruções estão no livro, que dá o passo a passo para todos os pratos listados no cardápio, como o coelho com molho de vinho, o picadinho e a torta feita com biscoito de chocolate. Os avisos da pousada são listados no quadro negro em que ela escreve com letra caprichada. O menu é “imexível”.

— Se mudo o cardápio, me batem — diz ela, referindo-se aos clientes fiéis que chegam ao restaurante da pousada já sabendo o que querem comer. — Quando o Gilberto Braga vem aqui, já pede a carne assada. A Claudia Abreu só come o pato. O Waltinho e o João (Moreira Salles) gostam da sopa de batata com alho poró, que é a coisa mais simples do mundo. Faço em um minuto e eles comem como um manjar dos deuses.

Simples, mas requintada. É assim que d. Laura define a sua cozinha. Ela dá igual valor a feijão e bacalhau, a pato e carne assada, desde que sejam ingredientes de qualidade. As verduras e legumes vêm da horta que fica ao lado da pousada.

— Aqui eu planto o que cismo — explica ela, caminhando pelas aleias que têm dálias, camomila, ervas, aspargos, bertalha...

A cozinha é o lugar mais disputado para fazer as refeições. O clima familiar permeia o resto da pousada, que tem um imenso jardim. Para que os hóspedes se sintam em casa, não há horários — o único critério para separar o almoço do jantar é a luz do dia, e o café da manhã pode ser servido a qualquer hora. Coisa de quem foi professora a vida toda e agora pode acordar lá pelas 9 horas.

— Sinto falta das aulas, mas a gente não tem que fazer a mesma coisa a vida inteira. E tenho me divertido muito com tudo. Para começar, não tenho mais que acordar às 6h, então acordo superalegre.

Panquecas Alcobaça

Ingredientes:

3 ovos grandes

1/3 xícara de açúcar

50g manteiga mole

1/2 xícara de leite

1/2 xícara farinha de trigo

2 colheres de chá fermento (pó Royal).

Como fazer: Bater todos os ingredientes no liquidificador. Numa chapa grossa de ferro (sem untar) fritar a massa usando cerca de duas colheres de sopa por panqueca. Quando formar bolhas, virar com uma espátula. Graduar o fogo.

Aviso: a primeira panqueca nunca dá certo, e deve ser feita só para testar a temperatura. Servir com manteiga e geleia.


***

Cozinha Da Alcobaça, A
Autor: Goes, Laura
Ilustrador: Videria, Jorge
Editora: Terceiro Nome
Assunto: Culinária

07/07/09 - 10:57 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Estilista de imagem


(foto: www.camillesoulayrol.com)

Quando acessamos imagens de lindas mesas e festas em sites como os da Martha Stewart, por exemplo, quase não paramos para pensar que aquilo ali não é uma festa de verdade, mas composições de idéias (ótimas idéias) feitas com o intuito de inspirar. Nos sentimos tão distantes daquilo! Mas como é possível tamanha beleza, precisão, perfeição? Sim, é possível porque aqueles cenários foram montados com o objetivo de serem perfeitos, e é perfeitamente possível que pareçam perfeitos, afinal, se você perceber, são sempre closes e cenários muito pequenos (o que possibilita uma manipulação minuciosa); são composições feitas a partir de objetos novinhos em folha, saídos de algumas das melhores lojas do mundo; são cenas/instalações/momentos concebidos por profissionais altamente gabaritados, sensíveis (e caros) com formação em Arte; e são registrados por fotógrafos excepcionais, em locações cuidadosamente escolhidas, com bastante luz natural, ou a partir de estúdios profissionais maravilhosos. Coisa de cinema, sabe assim? Como não nos parecerem perfeitos aos nossos olhos? Sem chances de não nos parecerem perfeitos aos nossos olhos.

Mas há algum problema nisso? Não, senhoras, nenhum. Ao contrário, só méritos. Dizer que há, seria o mesmo que negar o belo.

Mas passemos a uma proposta: analisar comigo o mérito do trabalho estonteante da estilista de imagens francesa Camille Soulayrol, a minha preferida no ramo. As fotos escolhidas para ilustrar este post estão no seu site e foram produzidas para matérias da Marie-Claire (não falei?).

O conceito da imagem



Só uma pessoa com formação em Arte (ainda que auto-didata) é capaz de criar um ambiente altamente conceitual como este. Dificilmente encontraremos uma estante como esta num ambiente real. Note que os suportes são moldes de livros, provavelmente em gesso, o que significa que são frágeis e não são adequados para sustentarem uma estante de livros. E é claro que a Camille sabe disso, mas pouco importa, pois ela não é uma decoradora, mas uma artista. E o que não funciona na prática (mas tem uma função muito mais importante que esta) é o que chamo de conceitual. Uma idéia, um delírio, que não precisa ser real, mas mexe com os nossos sentidos, com o nosso olhar, subverte a função das coisas, eleva o pensamento para outras paragens. Isso é Arte. Ah! Perceberam que o cachorro também é uma escultura, né? Dá ou não dá para encarar a imagem como uma obra de arte?

Já a segunda imagem, é praticamente uma instalação, muito mais do que um cabideiro. Aliás, um cabideiro estaria próximo a uma porta, bem como as botas que uma vez sujas de lama não cruzariam a sala, no entanto a composição foi feita, obviamente num estúdio. Mas a idéia não é linda? Então... é essa a idéia.

A Arte não tem compromisso com a lógica e nem com a coerência utilitária da decoração



Neste segundo bloco de imagens, selecionei ambientes, que do ponto de vista de uma decoradora, não fazem sentido. Quer ver? Temos o equilíbrio precário de um enorme abajur cujo suporte é feito de frágeis louças antigas bem no meio da sala, e um espelho que não reflete pois está forrado por adorável tecido floral! A briga entre um espelho maravilhoso escondido atrás de uma cabeceira enorme! Uma cadeira posicionada embaixo de uma prateleira, que é para a pessoa bater a cabeça quando levantar! Um lustre a uma altura e posicionamento, no mínimo, incoerentes! Mas, e daí? Estes objetos estão ali para comporem a idéia. Ninguém vai morar ali. Abstraiam!, grita a artista.

Mais próxima da realidade



Não quer dizer, porém, que algumas cenas não sejam feitas em locações reais, o que aproxima mais o observador mortal. Mas mesmo assim, vamo' combinar que essa noiva aí pilotando essa motoca com esse vestidão enorme, esse chapelão e flores, que supostamente voariam, e estas caixas de papelão escândalo, cuidadosa e geometricamente arranjadas, não deixam de povoar também o campo dos sonhos, né não?

Portanto, comadres, não se aperreem depois que os seus olhos saídos dos incríveis sites de decoração pousarem de volta sobre as suas singelas casinhas. Encare como uma sessão de cinema, plante os pés no chão, e encha a leiteira de margaridas, ou o murano de tulipas, que a gente aqui não tem preconceito com as phenas. =)

06/07/09 - 19:52 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Julie&Julia



Alguém aí vai perder isso?

22/06/09 - 10:49 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Faby
Chicken a la carte



Simplesmente emocionante o premiado curta metragem Chicken a la Carte, do diretor Ferdinand Dimadura, considerado o mais popular no Festival em Berlim em fevereiro de 2006 e que eu só tive a oportunidade de conhecer por sugestão da leitora Ana Beatriz, a quem agradeço a dica que me permitiu, novamente, fazer uma reflexão profunda (e dolorida) sobre a fome no mundo.

Aproveito para repassar a vocês a mesma pergunta que a Ana Beatriz me fez, e para a qual nós precisamos mesmo buscar respostas... E você, tem fome de que?

10/06/09 - 10:10 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Caramelo (Sukkar Banat)


(Trailler Uol)

Açúcar, água e suco de limão na panela são os ingredientes do caramelo (uma metáfora a doce cumplicidade feminina), também comestível, usado para depilação no salão Si Belle, principal cenário da trama, em algum lugar da Beirute atual. Produção franco-libanesa, dirigida pela deslumbrante Nadine Labaki, que também protagoniza esta simples e belíssima história, sobre alguns dias nas vidas de mulheres ordinárias, de perfis distintos, mas sentimentos comuns, que poderiam ser qualquer uma de nós.

Amores possíveis, impossíveis, improváveis... emblemas e simbologias que desenham a alma feminina. No filme nada é explícito, tudo sutil, de uma sutileza comovente... o filme deixa os pensamentos e sentimentos em suspenso no ar, dispensa a palavra, e deixa um hiato para que nos apropriemos e o preenchamos com os nossos próprios sentimentos e pensamentos, que são tão absolutamente comuns a qualquer mulher, imagino.

Não espere clímax, nem tramas mirabolantes. Não se precipite num primeiro momento mais plano do filme; ele crescerá muito, e espero que arrebate, quando nada, uma entre dez comadres.

Eu adoro as mulheres quando elas fazem filmes, especialmente aqueles essencialmente femininos que falam diretamente aos corações de nosotras, mas do que aos homens. Fui assistir a esta pré-estréia ontem em companhia de três homens, e sei o que digo. Eles se levantaram ao subir dos créditos rumo à porta, como normalmente se faz após os filmes, enquanto eu não pude levantar até que a tela se apagasse, a lindíssima trilha silenciasse, e as luzes se acendessem anunciando o "acabou-se o que era doce", dulcíssimo aliás.

23/02/09 - 09:33 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Comidinha de Sarau



O nosso terceiro Sarau Intelequituáu rolou já faz um tempo. O proponente foi Lu, com o tema Música Erudita Contemporânea. Não deu certo fazer sarau com Bento em casa, como eu já imaginava, e o tema, que merece absoluta atenção, ficou um tanto quanto truncado para mim. Lu selecionou um material muito bom... livros, cedês, partituras muito loucas, e nos reservou algumas experiências sensoriais muito interessantes no escuro da sala quando a noite caiu.
Para o lanche, fiz batatas murro assadas com recheio de peito de peru e requeijão cremoso, e vinho sempre.



Cedês, audição, partituras loucas, apostila, e a melhor parte: Stockhausen e suas músicas de helicóptero e silêncio.

Fala se não é um luxo ter um Compositor e Regente no grupo?



Lu, meu bem-querer, foi lindo.

05/02/09 - 15:21 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Não é Proibido
Marisa Monte


(foto: www.gabihenn.blogger.com.br)

Jujuba, bananada, pipoca,
Cocada, queijadinha, sorvete,
Chiclete, sundae de chocolate,

Uh!

Paçoca, mariola, quindim,
Frumelo, doce de abóbora com coco,
Bala juquinha, algodão doce e manjar.

Uh!

Venha pra cá, venha comigo!
A hora é pra já, não é proibido.
Vou te contar: tá divertido,
Pode chegar!

(uh)
Vai ser nesse fim de semana (uh)
Manda um e-mail para a Joana vir (uh)
Woo.. Uh!

(uh)
Não precisa bancar o bacana (uh)
Fala para o Peixoto chegar aí! (uh)

Traz todo mundo, 'tá liberado, é só chegar.
Traz toda a gente, 'tá convidado, é pra dançar,
Toda tristeza deixa lá fora; chega pra cá!
(uh)

Jujuba, bananada, pipoca,
Cocada, queijadinha, sorvete,
Chiclete, sundae de chocolate,

Uh

Paçoca, mariola, quindim,
Frumelo, doce de abóbora com coco,
Bala juquinha, algodão doce e manjar.

Uh

Venha pra cá, venha comigo!
Amar é pra já, não é proibido.
Vou te contar: tá divertido,
Pode chegar!

(uh)
Vai ser nesse fim de semana (uh)
Manda um e-mail para a Joana vir (uh)
Woo.. Uh!


(uh)
Não precisa bancar o bacana (uh)
Fala para o Peixoto chegar aí! (uh)

Traz todo mundo, 'tá liberado, é pra dançar.
Traz toda a gente, 'tá convidado, é só chegar,
Toda tristeza deixa lá fora; chega pra cá!
(uh)
Yeah
(uh)

****

COME ON, EVERYBODY! SHAKE YOUR BODY, CLAP YOUR HANDS, PEOPLE, COME ON! SHAKE, SHAKE, SHAKE!

Ninguém é de ninguém, mas a jujuba vermelha é minha!

=)

01/02/09 - 01:32 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Jamie OVER


(foto: www.dailymail.co.uk)

Eu quase não vejo tevê. Desde que tomei pavor à rede Globo, acabei contratando uma tevê por assinatura, acreditando eu, coitada, que teria acesso a uma programação de qualidade, mas o que descobri de fato é que apenas paguei para multiplicar por 50 a quantidade de porcaria que eu tinha acesso. Com exceção dos canais infantis (leia-se Discovery Kids, que é o que Bento realmente curte), alguns canais de notícias, o GNT eventualmente, e o Canal Brasil, que é o único que eu ainda acredito, o resto para mim é muitíssimo ruim.

Isso para dizer que só hoje, pela primeira vez, assisti ao programa O Show de Culinária de Jamie Oliver no GNT, e fiquei desolada. Que desgosto! Um show num estúdio para 3000 pessoas que pagam ingressos (provavelmente caros) para assistir o Jamie fazendo macarrão (e palhaçada)! Cara, que patético! Que banalização do fazer culinário!

Como se não bastasse tamanho apelo, o cara ainda entra de moto no palco, prepara um curry no tempo de uma música (gravada por sua banda) cuja letra é a receita, sai para uma balada e volta utilizando o efeito especial do telão e de uma gravação no ponto, abre uma porta e colhe ervas frescas de uma horta com barulhinhos de natureza e até a tromba de um elefante (e eu não tomei chá de cogumelos hoje), e finaliza tocando bateria! Ufa!

=O

Cara, é demais, né não? Gente, mas me deu uma gastura do Jamie, uma gastura tal, que até aquela sua linguinha sibilante que não me incomodava, eu não tô podendo mais.

Jamie, querido, eu adooooooooooro as suas receitas, você manja muito, mas só quero te ver impresso, viu nego? Vou ter que fechar com a Nigella (que também não é nenhuma santa) quando ela diz que "cozinhar não é espetáculo".

19/01/09 - 10:55 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Maus Hábitos



Uma freira que acredita que o poder de sua fé e de sua oração são capazes até mesmo de fazer parar de chover, e se auto penitencia através da comida; uma mãe neurótica e anorexica que pune a sua filha por ser gordinha e a submete a toda sorte de torturas psicológicas e clínicas a fim de que ela emagreça o suficiente para caber no vestido da Primeira Comunhão; um marido que perde o prazer sexual quando os ossos pubianos de sua mulher anorexica começam a ficar tão salientes que provocam-lhe dor, e vai reencontrar o amor e o sexo bom ao lado de uma aluna "gordinha" e muito atraente, que sente enorme prazer de comer sem nenhuma culpa; duas crianças gordinhas que traficam doces para comerem escondido de seus pais... histórias que se cruzam em torno de dramas pessoais relacionados à comida.

Eu não posso dizer que este filme mexicano de 2007 é um filme espetacular. Há um esforço bastante perceptível em tornar-lhe algo esteticamente cult, quando penso que não precisaria sê-lo, dado o seu tema, e isso me incomoda um pouco. Porém, sem sombra de dúvida, trata-se de uma abordagem bastante séria e pertinente sobre o que maus hábitos atribuídos à comida podem fazer com o ser humano.

Diferentemente de filmes como Super Size Me que têm foco na maligna indústria alimentícia, este aqui associa os maus hábitos alimentares a ditúrbios emocionais, uma abordagem que não me lembro de ter visto no cinema até então, pelo menos não desta forma.

Maus Hábitos, de Simón Bross. México, 2007.

26/11/08 - 00:04 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Munch de sobremesa

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Não estou convencida de que Gastronomia seja Arte, mas que caminham juntas... ah! isso caminham.

Sensacional contribuição do amigo Marcus Sampaio, vinda daqui.

13/11/08 - 13:28 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Faby
Poesia na cozinha

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(foto: GettyImages)

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões _é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".


A complicada arte de ver, de Rubem Alves.
(texto extraído do caderno "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004 - para ler o texto completo, clique aqui)

***
Tks Lena! =)

07/10/08 - 23:02 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Comidinha de Sarau

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Eu sempre quis promover saraus, entre amigos, com uma certa regularidade, para apreciar e discutir obras de arte de todas as linguagens. Eis que no dia da festinha japa improvisada aqui em casa, lancei o desafio, aceito de pronto. No calor da hora, sorteamos o primeiro proponente que deveria apresentar a sua obra dali a 15 dias, e assim o foi. Nosso primeiro Sarau Inteléquituau aconteceu neste último domingo em casa de Nanã.

Comidinhas sob minha responsabilidade (Quiche de Gorgonzola, Pão de Manjericão com Azeitonas Pretas), o vinho, sob a de todos mais. Já o alimento da alma...

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... cinema, Dead Man, de Jim Jarmusch, com Johnny Depp, proposto por LG, que mandou muito bem!

Agora adivinhem quem foi a sorteada como proponente do próximo sarau?

=)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))

24/09/08 - 22:53 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Casamento
De Adélia Prado

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(foto: Creative)

Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como "este foi difícil"

"prateou no ar dando rabanadas"

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.


23/06/08 - 14:37 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Faby
Ler & Comer

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As comadres Socorro e Luna se juntaram em uma empreitada pra lá de deliciosa, o Sopa de Letras, que tem o propósito de juntar duas coisas que amamos - comida e literatura.

Para participar basta reproduzir, com pitacos ou não, uma receita que esteja presente em um livro, mesmo que apenas mencionada ligeiramente. E vale tanto literatura nacional quanto estrangeira, ou seja... fácil demais né? Os detalhes você encontra no site da Socorro.

Ah! E as meninas ainda vão fazer, juntinhas, uma receita selecionada entre os participantes da brincadeira e, como se isso já não estivesse lindo por demais, ainda vão sortear um livro da Socorro, também entre os participantes.

Ai ai... não vai ser lindo isso? ;)

16/06/08 - 16:54 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Faby
Porque só a literatura salva

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Em torno dos 30 anos, Elizabeth Gilbert enfrentou uma crise da meia-idade precoce. Tinha tudo que uma americana instruída e ambiciosa teoricamente poderia querer: um marido, uma casa, um projeto a dois de ter filhos e uma carreira de sucesso. Mas em vez de sentir-se feliz e realizada, foi tomada pelo pânico, pela tristeza e pela confusão. Enfrentou um divórcio, uma depressão debilitante e outro amor fracassado, até que se viu tomada por um sentimento de liberdade que ainda não conhecia.

Foi quando decidiu tomar uma decisão radical. Livrou-se de todos os bens materiais, demitiu-se do emprego, e partiu para uma viagem de um ano pelo mundo sozinha. Comer, Rezar, Amar é a envolvente crônica desse ano. O objetivo de Gilbert era visitar três lugares onde pudesse examinar aspectos de sua própria natureza, tendo como cenário uma cultura que, tradicionalmente, fosse especialista em cada um deles.

Em Roma, estudou gastronomia, aprendeu a falar italiano, e engordou os onze quilos mais felizes de sua vida. À Índia foi dedicada à exploração espiritual e, com a ajuda de uma guru indiana e de um caubói texano surpreendentemente sábio, embarcou em quatro meses de viagem. Em Bali, exercitou o equilíbrio entre o prazer mundano e a transcendência divina. Tornou-se discípula de um velho xamã, e também se apaixonou da melhor maneira possível: inesperadamente.

Escrito com ironia, humor e inteligência, Comer, Rezar, Amar é um relato de auto-descoberta que fala sobre a importância de assumir a responsabilidade pelo próprio contentamento e parar de viver conforme os ideais da sociedade. É um livro para qualquer um que já tenha se sentido perdido, ou pensado que deveria existir um caminho diferente, e melhor.

Comer, Rezar, Amar - Elizabeth Gilbert
Editora Objetiva
*resenha: Americanas


***

Eu não sou lá muito fã do gênero e corro cada vez que sinto uma pontinha sequer de auto-ajuda em um livro, só que esse daí cai em minhas mãos no momento em que a minha vida passa pelo período mais nebuloso ever (muita, muita coisa envolvida e nada que caiba nesse blog)... e ainda tem o apelo da parte, digamos, gastronômica da experiência da autora. De modos que eu agora sou uma pessoa mergulhada na literatura e um pouco fora do que move esse cantinho tão querido.
Minha cozinha continua abandonada, eu sou uma nova habitante do limbo e daqui tá difícil de ver a luz, juro. Hohoho. Mas assim que uma luzinha se fizer eu volto para o mundo das panelas e pra cá correndo. Prometo =)

27/05/08 - 22:30 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Estômago

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João Miguel e Fabiula Nascimento na carne de Nonato e Íria

Eu sou uma grande entusiasta do cinema brasileiro e fico imensamente feliz quando os nossos filmes dão sinal de competência.

O mote é aquele que a gente defende aqui todos os dias: a comida está relacionada com absolutamente tudo na vida. No caso desse primeiro longa do Marcos Jorge, que começou bem, com o seu filme honesto e despretensioso, a comida está diretamente relacionada com o poder e com o sexo.

Ponto para o baiano João Miguel, que é bom paca, e quem não sabe disso?
Ponto para Babu Santana, perfeito no papel do manda-chuva do cárcere;
Ponto para a excelente ambientação do boteco de quinta;
Ponto para a música encantada que aparece toda vez que a comida entra em cena;
E para o argumento, naturalmente.

Ah! Tá, eu entendi porque todo mundo me achou parecida com a Íria. É que além da semelhança física, há uma semelhança de humor e temperamento. Sim, eu me vi um pouco na Íria. E gostei disso. =)

Irmã, arrasou na sacada do Espaguete ao meio-dia.

16/05/08 - 11:17 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Faby
Pãozinho francês

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No dia 19 de maio, segunda-feira, às 19h o gostoso, delicioso, apetitoso, charmoso, saboroso e nutritivo chef meio francês/meio brasileiro Olivier Anquier lança seu livro DIÁRIO DE OLIVIER - 10 anos de viagem em busca da culinária brasileira na Livraria Cultura do Conjunto Nacional - Av. Paulista/SP.

Sobre o livro...
"10 anos de viagens, 21 estados percorridos, 16 capitais, 232 programas com 474 personagens e suas histórias, 7711 fotos, mais de 1000 receitas descobertas e inventadas, 327000 quilômetros rodados, 54500 litros de gasolina, 08 jogos de pneus, 5 solas de sapatos, 0 acidentes, 1 caminhão de alegria, 1 trem de agradecimento."
Fonte: Livraria Cultura

Ulálá! Eu acho que vou lá dar uns amassos no chef pegar o meu autógrafo :)

(nota mental: cara, eu acho que tenho uma queda pelos franceses)

Tks pela dica Gi!

26/04/08 - 22:48 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Katita
Depois daquele baile

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(foto: www.depoisdaquelebaile.com.br)

Uma história sobre amores e amizades maduras ao redor de uma farta mesa mineira.

Dóris (Irene Ravache) é uma exuberante viúva, e fina cozinheira, que oferece em sua casa serviço de pensão. Otávio (Marcos Caruso) e Freitas (Lima Duarte), seus clientes mais assíduos, disputam o seu amor, embora a amizade entre os dois seja ainda mais forte do que o desejo que nutrem pela musa.

Direção sensível de Roberto Bomtempo, abordagem de suprema delicadeza, apesar do baixo orçamento; já valeria só pela extraordinária interpretação de Lima Duarte.

Eu sempre conquistei todos os homens que quis porque sei cozinhar e dançar.
Texto de Dóris.

=)

18/04/08 - 10:06 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Faby
Virada Cine-Gastronômica

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Dica bacana pra quem é de São Paulo ...
Trata-se da Virada Cine-Gastronômica, que vai acontecer simultaneamente com a Virada Cultural de São Paulo, das 24:00 de 26 de abril, um sábado, até as 08:00 de 27 de abril, um domingo.
O evento vai reunir cinema e comida, uma dupla que a gente já sabe que combina que é uma beleza, e vai funcionar assim...

Com a compra de um ingresso (R$12,00 inteira, R$6,00 meia) as pessoas assistirão a três sessões de cinema, dentre uma seleção de seis filmes relacionados à gastronomia. Entre uma sessão e outra haverá degustações com pratos inspirados na seleção de filmes do evento.

A programação (sujeita a alterações)...

INÍCIO TÉRMINO ATRAÇÃO
HALL 23:00 24:00 Degustação 1 (Welcome)
SALA 1 24:00 02:00 Os Brutos Também Comem Espaguete
SALA 2 24:00 02:00 O Jantar
SALA 3 24:00 02:00 Mais Estranho que a Ficção
SALA 4 24:00 02:00 Comer, Beber, Viver
HALL 02:00 02:40 Degustação 2
SALA 1 02:40 04:40 Chocolate
SALA 2 02:40 04:40 Depois Daquele Baile
SALA 3 02:40 04:40 Os Brutos Também Comem Espaguete
SALA 4 02:40 04:40 O Jantar
HALL 04:40 05:20 Degustação 3
SALA 1 05:20 07:20 Mais Estranho que a Ficção
SALA 2 05:20 07:20 Comer, Beber, Viver
SALA 3 05:20 07:20 Chocolate
SALA 4 05:20 07:20 Depois Daquele Baile
HALL 07:20 08:00 Degustação 4 (Café da Manhã)

MENU DEGUSTAÇÃO

Degustação 1:
Salada de Fusilli
Petisco de macarrão frito polvilhado com açúcar e canela

Degustação 2:
Spaghetti e Penne integralli
Molho ao pomodoro com basilico
Molho branco

Degustação 3:
Pudim e flans Sol
Bolos da linha chocolatíssimo (laranja, milho verde, coco, baunilha e festa)

Degustação 4:
Mini sanduíches com frios
Pães
Bolos

A iniciativa é da Petybon e do HSBC, com promoção da Storytellers.

VIRADA CINE-GASTRONÔMICA
Quando: das 23h de 26/04 (sábado) às 08h de 27/04 (domingo)
Onde: HSBC Belas Artes – Rua da Consolação, 2423, São Paulo
Quanto: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia entrada)
Mais informações: (11) 3258-4092

***
Eu já vi todos os filmes da virada e gosto especialmente de Tampopo; Comer, beber, Viver e Chocolate (só não entendi o Mais Estranho que a Ficção estar na lista - será que eu perdi alguma coisa no filme? hohoho).

09/04/08 - 13:08 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Faby
Love me tender

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Fit for a King - The Elvis Presley Cookbook, de Elizabeth McKeon 1992.
240 páginas, capa dura, em perfeito estado de conservação (com um charmoso amarelado do tempo) e com mais de 300 receitas do menu de Graceland, os pratos favoritos e as receitas de família de Elvis.
25 pilas no Sebo do Messias (meu sebo preferido que agora virou o paraíso dos nerds alérgicos como eu e vende pela internet! oremos!)

Se eu sou fã do Elvis? Imagiiiiina! Eu só sou....fanática? =)



nota mental: sebo do messias online vai ser o começo do meu fim - falência completa e absoluta em breve.

19/03/08 - 13:36 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Faby
Degustando a sétima arte

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(foto/blogueiros: Cris Paz)

Consta que um grupo de blogueiros de comer foi visto ontem a noite em um cinema nas imediações da Av. Paulista, onde se reuniram para degustar em primeira mão a produção italo-brasileira Estômago, do diretor Marcos Jorge, que estréia nos cinemas em 11 de abril.

O filme - um drama "costurado" pela comida mas que tem também seus momentos hilários - conta a trajetória do nordestino Raimundo Nonato e seu talento culinário, exposto no filme em três momentos diferetes - em um boteco, um restaurante fino e uma cadeia.

A história original e os atores talentosíssimos - a imperdível atuação de João Miguel no papel do cozinheiro pra lá de tonto (ou nem tanto assim) e Fabiula Nascimento, excelente no papel de uma prostituta apaixonada por comida - já fariam valer a ida ao cinema (e olha que me tirar de casa pra ir ao cinema não é uma tarefa das mais fáceis, hohoho - não por falta de amor à sétima arte, que fique claro, mas por pura falta de paciência mesmo). Mas o filme tem também muitos outros atrativos, como o engraçadíssimo núcleo presidiário da trama - é muito curioso ver o poder da comida tão bem retratado alí, em um ambiente a princípio estranho à gastronomia e seu universo de sabores - dá para imaginar por exemplo carcereiros e presos traficando... gorgonzola? ;)

Enfim, Estômago é sim um excelente "filme de comer". O menu pode até ser indigesto às vezes, mas nas mãos de Raimundo Nonato e em sua saga culinária é possível ver a todos nós, amantes da boa comida.

***

A especulação dá conta de que os referidos blogueiros foram convidados a juntar suas panelas às de Raimundo Nonato, por isso é bom preparar os estômagos porque muita comida há de sair dessas panelas =)

* Na foto: Chris Campos, Dadivosa, Tatu, Alessander Guerra, Leandro, Faby, Renata Gallo, Fran Jubran e Miki.

13/03/08 - 15:06 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Faby
Sem Reservas

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(em dia de faxina pré-formatação de micro, desencavei esse post, escrito há muito e perdido entre os 7654 arquivos do laptop)

Assisti Sem Reservas (No Reservations, EUA, 2007), filminho água com açucar que traz a lindíssima Catherine Zeta-Jones no papel de uma chef sisudona, perfeccionista e chata pra cacete (não, nem todo chef é assim, vai). O filme é uma refilmagem de Simplesmente Martha (Bella Martha, Alemanha, 2001), que eu não assistí e, por isso, nem cheguei a entrar numas de comparar uma filmagem com a outra - o que é bom, porque refilmagem é uma coisa que a gente sempre assiste já com um pé atrás, né?

Sem Reservas é um draminha romântico leve, com cenas deliciosas cheias de comidas idem e, claro, com final feliz, que é o que a gente quer, não é mesmo? A história gira em torno da chef Kate (Zeta-Jones) que se vê numa situação complicada quando seu mundo todo certinho (e chato e sem graça) é tomado de assalto pela entrada de uma criança e pela chegada do novo chef assistente, Nick (Aaron Eckhart - um cara que eu ainda não decidi se é bonito ou feio, mas que é charmoso pacas) que é aquele tipo de pessoa irritantemente feliz, sabe como é? Então. Uma criança e um chef "italianado" e extrovertido era tudo que Kate não precisava e não queria em sua vida mas... é aí que a coisa fica boa, se é que vocês me entendem (comédia-draminha-romântico, 'tão lembrados?).
As sessões de terapia de Kate e a complicada construção da relação com a sobrinha adolescente (a excelente menininha de Pequena Miss Sunshine, cujo nome eu estou com preguiça de procurar agora, hohoho) também são bons momentos do filme.

Não é um filme que vai mudar a tua vida mas com certeza vai cair bem naquela tarde chuvosa ou naquela noite que você quiser dar folga para o céLebro e seu plano for apenas um momento relax na companhia de um balde de pipocas ou de um Cup Noodles (não me apedrejem!) da vida.

Fora isso, fica a pergunta: porque será que o tempo só faz bem para a Zeta-Jones ou, que formol é esse que ela bebe? Sim, porque no filme a gente vê que a bicha envelheceu (tem até momento ruguinha aparecendo), mas fica claro como tem pessoas que conseguem fazer isso muito bem e ela, com certeza, é uma dessas. Ô mulher bonita, Deus é mais!

09/12/07 - 15:24 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Faby
Porque eu amo o Natal - Parte I



Porque pode ser que uma rainha te tire no amigo secreto e te dê o livro que você mais queria no momento :)
Foi o que aconteceu comigo - eu fui a amiga secreta da Clau esse ano na brincadeira das meninas da Confraria e, como ela me ama por demais, me deu dois presentes: um vinho San Tomé SUAVE (porque ela é muito piadista) e o livro Jamie at Home - Cook Your Way to the Good Life do Jamie Oliver (porque ela é muito, muito camarada).

Que a Clau é uma amiga fofíssima e pra lá de querida, isso nem preciso comentar aqui porque meu amor por ela já é declarado, escancarado. Já sobre o livro eu PRECISO falar!
Gente, na boua? Nunca vi um livro de receitas tão lindo na vida e olha que 1) eu sou uma devoradora de livros de receitas e 2)a oferta de livros de receita fantásticos nas prateleiras das livrarias está cada dia maior e os livros, outrora ingênuos, ganham cada dia mais ares de livros de arte, tão lindos eles tem se tornado. Ainda assim, repito: esse é o livro de receita mais lindo que já vi. Começa pela capa dura, passa pela diagramação perfeita, pelas fotos (essas um capítulo à parte), pelo conteúdo em si - receitas bacanudas, dicas de plantio, de preparo, truques, histórias - pelo papel, enfim... é sem dúvida um livro pra você, que é fã de cozinha, ter na prateleira.
A despeito do que a crítica diz sobre a qualidade gastronômica das criações do chef inglês e também da sua "eletricidade" à frente dos seus programas de TV (coisa que eu já disse aqui que meio que me apavora e me dá uma certa "gastura"), eu ainda acho as receitas do Jamie Oliver perfeitas para aquilo a que elas se propõem - comida rápida, sem complicações, sem frescuras e, muitas vezes, meio rústicas - ou seja, exatamente o tipo de comida que eu gosto.



O livro, lançado apenas em inglês ainda, também é cria de um programa de TV do Jamie (que eu também adoro), o Em Casa com Jamie Oliver, transmitido no Brasil pelo canal GNT. Com ele, completo minha coleção de livros do chef e sigo firme e forte como sua fã declarada. E nessa condição, de fã, já estou de olho em algumas receitas desse livro que logo, logo vão pintar na minha cozinha. Uma delas inclusive será peparada num jantar para a Clau, afinal uma pessoa não te dá um livro de receitas escândalo desses sem segundas intenções, né? Pelo menos, não a Clau =)

Hohoho.

23/11/07 - 10:41 |

Seção: Arte na cozinha
Postado por: Faby
Lançamento em São Paulo

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Vai ser dia 27/11 às 19 horas na Haikai Livros e Cafés - Rua Armando Penteado, 44 - Praça Vilaboim - Higienópolis.
A Gisele Montenegro, nossa leitora e cunhada da autora, conta que o livro está cheinho de receitas deliciosas, recheadas com histórias envolventes - tudo que a gente gosta. Ó que lindo?

 

 
 
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