Volta logo, Palmirinha!

(foto: divulgação)
Palmirinha garante: "Não vou me aposentar"
Apresentadora deixa o TV Culinária, da Gazeta, depois de 11 anos no ar.
Famosa por se dirigir às donas de casa que a assistem como "amiguinhas", a culinarista Palmirinha Onofre encerra na sexta-feira (27) uma trajetória de 11 anos no programa "TV Culinária", da Gazeta. O motivo da demissão voluntária é a vontade de descansar. Ultimamente, por conta das trapalhadas em lidar com os utensílios de cozinha, Palmirinha se tornou a vedete do quadro "Top Five", do "CQC", que reúne gafes exibidas nos programas de televisão. Mas, ela faz questão de enfatizar que não irá se aposentar. "Tenho ainda muito o que fazer", revela Palmirinha, que acaba de completar 80 anos.
Como sobremesa dos muitos anos que ensinou a fazer na TV desde pratos triviais a opções mais elaboradas, a cozinheira reservou a receita de uma singela torta de maçã para a última gravação, marcada para amanhã (25) à tarde, que irá ao ar na sexta-feira. Mas, a ocasião não pediria de algo mais requintado? Palmirinha diz que não. Prefere agradar o paladar de suas amiguinhas com coisas simples. "Elas adoram tortas e resolvi deixar essa de lembrança." Pedimos para ela passar a receita, mas ela quis guardar a surpresa. "Assim, fica mais gostoso."
DIÁRIO_ Depois de 11 anos à frente do "TV Culinária", o que te fez tomar a decisão de deixar o programa?
PALMIRINHA ONOFRE_ Algumas coisas aconteceram que me deixaram magoada. Mesmo assim, sou muito grata à TV Gazeta. Mas coloca aí que eu não estou me aposentando. Isso é uma questão de honra para mim. Ainda tenho muitas coisas para fazer.
Durante muitos anos seu programa foi ao vivo, mas o último será gravado dois dias antes. Por quê?
Eu não sei. Gostaria de estar ao vivo, mas eles acham que eu vou me emocionar muito e decidiram gravar. É claro que eu vou me emocionar, são 11 anos junto com as minhas amiguinhas. Fiquei muito triste por causa disso.
O que a senhora vai fazer?
Não vou me aposentar, vou descansar um pouquinho e depois ver o que faço. Adoro meu trabalho, mas gostaria de ter mais tempo para a minha família. Já recebi algumas propostas. Vou lançar também um livro sobre a minha vida.
Trabalhar no "Mais Você", da Globo, com Ana Maria Braga, é uma dessas propostas que a senhora diz que recebeu?
Não sei. Tem um comentário que está rodando por aí sobre isso, mas até agora não recebi nenhum contato da Globo. Gostaria muito de trabalhar com a Ana Maria.
Essas coisas que te fizeram sair da emissora têm a ver com algumas reclamações como não terem trocado o cenário do programa nos últimos seis anos e a falta de ajuda para preparar as receitas?
Não gostaria de magoar a TV Gazeta. Já trabalhei em outras empresas, como a Record, e sempre saí com as portas abertas, não gostaria que fosse diferente dessa vez. Se eu tenho esse apartamento onde moro é porque eu dei muito à emissora e ela também me deu muitas coisas. Foi uma troca.
Qual é o balanço que a senhora faz desses 11 anos no ar pela Gazeta?
Aconteceram mais coisas boas do que ruins. Fiz o possível para agradar a todos e eu acho que agradei.
Como tem sido a reação de suas fãs diante do anúncio de sua saída?
Elas têm deixado muitos recados na minha secretária eletrônica e dizem que o programa não será mais o mesmo.
A senhora escolheu preparar uma receita de uma torta de maçã no último programa. Esse prato tem algo de especial?
Escolhi essa receita porque as minhas amiguinhas gostam muito de aprender a fazer bolos e tortas. É para elas guardarem como lembrança. Esta receita também precisava ser muito rápida de fazer. Teremos menos tempo no ar por causa do horário eleitoral.
Está triste em deixar o programa?
Fico triste de deixar pessoas que eu gosto e as minhas amiguinhas que me acompanham por tanto tempo. Mas daqui a pouco elas poderão me ver na televisão de novo.
Fonte: Diário de São Paulo
***
Eu fiquei triste com a notícia :(

(foto: divulgação)
Palmirinha garante: "Não vou me aposentar"
Apresentadora deixa o TV Culinária, da Gazeta, depois de 11 anos no ar.
Famosa por se dirigir às donas de casa que a assistem como "amiguinhas", a culinarista Palmirinha Onofre encerra na sexta-feira (27) uma trajetória de 11 anos no programa "TV Culinária", da Gazeta. O motivo da demissão voluntária é a vontade de descansar. Ultimamente, por conta das trapalhadas em lidar com os utensílios de cozinha, Palmirinha se tornou a vedete do quadro "Top Five", do "CQC", que reúne gafes exibidas nos programas de televisão. Mas, ela faz questão de enfatizar que não irá se aposentar. "Tenho ainda muito o que fazer", revela Palmirinha, que acaba de completar 80 anos.
Como sobremesa dos muitos anos que ensinou a fazer na TV desde pratos triviais a opções mais elaboradas, a cozinheira reservou a receita de uma singela torta de maçã para a última gravação, marcada para amanhã (25) à tarde, que irá ao ar na sexta-feira. Mas, a ocasião não pediria de algo mais requintado? Palmirinha diz que não. Prefere agradar o paladar de suas amiguinhas com coisas simples. "Elas adoram tortas e resolvi deixar essa de lembrança." Pedimos para ela passar a receita, mas ela quis guardar a surpresa. "Assim, fica mais gostoso."
DIÁRIO_ Depois de 11 anos à frente do "TV Culinária", o que te fez tomar a decisão de deixar o programa?
PALMIRINHA ONOFRE_ Algumas coisas aconteceram que me deixaram magoada. Mesmo assim, sou muito grata à TV Gazeta. Mas coloca aí que eu não estou me aposentando. Isso é uma questão de honra para mim. Ainda tenho muitas coisas para fazer.
Durante muitos anos seu programa foi ao vivo, mas o último será gravado dois dias antes. Por quê?
Eu não sei. Gostaria de estar ao vivo, mas eles acham que eu vou me emocionar muito e decidiram gravar. É claro que eu vou me emocionar, são 11 anos junto com as minhas amiguinhas. Fiquei muito triste por causa disso.
O que a senhora vai fazer?
Não vou me aposentar, vou descansar um pouquinho e depois ver o que faço. Adoro meu trabalho, mas gostaria de ter mais tempo para a minha família. Já recebi algumas propostas. Vou lançar também um livro sobre a minha vida.
Trabalhar no "Mais Você", da Globo, com Ana Maria Braga, é uma dessas propostas que a senhora diz que recebeu?
Não sei. Tem um comentário que está rodando por aí sobre isso, mas até agora não recebi nenhum contato da Globo. Gostaria muito de trabalhar com a Ana Maria.
Essas coisas que te fizeram sair da emissora têm a ver com algumas reclamações como não terem trocado o cenário do programa nos últimos seis anos e a falta de ajuda para preparar as receitas?
Não gostaria de magoar a TV Gazeta. Já trabalhei em outras empresas, como a Record, e sempre saí com as portas abertas, não gostaria que fosse diferente dessa vez. Se eu tenho esse apartamento onde moro é porque eu dei muito à emissora e ela também me deu muitas coisas. Foi uma troca.
Qual é o balanço que a senhora faz desses 11 anos no ar pela Gazeta?
Aconteceram mais coisas boas do que ruins. Fiz o possível para agradar a todos e eu acho que agradei.
Como tem sido a reação de suas fãs diante do anúncio de sua saída?
Elas têm deixado muitos recados na minha secretária eletrônica e dizem que o programa não será mais o mesmo.
A senhora escolheu preparar uma receita de uma torta de maçã no último programa. Esse prato tem algo de especial?
Escolhi essa receita porque as minhas amiguinhas gostam muito de aprender a fazer bolos e tortas. É para elas guardarem como lembrança. Esta receita também precisava ser muito rápida de fazer. Teremos menos tempo no ar por causa do horário eleitoral.
Está triste em deixar o programa?
Fico triste de deixar pessoas que eu gosto e as minhas amiguinhas que me acompanham por tanto tempo. Mas daqui a pouco elas poderão me ver na televisão de novo.
Fonte: Diário de São Paulo
***
Eu fiquei triste com a notícia :(
E agora, sô?

(foto: Beth Porto)
Minas proíbe uso de panelas de cobre
Luciane Evans - Estado de Minas
O verde vivo do figo em calda, a liga cremosa do doce de leite, a goiabada na consistência perfeita e a rapa de tudo isso no fundo de um tacho de cobre correm o risco de se tornar meras lembranças em Minas Gerais, para desespero dos amantes dos famosos quitutes mineiros. A Vigilância Sanitária Estadual, com base em resolução de 2007 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proibiu o uso de utensílios de cobre na produção alimentícia, sob argumento de que a absorção excessiva do metal provoca desordens neurológicas e psiquiátricas, danos ao fígado, rins, nervos e ossos, além da perda de glóbulos vermelhos. A decisão que pode significar o fim dos doces feitos no popular tacho representa tristeza para doceiras e admiradores da culinária tradicional.
Pelas muitas Minas Gerais, são diversas as panelas que mesclam heranças gastronômicas e culturais de brancos, negros, índios, mulatos e caboclos. Mas o tacho de cobre é unanimida em cada canto do estado. Por isso, a proibição já causa mal estar entre cozinheiros e apaixonados pela boa mesa. Nas próximas semanas, a Secretaria de Estado de Saúde promete orientar as donas de casa sobre a recomendação da Anvisa, por meio de cartilhas.
Mas, antes mesmo do aviso oficial, a amarga notícia já chegou às cozinhas das doceiras. Elas juram que o tacho, além de bom companheiro para as prosas na cozinha, não faz mal a ninguém, principalmente quando bem higienizado. “Meu avô morreu com quase 90 anos e nunca deixou de fazer iguarias nesse utensílio”, comenta Maria Ecília de Jesus, de 55. Doceira em Santa Luzia, na Região Metropolitana de BH, ela conta com orgulho que sempre sonhou em ter sua própria panela. “Pedia emprestado. Mas, há um ano, decidi ir ao Mercado Central de BH e comprar um tacho só para mim. É bom demais. O gosto dos quitutes fica melhor”, garante.
Revoltada com a proibição, Nelsa Trombino, dona do restaurante mineiro Xapuri, na Região da Pampulha, não mede críticas. “Estão querendo acabar com a tradição de Minas. Isso é uma cultura nossa”, reclama, contando que há mais de 50 anos usa o tacho na cozinha. “Mantemos sempre a limpeza dele. Isso é um absurdo. Sou a primeira a fazer guerra contra essa proibição.”
Segundo a coordenadora de Registro e Cadastro de Alimentos da Saúde estadual, Joana Dalva de Miranda, a normatização da Anvisa tem sido aplicada sobretudo às empresas. “Já conseguimos retirar os tachos de cobre das indústrias, provando para eles que o que deixa a cor mais verde do doce de figo, por exemplo, não é o tacho de cobre, mas o tratamento do fruto. A lei vale para todos. Já orientamos as vigilâncias sanitárias dos municípios mineiros no sentido de barrar qualquer expositor de uma feira que tenha produzido doces no tacho”, diz, reconhecendo que é impossível fiscalizar as residências. “Por isso, nas próximas semanas vamos tentar orientar as donas de casa sobre essa recomendação, que vale não só para tachos, mas colheres, revestimentos e outros utensílios.”
Amante da gastronomia mineira e apaixonada pelas panelas de Minas, a francesa Elisabeth Bufet esteve ontem no Mercado Central, no Centro de BH, pela primeira vez. Levada pela amiga, a guia turística Ana Maria Ferreira, Elizabeth não acreditou que o tacho está proibido em Minas. “Na França, os grandes chefes de cozinha usam os caldeirões de cobre para cozinhar. Lá também é tradição Eu mesma faço doces nele”, conta. Ana Maria Ferreira também considera a decisão uma afronta às tradições.
A polêmica se espalhou pelos corredores do Mercado Central, onde há dezenas de lojas que vendem o utensílio. “É a peça mais procurada. A gente fica triste nem é pela venda, mas pelo fim da tradição”, comentou Antonieta Carvalho, dona de três lojas que vendem material de cozinha e adornos no mercado.
Descrença
Gema Galgani Braga, de 76 anos, de Santa Luzia, faz doces há mais de 60 anos. Quando começou, sua mãe, Joana Batista Silvestre, e sua irmã Piedade Margarida, de 88, conhecida como Quetita, já usavam o vasilhame de cobre. “Não sei usar outro tipo de tacho. E também não sei de uma única pessoa que tenha comido dos meus doces e tenha tido uma dor de barriga”, brinca.
A decisão da Vigilância Sanitária a deixou indignada. “O que as autoridades têm que fazer é ensinar a usar direito o tacho, a limpá-lo bem para não deixar dar o azinhavre (substância esverdeada, resultado da oxidação do metal), que é perigoso e venenoso. É preciso arear todos os dias e enxugar com pano seco, no calor do fogo. Tacho é tradição nas cozinhas e ela não pode ser quebrada”, decreta a doceira, famosa pelas balas delícias, canudinhos de doce de leite, doces de frutas, cocadas, entre outros. “Se proibirem os tachos, o que será de nós, doceiras? Virar o tacho de cabeça para baixo e ficar na porta de casa sem ter o que fazer?”, pergunta.
Fonte: Estado de Minas
***
Primeiro a flor de sal, depois a semente de papoula e agora a panela de cobre... dá-lhe Anvisa!
Tsc, tsc, tsc... 2012 está mesmo aí.
Angela Maria, obrigada pelo link! :)

(foto: Beth Porto)
Minas proíbe uso de panelas de cobre
Luciane Evans - Estado de Minas
O verde vivo do figo em calda, a liga cremosa do doce de leite, a goiabada na consistência perfeita e a rapa de tudo isso no fundo de um tacho de cobre correm o risco de se tornar meras lembranças em Minas Gerais, para desespero dos amantes dos famosos quitutes mineiros. A Vigilância Sanitária Estadual, com base em resolução de 2007 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proibiu o uso de utensílios de cobre na produção alimentícia, sob argumento de que a absorção excessiva do metal provoca desordens neurológicas e psiquiátricas, danos ao fígado, rins, nervos e ossos, além da perda de glóbulos vermelhos. A decisão que pode significar o fim dos doces feitos no popular tacho representa tristeza para doceiras e admiradores da culinária tradicional.
Pelas muitas Minas Gerais, são diversas as panelas que mesclam heranças gastronômicas e culturais de brancos, negros, índios, mulatos e caboclos. Mas o tacho de cobre é unanimida em cada canto do estado. Por isso, a proibição já causa mal estar entre cozinheiros e apaixonados pela boa mesa. Nas próximas semanas, a Secretaria de Estado de Saúde promete orientar as donas de casa sobre a recomendação da Anvisa, por meio de cartilhas.
Mas, antes mesmo do aviso oficial, a amarga notícia já chegou às cozinhas das doceiras. Elas juram que o tacho, além de bom companheiro para as prosas na cozinha, não faz mal a ninguém, principalmente quando bem higienizado. “Meu avô morreu com quase 90 anos e nunca deixou de fazer iguarias nesse utensílio”, comenta Maria Ecília de Jesus, de 55. Doceira em Santa Luzia, na Região Metropolitana de BH, ela conta com orgulho que sempre sonhou em ter sua própria panela. “Pedia emprestado. Mas, há um ano, decidi ir ao Mercado Central de BH e comprar um tacho só para mim. É bom demais. O gosto dos quitutes fica melhor”, garante.
Revoltada com a proibição, Nelsa Trombino, dona do restaurante mineiro Xapuri, na Região da Pampulha, não mede críticas. “Estão querendo acabar com a tradição de Minas. Isso é uma cultura nossa”, reclama, contando que há mais de 50 anos usa o tacho na cozinha. “Mantemos sempre a limpeza dele. Isso é um absurdo. Sou a primeira a fazer guerra contra essa proibição.”
Segundo a coordenadora de Registro e Cadastro de Alimentos da Saúde estadual, Joana Dalva de Miranda, a normatização da Anvisa tem sido aplicada sobretudo às empresas. “Já conseguimos retirar os tachos de cobre das indústrias, provando para eles que o que deixa a cor mais verde do doce de figo, por exemplo, não é o tacho de cobre, mas o tratamento do fruto. A lei vale para todos. Já orientamos as vigilâncias sanitárias dos municípios mineiros no sentido de barrar qualquer expositor de uma feira que tenha produzido doces no tacho”, diz, reconhecendo que é impossível fiscalizar as residências. “Por isso, nas próximas semanas vamos tentar orientar as donas de casa sobre essa recomendação, que vale não só para tachos, mas colheres, revestimentos e outros utensílios.”
Amante da gastronomia mineira e apaixonada pelas panelas de Minas, a francesa Elisabeth Bufet esteve ontem no Mercado Central, no Centro de BH, pela primeira vez. Levada pela amiga, a guia turística Ana Maria Ferreira, Elizabeth não acreditou que o tacho está proibido em Minas. “Na França, os grandes chefes de cozinha usam os caldeirões de cobre para cozinhar. Lá também é tradição Eu mesma faço doces nele”, conta. Ana Maria Ferreira também considera a decisão uma afronta às tradições.
A polêmica se espalhou pelos corredores do Mercado Central, onde há dezenas de lojas que vendem o utensílio. “É a peça mais procurada. A gente fica triste nem é pela venda, mas pelo fim da tradição”, comentou Antonieta Carvalho, dona de três lojas que vendem material de cozinha e adornos no mercado.
Descrença
Gema Galgani Braga, de 76 anos, de Santa Luzia, faz doces há mais de 60 anos. Quando começou, sua mãe, Joana Batista Silvestre, e sua irmã Piedade Margarida, de 88, conhecida como Quetita, já usavam o vasilhame de cobre. “Não sei usar outro tipo de tacho. E também não sei de uma única pessoa que tenha comido dos meus doces e tenha tido uma dor de barriga”, brinca.
A decisão da Vigilância Sanitária a deixou indignada. “O que as autoridades têm que fazer é ensinar a usar direito o tacho, a limpá-lo bem para não deixar dar o azinhavre (substância esverdeada, resultado da oxidação do metal), que é perigoso e venenoso. É preciso arear todos os dias e enxugar com pano seco, no calor do fogo. Tacho é tradição nas cozinhas e ela não pode ser quebrada”, decreta a doceira, famosa pelas balas delícias, canudinhos de doce de leite, doces de frutas, cocadas, entre outros. “Se proibirem os tachos, o que será de nós, doceiras? Virar o tacho de cabeça para baixo e ficar na porta de casa sem ter o que fazer?”, pergunta.
Fonte: Estado de Minas
***
Primeiro a flor de sal, depois a semente de papoula e agora a panela de cobre... dá-lhe Anvisa!
Tsc, tsc, tsc... 2012 está mesmo aí.
Angela Maria, obrigada pelo link! :)
O comportamento do coco

A minha amiga Rachèl Chamusca é a única pessoa que eu conheço capaz de utilizar uma expressão (entre várias) como "o comportamento do coco".
Astuta, sagaz, lépida, fagueira, espirituosa, atenta e dona de um humor finíssimo, dos agraciados pelo dom da inteligência, Chèl é protagonista da primeira crônica que publiquei aqui, O caso do bigato no jiló, uma história que eu amo loucamente.
Mas voltando ao comportamento do coco, Rachèl é uma mulher que entra no clima, que compra a idéia. Quando eu propus o nosso sábado da beleza, ela começou a viajar imediatamente. Pegou o link da minha fase rosa retrô e chegou rosa também. Na verdade ela foi além para me agradar: veio de blusa de bolinha rosa e esmalte pimenta rosa, trouxe uma batinha para ficar em casa toda bordada com florezinhas cor-de-rosa, encheu a necessaire de esmaltes e todos os tons de rosa, do quase nude ao pink geral, e foi mais além... ela queria me trazer um mimo de comer feito por si, e detalhe: tinha que ser... rosa. =)
Fechou numa cocada de coco com goiaba. Mas precisava arranjar a cocada lindamente, e partiu para a lojinha de 1,99 em busca daquelas mini-compoteiras. Não achou o que queria. Fez biquinho, mas acabou encontrando algo apropriado também, com a ajuda de senhorinhas que estavam na loja e num segundo se mobilizaram todas no sentido de encontrar uma solução para aquela simpática e serelepe pessoa (isso também dá um post). Lembrou da pronta-entrega de malhas que vende rodelinhas de tecido para fazer fuxico, sorriu para si mesma ao visualizar um arremate para o frasco de cocada, e partiu para a luta.
O coco. Naturalmente seria um coco seco, de verdade, para combinar com a cocada sincera feita a partir do coco ralado em ralador por suas mãos. Do contrário nenhum esforço valeria a pena. E foi certa para a cozinha. Já munida de ralador, na função do coco, adentra a sua cozinha, Dona Candinha, sua fiel escudeira, que olhou assim de canto de olho para aquela cena de sofrimento de quem rala um coco e mandou na lata: " Mas Dona Rachèl, por que a senhora não bate este coco no liquidificador?" E Rachél indignada: " Oxente, Dona Candinha, como assim? Onde já se viu bater coco no liquidificador? Repare bem no comportamento de um coco ralado à mão! (e mirou, levando também os olhos de Dona Candinha, aquele espetáculo de monte de coco ralado à mão). Me poupe, viu Dona Candinha? Ora..."
(Eu não preciso dizer que tive uma crise nessa hora, né? Não só pela expressão maravilhosa, como no texto como um todo, na situação, e na cara de Dona Candinha, que eu visualizei toda! Sem falar que Rachèl falando é uma coisa hi-lá-ria! Da próxima vez eu faço um vídeo).

Bom, o fato é que Rachèl, além de toda a indumentária rosa já mencionada, ainda me chegou com esta compoteira com cocada rosa, arrematada com bolinha de tecido rosa floral e um buquê de mudas de hortaliças embrulhadas de rosa (a história do embrulho cor-de-rosa que a loja supostamente não tinha e ela não aceitou uma coisa dessas, dá outro post).
Não, meus queridos, a minha amiga não é over, mas espirituosa. O rosa foi o tema que ela escolheu para me fazer um afago engraçado.
Rachèl, eu amo você, de verdade. As gargalhadas que você me provoca fazem um bem enorme à minha saúde.
Ah! E a minha sobrancelha ficou linda!

A minha amiga Rachèl Chamusca é a única pessoa que eu conheço capaz de utilizar uma expressão (entre várias) como "o comportamento do coco".
Astuta, sagaz, lépida, fagueira, espirituosa, atenta e dona de um humor finíssimo, dos agraciados pelo dom da inteligência, Chèl é protagonista da primeira crônica que publiquei aqui, O caso do bigato no jiló, uma história que eu amo loucamente.
Mas voltando ao comportamento do coco, Rachèl é uma mulher que entra no clima, que compra a idéia. Quando eu propus o nosso sábado da beleza, ela começou a viajar imediatamente. Pegou o link da minha fase rosa retrô e chegou rosa também. Na verdade ela foi além para me agradar: veio de blusa de bolinha rosa e esmalte pimenta rosa, trouxe uma batinha para ficar em casa toda bordada com florezinhas cor-de-rosa, encheu a necessaire de esmaltes e todos os tons de rosa, do quase nude ao pink geral, e foi mais além... ela queria me trazer um mimo de comer feito por si, e detalhe: tinha que ser... rosa. =)
Fechou numa cocada de coco com goiaba. Mas precisava arranjar a cocada lindamente, e partiu para a lojinha de 1,99 em busca daquelas mini-compoteiras. Não achou o que queria. Fez biquinho, mas acabou encontrando algo apropriado também, com a ajuda de senhorinhas que estavam na loja e num segundo se mobilizaram todas no sentido de encontrar uma solução para aquela simpática e serelepe pessoa (isso também dá um post). Lembrou da pronta-entrega de malhas que vende rodelinhas de tecido para fazer fuxico, sorriu para si mesma ao visualizar um arremate para o frasco de cocada, e partiu para a luta.
O coco. Naturalmente seria um coco seco, de verdade, para combinar com a cocada sincera feita a partir do coco ralado em ralador por suas mãos. Do contrário nenhum esforço valeria a pena. E foi certa para a cozinha. Já munida de ralador, na função do coco, adentra a sua cozinha, Dona Candinha, sua fiel escudeira, que olhou assim de canto de olho para aquela cena de sofrimento de quem rala um coco e mandou na lata: " Mas Dona Rachèl, por que a senhora não bate este coco no liquidificador?" E Rachél indignada: " Oxente, Dona Candinha, como assim? Onde já se viu bater coco no liquidificador? Repare bem no comportamento de um coco ralado à mão! (e mirou, levando também os olhos de Dona Candinha, aquele espetáculo de monte de coco ralado à mão). Me poupe, viu Dona Candinha? Ora..."
(Eu não preciso dizer que tive uma crise nessa hora, né? Não só pela expressão maravilhosa, como no texto como um todo, na situação, e na cara de Dona Candinha, que eu visualizei toda! Sem falar que Rachèl falando é uma coisa hi-lá-ria! Da próxima vez eu faço um vídeo).

Bom, o fato é que Rachèl, além de toda a indumentária rosa já mencionada, ainda me chegou com esta compoteira com cocada rosa, arrematada com bolinha de tecido rosa floral e um buquê de mudas de hortaliças embrulhadas de rosa (a história do embrulho cor-de-rosa que a loja supostamente não tinha e ela não aceitou uma coisa dessas, dá outro post).
Não, meus queridos, a minha amiga não é over, mas espirituosa. O rosa foi o tema que ela escolheu para me fazer um afago engraçado.
Rachèl, eu amo você, de verdade. As gargalhadas que você me provoca fazem um bem enorme à minha saúde.
Ah! E a minha sobrancelha ficou linda!
"Ou se calça a luva ou se põe o anel"

(imagem: artehome.com.br)
Ou toalha de festa manchada de vinho ou com cheiro de naftalina
Ou o risole de camarão ou as artérias desobstruídas
Ou a sardela ou a recusa à musse francesa
Ou a birita ou a hidro de manhã cedinho
Ou café ou o sono
Ou a touca ou o fio de cabelo na comida
Ou a cólica ou o amargo do chá
Ou o cheiro de xixi no box ou a economia de água
Ou deixa esfriar ou queima a língua
Ou o carrinho de compras ou a coluna
Ou a fluorescente compacta saindo pela luminária ou a conta exorbitante
Ou espremer a fruta ou abrir a tampa
Ou o bezerro desmamado ou o leite xoxo de caixa
Ou a carne no prato ou a vaca no pasto (ídem para o peixe fora d'água)
Ou a tábua de madeira ou a de polietileno
Ou o tempo do coaradouro ou a hidroelétrica
Ou a delícia do quintal ou a segurança dos condomínios
Ou o banho de chuva ou o resfriado
Ou os cachos ou a chapinha
Ou o teatro ou a Xuxa
Ou o dinheiro ou a criatividade
Ou excessos ou temperança
Ou alhos ou bugalhos
Ou ar condicionado ou vento
Ou isca ou barata
Ou saco biodegradável ou natureza
Ou carinho ou planta seca
Ou consumir ou reciclar
Ou desperdiçar ou reinventar
Ou óleo no ralo ou sabão
Ou comprar fresco ou descongelar
Ou põe gelatina ou não é terrine
Ou põe flor ou não é festa
Ou usa Frontline ou pega carrapato
Ou farinha integral ou intestino preguiçoso
Ou segue a receita ou não
Ou copia ou inventa
Ou inova ou repete
Ou mastiga ou engole
Ou assovia ou chupa cana
Ou espera ou come cru
Ou esfrega bem ou não tem brilho
Ou faz à mão ou compra pronto
Ou come sal ou controla a hipertensão
Ou come açúcar ou controla o diabetes
Ou come pouco ou engorda
Ou se põe o anel ou se calça a luva*
* referência ao poema Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles

(imagem: artehome.com.br)
Ou toalha de festa manchada de vinho ou com cheiro de naftalina
Ou o risole de camarão ou as artérias desobstruídas
Ou a sardela ou a recusa à musse francesa
Ou a birita ou a hidro de manhã cedinho
Ou café ou o sono
Ou a touca ou o fio de cabelo na comida
Ou a cólica ou o amargo do chá
Ou o cheiro de xixi no box ou a economia de água
Ou deixa esfriar ou queima a língua
Ou o carrinho de compras ou a coluna
Ou a fluorescente compacta saindo pela luminária ou a conta exorbitante
Ou espremer a fruta ou abrir a tampa
Ou o bezerro desmamado ou o leite xoxo de caixa
Ou a carne no prato ou a vaca no pasto (ídem para o peixe fora d'água)
Ou a tábua de madeira ou a de polietileno
Ou o tempo do coaradouro ou a hidroelétrica
Ou a delícia do quintal ou a segurança dos condomínios
Ou o banho de chuva ou o resfriado
Ou os cachos ou a chapinha
Ou o teatro ou a Xuxa
Ou o dinheiro ou a criatividade
Ou excessos ou temperança
Ou alhos ou bugalhos
Ou ar condicionado ou vento
Ou isca ou barata
Ou saco biodegradável ou natureza
Ou carinho ou planta seca
Ou consumir ou reciclar
Ou desperdiçar ou reinventar
Ou óleo no ralo ou sabão
Ou comprar fresco ou descongelar
Ou põe gelatina ou não é terrine
Ou põe flor ou não é festa
Ou usa Frontline ou pega carrapato
Ou farinha integral ou intestino preguiçoso
Ou segue a receita ou não
Ou copia ou inventa
Ou inova ou repete
Ou mastiga ou engole
Ou assovia ou chupa cana
Ou espera ou come cru
Ou esfrega bem ou não tem brilho
Ou faz à mão ou compra pronto
Ou come sal ou controla a hipertensão
Ou come açúcar ou controla o diabetes
Ou come pouco ou engorda
Ou se põe o anel ou se calça a luva*
* referência ao poema Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles
Difícil é escolher

A cozinha brasileira e seus ingedientes, técnicas, tradições e perspectivas de futuro mostrada através de workshops e aulas ministradas por profissionais mundialmente renomados, além de uma série de almoços, jantares e degustações especiais. Uma grande troca de experiências e um grande tributo à gastronomia brasileira em um programa totalmente interativo, com oportunidades inéditas para o público gourmet.
Assim será o Paladar do Brasil, um evento realmente imperdível para quem "tem o pé na cozinha". Eu vou, mas diante de uma programação tão rica, está muito difícil escolher as três aulas que me permiti assistir (a $$$ anda curta, sabecumé) e a minha tentação em ver todas as aulas da Neide Rigo é grande demais. Já falei aqui né? Para mim, ninguém nesse país entende mais de ingredientes brasileiros do que ela. Sou fãzona da moça, isso é fato, mas tem ainda Roberta Sudbrack, Rodrigo Oliveira, Ana Luiza Trajano, Carla Pernambuco, Mara Salles...afff, só gente que eu admiro demais e com propostas de aulas super interessantes.... ai, ai... como decidir?
Dá um look em algumas das aulas disponíveis...
- DO CATETO À PACA - AS CAÇAS BRASILEIRAS, com Edinho Engel (Amado e Manacá) e Paulinho Martins
Os novos baianos estão de volta. Desta vez, brincam com as "novas" (vácuo) e a "velhas" (caçarola) técnicas de cocção para preparar animais selvagens brasileiros hoje criados em cativeiro com autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Como o número de cativeiros autorizados ainda é pequeno, a oferta deles é restrita e é mais fácil encontrar livros de receitas sobre caças europeias, como o perdiz, do que sobre essas espécies brasileiras.
R$ 65 Indicado para iniciantes
- PIMENTAS E OUTRAS CONEXÕES BRASIL-MÉXICO, com Lourdes Hernández-Fuentes e Cyro Abumussi
Em certos pratos da cozinha mexicana, os chiles (as pimentas mexicanas) não são "tempero", mas a própria base. Isso porque nem todos são usados por sua pungência, e sim por sua capacidade aromática, além do sabor. Frescos ou secos, são presença certa nos pratos da mexicana Lourdes Hernández-Fuentes, que nesta aula divide sua experiência no uso de chile e de pimentas com o conhecimento técnico do produtor Cyro Abumussi, da Fazenda Ituaú. E as conexões entre Brasil e México não param nas pimentas. Há paralelo também no uso de palma (especialmente no Nordeste brasileiro), chamada de cacto no México.
R$ 65 Indicado para todos os grupos
- A MATA ATLÂNTICA CABE NUM VIDRO (DE COMPOTA), com Flavio Federico (Sódoces) e Douglas Bello
Goiaba e pitanga talvez sejam as mais conhecidas representantes da Mata Atlântica. Mas você já ouviu falar de grumixama e jaracatiá? E tem ainda a uvaia, o cambuci e o araçá. Frutas cujo cultivo vem sendo resgatado em Paraibuna, no Sítio do Bello, serão a base de uma aula que une o produtor Douglas Bello e o chef-confeiteiro Flavio Federico. Algumas, já transformadas em polpa, para facilitar a conservação, Federico usará para fazer compotas. Outras serão base de sobremesas mais elaboradas, que exigem uso de técnica de confeitaria.
R$ 65 Indicado para todos os grupos
- COZINHA SEM VERGONHA: GALINHA DE CABO A RABO, com Mara Salles (Tordesilhas), Neide Rigo e Ana Soares (Mesa III)
(esse eu farei com certeza!quem já viu a prévia no post da Neide, sabe que isso vai ser imperdível)
No último ano, Mara Salles, Neide Rigo e Ana Soares "dissecaram" jilós, jurubebas, guarirobas e almeirões atrás do amargor. E nos ensinaram a gostar desse sabor difícil, renegado. Neste ano, o trio prepara uma nova investida. Desta vez, é a galinha - e toda a sua anatomia - o alvo. Cadê a passarinha, a oveira e o rabicó? Trocando em miúdos, cadê a galinha de corpo inteiro? Elas vão fazer das tripas o/ao coração.
R$ 65 Indicado para todos os grupos
- BRASPACHO, MOQUECA DE CARNE-SECA E OUTRAS INVENÇÕES, com Maurizio Remmert
A cada ano, o gourmet Maurizio Remmert faz alguma surpresa, usando sempre técnicas inventivas. Desta vez ele vai desconstruir o gazpacho espanhol, mantendo os legumes que acompanham a sopa fria, mas abrindo mão do tomate. E na versão de Remmert, o prato é servido com um sorbet de mostarda Dijon. Há também uma reinterpretação da moqueca que dispensa os peixes e os frutos do mar e encontra a carne-seca, fabricada pelo próprio gourmet com alcatra - a carne fica numa salmoura a vácuo e depois é desidratada a 68ºC
R$ 65 Indicado para gourmets
- MINAS, DA TRADIÇÃO À TÉCNICA, com Elza Nunes (Dona Lucinha) e Felipe Rameh de Paula (Benedita Bistrô)
De um lado, Elza, filha de Maria Lúcia Clementino Nunes, a Dona Lucinha, sintetiza a tradição mineira. Ali, estão pratos clássicos, em que não faltam o quitoco, a carne de porco e o ora-pro-nóbis. De outro, Felipe, mineiro de Muriaé, explora ingredientes locais, como o joão-branco (rapadura mole), a capiçoba, o brejaúba (um palmito perene) e o lambari e propõe novas harmonizações em receitas trabalhadas com técnicas apuradas.
R$ 65 Indicado para gourmets
- MOCOTÓ 2.0, com Rodrigo Oliveira (Mocotó)
O restaurante Mocotó está prestes a ganhar um laboratório: o Engenho Mocotó, uma cozinha superequipada onde serão testados e desenvolvidos pratos e técnicas. Nesta aula, Rodrigo Oliveira vai contar quais caminhos seguirá para aprimorar o preparo dos pratos, recorrendo a equipamentos como o Gastrovac, o Pacojet e Thermomix. Uma das receitas que já teve a técnica de preparo aprimorada foi a carne de sol. Outro alvo dos experimentos de Oliveira é a fava, que agora ele poderá cozinhar em baixa temperatura para obter perfeitas cápsulas de purê.
R$ 65 Indicado para todos os grupos
- BANHO DE CHEIRO - As ervas e as sementes aromáticas da Amazônia, com Thiago Castanho (Remanso do Peixe)
Em suas andanças pelo mercado paraense Ver-o-Peso, Thiago Castanho foi além das ervas e raízes mais conhecidas, como a chicória do pará, o jambu, a alfavaca, o esturaque e a priprioca. Descobriu os aromas vendidos na seção das "mandingas", em que produtos como o cumaru e a amburana são usados na formulação de loções ou para perfurmar gavetas e tabaco. Mas alguns foram parar na cozinha. Nesta aula, Castanho falará sobre esses produtos (pacovi, pacová, flor de vinagreira, puxuri, embiriba) e as possibilidades de uso na gastronomia, e também sobre os cuidados (alguns têm toxicidade).
R$ 65 Indicado para todos os grupos
E tem mais um bocado de coisa boa. Fala, não dá vontade de ver tudo e aprender esse mundo de coisas? Pfff... surtei com essa programação.
Para ver todas as aulas, acesse aqui.
***
Regina Helena, obrigada pela dica valiosa :)

A cozinha brasileira e seus ingedientes, técnicas, tradições e perspectivas de futuro mostrada através de workshops e aulas ministradas por profissionais mundialmente renomados, além de uma série de almoços, jantares e degustações especiais. Uma grande troca de experiências e um grande tributo à gastronomia brasileira em um programa totalmente interativo, com oportunidades inéditas para o público gourmet.
Assim será o Paladar do Brasil, um evento realmente imperdível para quem "tem o pé na cozinha". Eu vou, mas diante de uma programação tão rica, está muito difícil escolher as três aulas que me permiti assistir (a $$$ anda curta, sabecumé) e a minha tentação em ver todas as aulas da Neide Rigo é grande demais. Já falei aqui né? Para mim, ninguém nesse país entende mais de ingredientes brasileiros do que ela. Sou fãzona da moça, isso é fato, mas tem ainda Roberta Sudbrack, Rodrigo Oliveira, Ana Luiza Trajano, Carla Pernambuco, Mara Salles...afff, só gente que eu admiro demais e com propostas de aulas super interessantes.... ai, ai... como decidir?
Dá um look em algumas das aulas disponíveis...
- DO CATETO À PACA - AS CAÇAS BRASILEIRAS, com Edinho Engel (Amado e Manacá) e Paulinho Martins
Os novos baianos estão de volta. Desta vez, brincam com as "novas" (vácuo) e a "velhas" (caçarola) técnicas de cocção para preparar animais selvagens brasileiros hoje criados em cativeiro com autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Como o número de cativeiros autorizados ainda é pequeno, a oferta deles é restrita e é mais fácil encontrar livros de receitas sobre caças europeias, como o perdiz, do que sobre essas espécies brasileiras.
R$ 65 Indicado para iniciantes
- PIMENTAS E OUTRAS CONEXÕES BRASIL-MÉXICO, com Lourdes Hernández-Fuentes e Cyro Abumussi
Em certos pratos da cozinha mexicana, os chiles (as pimentas mexicanas) não são "tempero", mas a própria base. Isso porque nem todos são usados por sua pungência, e sim por sua capacidade aromática, além do sabor. Frescos ou secos, são presença certa nos pratos da mexicana Lourdes Hernández-Fuentes, que nesta aula divide sua experiência no uso de chile e de pimentas com o conhecimento técnico do produtor Cyro Abumussi, da Fazenda Ituaú. E as conexões entre Brasil e México não param nas pimentas. Há paralelo também no uso de palma (especialmente no Nordeste brasileiro), chamada de cacto no México.
R$ 65 Indicado para todos os grupos
- A MATA ATLÂNTICA CABE NUM VIDRO (DE COMPOTA), com Flavio Federico (Sódoces) e Douglas Bello
Goiaba e pitanga talvez sejam as mais conhecidas representantes da Mata Atlântica. Mas você já ouviu falar de grumixama e jaracatiá? E tem ainda a uvaia, o cambuci e o araçá. Frutas cujo cultivo vem sendo resgatado em Paraibuna, no Sítio do Bello, serão a base de uma aula que une o produtor Douglas Bello e o chef-confeiteiro Flavio Federico. Algumas, já transformadas em polpa, para facilitar a conservação, Federico usará para fazer compotas. Outras serão base de sobremesas mais elaboradas, que exigem uso de técnica de confeitaria.
R$ 65 Indicado para todos os grupos
- COZINHA SEM VERGONHA: GALINHA DE CABO A RABO, com Mara Salles (Tordesilhas), Neide Rigo e Ana Soares (Mesa III)
(esse eu farei com certeza!quem já viu a prévia no post da Neide, sabe que isso vai ser imperdível)
No último ano, Mara Salles, Neide Rigo e Ana Soares "dissecaram" jilós, jurubebas, guarirobas e almeirões atrás do amargor. E nos ensinaram a gostar desse sabor difícil, renegado. Neste ano, o trio prepara uma nova investida. Desta vez, é a galinha - e toda a sua anatomia - o alvo. Cadê a passarinha, a oveira e o rabicó? Trocando em miúdos, cadê a galinha de corpo inteiro? Elas vão fazer das tripas o/ao coração.
R$ 65 Indicado para todos os grupos
- BRASPACHO, MOQUECA DE CARNE-SECA E OUTRAS INVENÇÕES, com Maurizio Remmert
A cada ano, o gourmet Maurizio Remmert faz alguma surpresa, usando sempre técnicas inventivas. Desta vez ele vai desconstruir o gazpacho espanhol, mantendo os legumes que acompanham a sopa fria, mas abrindo mão do tomate. E na versão de Remmert, o prato é servido com um sorbet de mostarda Dijon. Há também uma reinterpretação da moqueca que dispensa os peixes e os frutos do mar e encontra a carne-seca, fabricada pelo próprio gourmet com alcatra - a carne fica numa salmoura a vácuo e depois é desidratada a 68ºC
R$ 65 Indicado para gourmets
- MINAS, DA TRADIÇÃO À TÉCNICA, com Elza Nunes (Dona Lucinha) e Felipe Rameh de Paula (Benedita Bistrô)
De um lado, Elza, filha de Maria Lúcia Clementino Nunes, a Dona Lucinha, sintetiza a tradição mineira. Ali, estão pratos clássicos, em que não faltam o quitoco, a carne de porco e o ora-pro-nóbis. De outro, Felipe, mineiro de Muriaé, explora ingredientes locais, como o joão-branco (rapadura mole), a capiçoba, o brejaúba (um palmito perene) e o lambari e propõe novas harmonizações em receitas trabalhadas com técnicas apuradas.
R$ 65 Indicado para gourmets
- MOCOTÓ 2.0, com Rodrigo Oliveira (Mocotó)
O restaurante Mocotó está prestes a ganhar um laboratório: o Engenho Mocotó, uma cozinha superequipada onde serão testados e desenvolvidos pratos e técnicas. Nesta aula, Rodrigo Oliveira vai contar quais caminhos seguirá para aprimorar o preparo dos pratos, recorrendo a equipamentos como o Gastrovac, o Pacojet e Thermomix. Uma das receitas que já teve a técnica de preparo aprimorada foi a carne de sol. Outro alvo dos experimentos de Oliveira é a fava, que agora ele poderá cozinhar em baixa temperatura para obter perfeitas cápsulas de purê.
R$ 65 Indicado para todos os grupos
- BANHO DE CHEIRO - As ervas e as sementes aromáticas da Amazônia, com Thiago Castanho (Remanso do Peixe)
Em suas andanças pelo mercado paraense Ver-o-Peso, Thiago Castanho foi além das ervas e raízes mais conhecidas, como a chicória do pará, o jambu, a alfavaca, o esturaque e a priprioca. Descobriu os aromas vendidos na seção das "mandingas", em que produtos como o cumaru e a amburana são usados na formulação de loções ou para perfurmar gavetas e tabaco. Mas alguns foram parar na cozinha. Nesta aula, Castanho falará sobre esses produtos (pacovi, pacová, flor de vinagreira, puxuri, embiriba) e as possibilidades de uso na gastronomia, e também sobre os cuidados (alguns têm toxicidade).
R$ 65 Indicado para todos os grupos
E tem mais um bocado de coisa boa. Fala, não dá vontade de ver tudo e aprender esse mundo de coisas? Pfff... surtei com essa programação.
Para ver todas as aulas, acesse aqui.
***
Regina Helena, obrigada pela dica valiosa :)
Receita para não engordar sem necessidade de ingerir arroz integral e chá de jasmim

(foto: GettyImages)
Pratique o amor integral
uma vez por dia
desde a aurora matinal
até a hora em que o mocho espia.
Não perca um minuto só
neste regime sensacional.
Pois a vida é um sonho e, se tudo é pó,
que seja pó de amor integral.
De Carlos Drummond de Andrade, enviado pela leitora Dani Falcão :)

(foto: GettyImages)
Pratique o amor integral
uma vez por dia
desde a aurora matinal
até a hora em que o mocho espia.
Não perca um minuto só
neste regime sensacional.
Pois a vida é um sonho e, se tudo é pó,
que seja pó de amor integral.
De Carlos Drummond de Andrade, enviado pela leitora Dani Falcão :)
O tempo passou e me formei em solidão

(foto: Creative)
Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre… Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro… casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia: – Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite… tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança… Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam…era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade…
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, t ambém ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos… até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail… Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!… – ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite…
Que saudade do compadre e da comadre!
* Texto de José Antônio Oliveira de Resende - (Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei/MG).
** Enviado pela leitora Juliana Gimenez

(foto: Creative)
Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre… Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro… casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia: – Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite… tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança… Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam…era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade…
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, t ambém ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos… até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail… Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!… – ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite…
Que saudade do compadre e da comadre!
* Texto de José Antônio Oliveira de Resende - (Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei/MG).
** Enviado pela leitora Juliana Gimenez
Jamie Oliver na Veja

(foto: Charlotte Wiig/Zuma Press)
A cozinha é para todos
O chef-celebridade inglês diz que, mais do que um traço de genialidade ou uma habilidade fora do comum, cozinhar bem requer esforço e paciência.
Com treze livros publicados e um programa de TV exibido em mais de quarenta países, nenhum chef de cozinha é tão conhecido no mundo inteiro quanto o inglês Jamie Oliver, 35 anos. Há quase duas décadas no ramo, ele começou a se interessar por culinária quando ajudava os pais no pub da família, em Clavering, o vilarejo onde passou a infância. O que o alçou à celebridade não foi exatamente a excelência técnica, marca registrada dos chefs estrelados, mas sua capacidade de ensinar a cozinhar de forma simples e realista. Ele diz: "Não é preciso ser um grande gênio para produzir pratos excepcionais". Sempre em viagem pelo mundo na busca por novos ingredientes, Oliver falou a VEJA de Londres, onde vive com a mulher e as três filhas.
O senhor defende em seus livros e na TV a ideia de que qualquer um pode se tornar um bom cozinheiro. Como, exatamente?
Há muitos mitos em torno da figura do cozinheiro. É como se fosse alguém de posse de um talento sobrenatural capaz de promover milagres ao fogão. Isso não apenas não corresponde à verdade como espanta muita gente da cozinha por não se achar à altura da função. Pois, mais do que um traço de genialidade ou uma habilidade fora do comum, cozinhar bem requer esforço e paciência em graus elevados. O segredo está na repetição. É preciso executar uma mesma receita dezenas de vezes, até ela funcionar, para depois começar a modificá-la aqui e ali. Cozinhar exige também completa ausência de frescura e alta dose de sangue-frio na hora de sujar as mãos e manusear toda sorte de ingrediente – coisa que nem todo mundo está disposto a encarar. São pré-requisitos que, definitivamente, não têm nada a ver com a imagem do glamour tão difundida por aí.
Os grandes chefs são obcecados pelas técnicas culinárias, mas o senhor parece não dar muita importância a elas...
Qualquer um que se pretenda bom cozinheiro precisa dominar um conjunto básico de técnicas, sim, mas elas não são de alta complexidade. Ao contrário. Para quem não ambiciona se tornar um profissional da área, as técnicas necessárias para produzir pratos excepcionais em casa são tão simples que um autodidata tomado de determinação e com tempo pode assimilá-las sem grandes traumas nem sobressaltos. Quem acha que culinária é só coisa de artista vai discordar de mim, mas impressiona como as mãos se acostumam às tarefas da cozinha, até elas se tornarem puramente mecânicas. A gastronomia pode ser uma atividade altamente penosa.
Em que sentido?
Os erros na cozinha são tão frequentes quanto frustrantes. Minha experiência mostra que a maioria dos novatos que acabam desistindo de cozinhar o faz justamente porque não resistiu às primeiras decepções diante de uma receita que desandou ou de um prato que, depois de horas a fio de trabalho árduo, saiu queimado do forno. A questão central é que qualquer um com um mínimo de determinação e inteligência pode seguir em frente. Não é exagero afirmar que em nenhum outro período da história foi tão fácil tornar-se um bom cozinheiro.
Por que cozinhar bem se tornou mais fácil?
Houve grandes avanços em duas frentes. Primeiro, os utensílios nunca foram tão funcionais. Isso poupa o tempo antes gasto com tarefas enfadonhas, como picar legumes – um trabalho hoje executado por processadores que são verdadeiras Ferraris da cozinha. Melhor ainda: eles proporcionam tais cortes com a mesma maestria de um bom cozinheiro. Também pesa em favor dos iniciantes a incrível variedade de ingredientes encontrados nos supermercados e feiras livres. Eles costumavam ser bem raros e caríssimos, restritos às rodas dos chefs profissionais. Na última década, porém, a globalização vem tratando de popularizar os azeites de alto padrão e os temperos exóticos. Eles têm um peso decisivo na excelência de um prato – talvez até maior que o da mão do próprio chef.
O senhor, afinal, não acredita em genialidade na cozinha?
Como em qualquer área, existe na gastronomia um grupo de profissionais capazes de romper com as velhas fórmulas e inovar de forma surpreendente. Estes criam técnicas e servem de inspiração para os colegas. Mas isso não quer dizer que sejam os melhores do ramo. Uma espuma produzida sob os pilares da tão celebrada cozinha molecular é sempre interessante, e ninguém discorda disso – mas não será necessariamente saborosa. E pagar caro por ela pode não valer a pena. Muitas vezes, não é num restaurante estrelado sob o comando de um chef de renome que se encontrará a melhor comida, mas sim num bistrô mais simples e despretensioso. E quem costuma sair para comer fora já entendeu isso. Nas grandes cidades do mundo, os habitués de restaurantes compõem um grupo bastante ciente daquilo que quer.
As pessoas se tornaram mais exigentes em relação à comida?
É um fato inquestionável. Há evidências de que o próprio paladar das pessoas está mais apurado do que no passado. Elas estão mais críticas. Essa evolução se dá, justamente, à medida que se popularizam os temperos e a culinária de diferentes países. O paladar vai sendo educado. Nas grandes metrópoles do mundo, a oferta de bons restaurantes também cresceu exponencialmente. E, num cenário de nível elevado, espera-se que as pessoas se tornem ainda mais criteriosas e exigentes. O dado bom é que elas podem escolher à vontade.
É mais difícil hoje prosperar no ramo da gastronomia?
Sem dúvida, a sobrevivência ficou mais dura para donos de restaurante como eu. Para se ter uma ideia, os mais chiques precisam concorrer hoje com aqueles bistrôs comandados por chefs estrelados, como os franceses Yves Camdeborde e Christian Constant. São profissionais que desceram um degrau na escala do luxo por uma mudança de comportamento que vem se acentuando nos últimos anos.
A que mudança o senhor se refere?
Sempre haverá espaço para o luxo e a alta gastronomia, especialmente quando se trata de boa comida – mas as pessoas estão mais ciosas e conservadoras na hora de gastar fortunas comendo fora. Esse é um consenso entre meus colegas. Evidentemente que a ida a um restaurante de alto padrão proporciona uma experiência que transcende a da própria comida, e isso tem seu preço. O ambiente é impecável. Há a liturgia dos vários pratos. O chef-celebridade passeia pelas mesas. Isso ninguém vai ter num bistrô. Só que hoje quem oferece comida mediana cobrando preço alto já está tendo mais dificuldade de sobreviver. Também está saindo de moda aquele grupo de restaurantes em que é preciso esperar dois meses para conseguir uma mesa, e, ao terminar o tão almejado jantar, você tem de passar numa pizzaria porque ainda está com fome. Ou até completar a refeição em casa mesmo, onde a comida é muitas vezes mais fresca.
O senhor está dizendo que a comida nos restaurantes não é fresca?
Não é segredo que mesmo bons restaurantes compram comida em grande quantidade, para ganhar na escala, e congelam. Cozinhando em casa, não só essa variável é mais controlável como também a do próprio preparo dos pratos, que pode se dar em bases mais saudáveis do que num restaurante. Em minha terra natal, a Inglaterra, até hoje as pessoas saem para comer fora o tradicional fish and chips (peixe frito com batata frita), boiando em gordura. É horrível. Felizmente, a gastronomia inglesa já evoluiu muito. Temos, no entanto, um atraso histórico – difícil de recuperar.
Qual é a razão para o atraso inglês na gastronomia?
Depois da II Guerra, os ingleses canalizaram todos os esforços para recuperar a economia e abandonaram a cozinha, que até aquele momento não estava entre as piores da Europa. Sem o hábito de cozinhar, a comida foi decaindo até se tornar péssima, tal qual a dos americanos. Quando ingressei no ramo, na década de 90, o cenário gastronômico da Inglaterra se restringia a alguns poucos – e caros – restaurantes e a muito peixe frito. Hoje, a comida voltou a ser um assunto que desperta não apenas o interesse como a ambição dos ingleses de fazer frente a outros países europeus. Causa comoção, por exemplo, o fato de chefs como Heston Blumenthal, do festejado The Fat Duck, serem reconhecidos mundialmente. Mas estamos ainda a anos-luz dos franceses, o que para um inglês típico não é exatamente algo agradável de constatar.
Nenhum país reúne tantos restaurantes com estrelas no Guia Michelin, a bíblia da gastronomia, quanto a França. O senhor concorda que a comida fran-cesa ainda é imbatível?
No quesito "culinária tradicional", aquela pre-parada ao longo dos séculos não apenas nos restaurantes mais badalados de Paris como também nos pequenos vilarejos do interior, os franceses são insuperáveis – assim como no rigor técnico. O problema é a inflexibilidade dos chefs de lá diante das novi-dades. O efeito disso se vê no prato. É a culinária, afinal, que perde.
Por que o senhor diz isso?
Fechados à influência de outras culturas, os chefs franceses acabam se privando daquilo que tem feito com que tantos países avancem na gastronomia: a mistura de técnicas e ingredientes de muitas origens e variedades. A cultura gastronômica se reinventa no ritmo da globalização. Cozinheiros de todos os continentes trocam experiências a toda hora e até on-line. O fluxo de ingredientes intensificou-se. Nesse cenário, os chefs mais conservadores são justamente os franceses. A culinária da Espanha é hoje tão forte quanto a da França e é também infinitamente mais inventiva justamente porque soube se beneficiar dessa abertura para o mundo.
Em seu novo programa, exibido na televisão americana, o senhor trava uma guerra contra o fast-food. É possível mudar os hábitos alimentares nos Estados Unidos?
Mexer com hábitos alimentares tão arraigados requer tempo, mas acho que é factível. Quando iniciei uma campanha por lanches mais saudáveis nas escolas inglesas, por exemplo, muita gente me tachou de louco, mas as crianças aos poucos começaram a trocar as frituras por opções mais saudáveis. Basta para isso que as trocas se deem em bases realistas. Não dá para esperar que as pessoas abandonem, de uma hora para outra, aquilo que gostam de comer – mas elas podem sempre tornar esses pratos um pouco mais saudáveis. Nessa linha e para desgosto dos mais xiitas, eu ensino receitas à base de produtos congelados e enlatados, sem preconceitos. Tão enfronhados na cultura gastronômica moderna, não dá simplesmente para bani-los da mesa. Nossos maiores inimigos são, na realidade, as redes de fast-food.
Mas até em seu novo livro, A América de Jamie Oliver (Editora Globo), o senhor ensina a preparar pratos calóricos típicos das redes de fast-food. Não é um contrassenso?
Minha guerra não é contra os alimentos calóricos, mas contra os produtos processados, cheios de gordura e desprovidos de qualquer nutriente – ou sabor. Um hambúrguer pode ser saudável e até pouco engordativo, se for preparado à base de carne magra de boa qualidade e servido ao lado de legumes grelhados e de uma salada de folhas, não de batata frita. O problema é que você não vai encontrar um hambúrguer assim no McDonald’s. E a maioria dos americanos só quer saber de comer nesse tipo de lugar. Por isso atingem índices tão elevados de obesidade desde a infância.
Alguns críticos já declararam que seus restaurantes são ruins. Como o senhor lida com eles?
Só tenho uma coisa a dizer aos críticos: meus restaurantes não têm estrelas no Guia Michelin, é verdade, mas estão sempre com fila na porta. Não é esse, afinal, o melhor indicador de que a comida agrada?
(fonte: Revista Veja Edição 2167 / 2 de junho de 2010)

(foto: Charlotte Wiig/Zuma Press)
A cozinha é para todos
O chef-celebridade inglês diz que, mais do que um traço de genialidade ou uma habilidade fora do comum, cozinhar bem requer esforço e paciência.
Com treze livros publicados e um programa de TV exibido em mais de quarenta países, nenhum chef de cozinha é tão conhecido no mundo inteiro quanto o inglês Jamie Oliver, 35 anos. Há quase duas décadas no ramo, ele começou a se interessar por culinária quando ajudava os pais no pub da família, em Clavering, o vilarejo onde passou a infância. O que o alçou à celebridade não foi exatamente a excelência técnica, marca registrada dos chefs estrelados, mas sua capacidade de ensinar a cozinhar de forma simples e realista. Ele diz: "Não é preciso ser um grande gênio para produzir pratos excepcionais". Sempre em viagem pelo mundo na busca por novos ingredientes, Oliver falou a VEJA de Londres, onde vive com a mulher e as três filhas.
O senhor defende em seus livros e na TV a ideia de que qualquer um pode se tornar um bom cozinheiro. Como, exatamente?
Há muitos mitos em torno da figura do cozinheiro. É como se fosse alguém de posse de um talento sobrenatural capaz de promover milagres ao fogão. Isso não apenas não corresponde à verdade como espanta muita gente da cozinha por não se achar à altura da função. Pois, mais do que um traço de genialidade ou uma habilidade fora do comum, cozinhar bem requer esforço e paciência em graus elevados. O segredo está na repetição. É preciso executar uma mesma receita dezenas de vezes, até ela funcionar, para depois começar a modificá-la aqui e ali. Cozinhar exige também completa ausência de frescura e alta dose de sangue-frio na hora de sujar as mãos e manusear toda sorte de ingrediente – coisa que nem todo mundo está disposto a encarar. São pré-requisitos que, definitivamente, não têm nada a ver com a imagem do glamour tão difundida por aí.
Os grandes chefs são obcecados pelas técnicas culinárias, mas o senhor parece não dar muita importância a elas...
Qualquer um que se pretenda bom cozinheiro precisa dominar um conjunto básico de técnicas, sim, mas elas não são de alta complexidade. Ao contrário. Para quem não ambiciona se tornar um profissional da área, as técnicas necessárias para produzir pratos excepcionais em casa são tão simples que um autodidata tomado de determinação e com tempo pode assimilá-las sem grandes traumas nem sobressaltos. Quem acha que culinária é só coisa de artista vai discordar de mim, mas impressiona como as mãos se acostumam às tarefas da cozinha, até elas se tornarem puramente mecânicas. A gastronomia pode ser uma atividade altamente penosa.
Em que sentido?
Os erros na cozinha são tão frequentes quanto frustrantes. Minha experiência mostra que a maioria dos novatos que acabam desistindo de cozinhar o faz justamente porque não resistiu às primeiras decepções diante de uma receita que desandou ou de um prato que, depois de horas a fio de trabalho árduo, saiu queimado do forno. A questão central é que qualquer um com um mínimo de determinação e inteligência pode seguir em frente. Não é exagero afirmar que em nenhum outro período da história foi tão fácil tornar-se um bom cozinheiro.
Por que cozinhar bem se tornou mais fácil?
Houve grandes avanços em duas frentes. Primeiro, os utensílios nunca foram tão funcionais. Isso poupa o tempo antes gasto com tarefas enfadonhas, como picar legumes – um trabalho hoje executado por processadores que são verdadeiras Ferraris da cozinha. Melhor ainda: eles proporcionam tais cortes com a mesma maestria de um bom cozinheiro. Também pesa em favor dos iniciantes a incrível variedade de ingredientes encontrados nos supermercados e feiras livres. Eles costumavam ser bem raros e caríssimos, restritos às rodas dos chefs profissionais. Na última década, porém, a globalização vem tratando de popularizar os azeites de alto padrão e os temperos exóticos. Eles têm um peso decisivo na excelência de um prato – talvez até maior que o da mão do próprio chef.
O senhor, afinal, não acredita em genialidade na cozinha?
Como em qualquer área, existe na gastronomia um grupo de profissionais capazes de romper com as velhas fórmulas e inovar de forma surpreendente. Estes criam técnicas e servem de inspiração para os colegas. Mas isso não quer dizer que sejam os melhores do ramo. Uma espuma produzida sob os pilares da tão celebrada cozinha molecular é sempre interessante, e ninguém discorda disso – mas não será necessariamente saborosa. E pagar caro por ela pode não valer a pena. Muitas vezes, não é num restaurante estrelado sob o comando de um chef de renome que se encontrará a melhor comida, mas sim num bistrô mais simples e despretensioso. E quem costuma sair para comer fora já entendeu isso. Nas grandes cidades do mundo, os habitués de restaurantes compõem um grupo bastante ciente daquilo que quer.
As pessoas se tornaram mais exigentes em relação à comida?
É um fato inquestionável. Há evidências de que o próprio paladar das pessoas está mais apurado do que no passado. Elas estão mais críticas. Essa evolução se dá, justamente, à medida que se popularizam os temperos e a culinária de diferentes países. O paladar vai sendo educado. Nas grandes metrópoles do mundo, a oferta de bons restaurantes também cresceu exponencialmente. E, num cenário de nível elevado, espera-se que as pessoas se tornem ainda mais criteriosas e exigentes. O dado bom é que elas podem escolher à vontade.
É mais difícil hoje prosperar no ramo da gastronomia?
Sem dúvida, a sobrevivência ficou mais dura para donos de restaurante como eu. Para se ter uma ideia, os mais chiques precisam concorrer hoje com aqueles bistrôs comandados por chefs estrelados, como os franceses Yves Camdeborde e Christian Constant. São profissionais que desceram um degrau na escala do luxo por uma mudança de comportamento que vem se acentuando nos últimos anos.
A que mudança o senhor se refere?
Sempre haverá espaço para o luxo e a alta gastronomia, especialmente quando se trata de boa comida – mas as pessoas estão mais ciosas e conservadoras na hora de gastar fortunas comendo fora. Esse é um consenso entre meus colegas. Evidentemente que a ida a um restaurante de alto padrão proporciona uma experiência que transcende a da própria comida, e isso tem seu preço. O ambiente é impecável. Há a liturgia dos vários pratos. O chef-celebridade passeia pelas mesas. Isso ninguém vai ter num bistrô. Só que hoje quem oferece comida mediana cobrando preço alto já está tendo mais dificuldade de sobreviver. Também está saindo de moda aquele grupo de restaurantes em que é preciso esperar dois meses para conseguir uma mesa, e, ao terminar o tão almejado jantar, você tem de passar numa pizzaria porque ainda está com fome. Ou até completar a refeição em casa mesmo, onde a comida é muitas vezes mais fresca.
O senhor está dizendo que a comida nos restaurantes não é fresca?
Não é segredo que mesmo bons restaurantes compram comida em grande quantidade, para ganhar na escala, e congelam. Cozinhando em casa, não só essa variável é mais controlável como também a do próprio preparo dos pratos, que pode se dar em bases mais saudáveis do que num restaurante. Em minha terra natal, a Inglaterra, até hoje as pessoas saem para comer fora o tradicional fish and chips (peixe frito com batata frita), boiando em gordura. É horrível. Felizmente, a gastronomia inglesa já evoluiu muito. Temos, no entanto, um atraso histórico – difícil de recuperar.
Qual é a razão para o atraso inglês na gastronomia?
Depois da II Guerra, os ingleses canalizaram todos os esforços para recuperar a economia e abandonaram a cozinha, que até aquele momento não estava entre as piores da Europa. Sem o hábito de cozinhar, a comida foi decaindo até se tornar péssima, tal qual a dos americanos. Quando ingressei no ramo, na década de 90, o cenário gastronômico da Inglaterra se restringia a alguns poucos – e caros – restaurantes e a muito peixe frito. Hoje, a comida voltou a ser um assunto que desperta não apenas o interesse como a ambição dos ingleses de fazer frente a outros países europeus. Causa comoção, por exemplo, o fato de chefs como Heston Blumenthal, do festejado The Fat Duck, serem reconhecidos mundialmente. Mas estamos ainda a anos-luz dos franceses, o que para um inglês típico não é exatamente algo agradável de constatar.
Nenhum país reúne tantos restaurantes com estrelas no Guia Michelin, a bíblia da gastronomia, quanto a França. O senhor concorda que a comida fran-cesa ainda é imbatível?
No quesito "culinária tradicional", aquela pre-parada ao longo dos séculos não apenas nos restaurantes mais badalados de Paris como também nos pequenos vilarejos do interior, os franceses são insuperáveis – assim como no rigor técnico. O problema é a inflexibilidade dos chefs de lá diante das novi-dades. O efeito disso se vê no prato. É a culinária, afinal, que perde.
Por que o senhor diz isso?
Fechados à influência de outras culturas, os chefs franceses acabam se privando daquilo que tem feito com que tantos países avancem na gastronomia: a mistura de técnicas e ingredientes de muitas origens e variedades. A cultura gastronômica se reinventa no ritmo da globalização. Cozinheiros de todos os continentes trocam experiências a toda hora e até on-line. O fluxo de ingredientes intensificou-se. Nesse cenário, os chefs mais conservadores são justamente os franceses. A culinária da Espanha é hoje tão forte quanto a da França e é também infinitamente mais inventiva justamente porque soube se beneficiar dessa abertura para o mundo.
Em seu novo programa, exibido na televisão americana, o senhor trava uma guerra contra o fast-food. É possível mudar os hábitos alimentares nos Estados Unidos?
Mexer com hábitos alimentares tão arraigados requer tempo, mas acho que é factível. Quando iniciei uma campanha por lanches mais saudáveis nas escolas inglesas, por exemplo, muita gente me tachou de louco, mas as crianças aos poucos começaram a trocar as frituras por opções mais saudáveis. Basta para isso que as trocas se deem em bases realistas. Não dá para esperar que as pessoas abandonem, de uma hora para outra, aquilo que gostam de comer – mas elas podem sempre tornar esses pratos um pouco mais saudáveis. Nessa linha e para desgosto dos mais xiitas, eu ensino receitas à base de produtos congelados e enlatados, sem preconceitos. Tão enfronhados na cultura gastronômica moderna, não dá simplesmente para bani-los da mesa. Nossos maiores inimigos são, na realidade, as redes de fast-food.
Mas até em seu novo livro, A América de Jamie Oliver (Editora Globo), o senhor ensina a preparar pratos calóricos típicos das redes de fast-food. Não é um contrassenso?
Minha guerra não é contra os alimentos calóricos, mas contra os produtos processados, cheios de gordura e desprovidos de qualquer nutriente – ou sabor. Um hambúrguer pode ser saudável e até pouco engordativo, se for preparado à base de carne magra de boa qualidade e servido ao lado de legumes grelhados e de uma salada de folhas, não de batata frita. O problema é que você não vai encontrar um hambúrguer assim no McDonald’s. E a maioria dos americanos só quer saber de comer nesse tipo de lugar. Por isso atingem índices tão elevados de obesidade desde a infância.
Alguns críticos já declararam que seus restaurantes são ruins. Como o senhor lida com eles?
Só tenho uma coisa a dizer aos críticos: meus restaurantes não têm estrelas no Guia Michelin, é verdade, mas estão sempre com fila na porta. Não é esse, afinal, o melhor indicador de que a comida agrada?
(fonte: Revista Veja Edição 2167 / 2 de junho de 2010)
Gastronomia e cinema
Short documentary sobre o Sushi Chef Carlos Ohata, esse filme retrata um encontro entre a gastronomia japonesa e a energia “Life style” da cidade do Rio de Janeiro. Momentos como o Chef Ohata indo comprar peixe de skate e voltando para o restaurante curtindo a orla carioca simbolizam essa conexão entre o chef, seus pratos e a cidade.
O protagonista é o paulista Carlos Ohata, que aos 18 anos decidiu morar no Japão para conhecer a cultura dos seus avós e se apaixonou pela culinária, trabalhando em Tokyo durante 3 anos em um restaurante. Voltou a São Paulo para trabalhar no Sushi Zen e Kabuki. Em 1999 abriu seu primeiro restaurante nos Jardins, Butoh, onde ficou 5 anos. Em 2004 assumiu em Lisboa o restaurante Sushi Lounge durante 2 anos, e retornou ao Brasil a convite dos proprietários do Nakombi, para ser o chefe executivo da filial carioca. No momento Ohata é sócio do restaurante Boodah Sushi Lounge em Ipanema e está abrindo um novo restaurante em Miami.
Os responsáveis pelo Short Documentary são o produtor Gilson Val e o seu sócio o diretor Eduardo Brand que já trabalham juntos há 10 anos, e seus filmes já participaram de festivais como o Festival Internacional de Vídeo do Japão, Festival Independente de Cinema de NY e Festival Internacional do Rio.
Fonte: divulgação
Short documentary sobre o Sushi Chef Carlos Ohata, esse filme retrata um encontro entre a gastronomia japonesa e a energia “Life style” da cidade do Rio de Janeiro. Momentos como o Chef Ohata indo comprar peixe de skate e voltando para o restaurante curtindo a orla carioca simbolizam essa conexão entre o chef, seus pratos e a cidade.
O protagonista é o paulista Carlos Ohata, que aos 18 anos decidiu morar no Japão para conhecer a cultura dos seus avós e se apaixonou pela culinária, trabalhando em Tokyo durante 3 anos em um restaurante. Voltou a São Paulo para trabalhar no Sushi Zen e Kabuki. Em 1999 abriu seu primeiro restaurante nos Jardins, Butoh, onde ficou 5 anos. Em 2004 assumiu em Lisboa o restaurante Sushi Lounge durante 2 anos, e retornou ao Brasil a convite dos proprietários do Nakombi, para ser o chefe executivo da filial carioca. No momento Ohata é sócio do restaurante Boodah Sushi Lounge em Ipanema e está abrindo um novo restaurante em Miami.
Os responsáveis pelo Short Documentary são o produtor Gilson Val e o seu sócio o diretor Eduardo Brand que já trabalham juntos há 10 anos, e seus filmes já participaram de festivais como o Festival Internacional de Vídeo do Japão, Festival Independente de Cinema de NY e Festival Internacional do Rio.
Fonte: divulgação
Pudim

(foto: SóDoces)
Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir pudim de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido. Um só. Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um pudim bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O pudim é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco. Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil'). Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta. Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo. Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai. Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação... Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão... Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'. Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções. Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'... Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar vários pedaços de pudim, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado. Um dia a gente cria juízo.
Um dia. Não tem que ser agora. Por isso, garçom, por favor, me traga: um pudim inteiro, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Sex and the City', uma caixa de trufas bem macias e o Josh Holloway, nu, embrulhado pra presente. OK? Não necessariamente nessa ordem. Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.
(autor desconhecido)
Contribuição linda da leitora Marcinha :)

(foto: SóDoces)
Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir pudim de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido. Um só. Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um pudim bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.
O pudim é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco. Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons. Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil'). Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta. Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo. Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai. Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação... Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão... Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'. Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos. Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções. Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim: 'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'... Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar vários pedaços de pudim, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado. Um dia a gente cria juízo.
Um dia. Não tem que ser agora. Por isso, garçom, por favor, me traga: um pudim inteiro, um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Sex and the City', uma caixa de trufas bem macias e o Josh Holloway, nu, embrulhado pra presente. OK? Não necessariamente nessa ordem. Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.
(autor desconhecido)
Contribuição linda da leitora Marcinha :)
Comida em extinção

Atrasadérrima com a leitura da Vida Simples, que eu adoro e assino mas que ultimamente anda se empilhando em casa, hoje resolvi colocá-la em dia e dei de cara com essa matéria super bacana na edição deste mês - Sabores em risco. Vale a pena conferir.
E uma coisa eu digo... Se o pinhão deixar de existir, eu serei uma pessoa muito menos feliz :(

Atrasadérrima com a leitura da Vida Simples, que eu adoro e assino mas que ultimamente anda se empilhando em casa, hoje resolvi colocá-la em dia e dei de cara com essa matéria super bacana na edição deste mês - Sabores em risco. Vale a pena conferir.
E uma coisa eu digo... Se o pinhão deixar de existir, eu serei uma pessoa muito menos feliz :(
Chá de Rainha

(foto Ivonaldo Alexandre/ Agência de Notícias Gazeta do Povo)
Por incrível que pareça, exatamente ao mesmo tempo duas leitoras de Curitiba enviaram emails comentando sobre essa matéria que saiu por lá. Ambas acreditaram que esse chá tem cara de rainha. E num é que tem mesmo? :)
Katita e Faby,
O Jornal de Curitiba trouxe uma novidade e como acompanho vocês a muito tempo pensei: “AGORA É A HORA DE MANDAR MEU 1º E-MAIL” , esse chá é a cara de qualquer RAINHA DO LAR. E agora com o inverno chegando nada melhor do que aderir a moda inglesa de um chazinho no fim da tarde.
Vamos ao chá:
Feito do botão de jasmim que em contato com a água quente desabrocha em uma delicada flor, e detalhe “escândalo” a cor da flor sempre é uma surpresa. Trata-se do chá YIN ZEN, de origem chinesa, que há muitos anos proporciona espetáculo aos olhos, olfato e paladar.
O Yin Zen é um flowering tea, o chá branco milenar mais precioso da China. Ele é feito com um botão de flor e envolto com folhas de chá verde. Após ser ressecado, recebe aroma de lavanda e é costurado no formato de um buquê com finos fios de algodão. Em contato com água quente, as folhas se desprendem e, como mágica, uma flor "nasce". Além do aspecto visual, a surpresa do chá ainda fica com as cores e formatos da flor, que são sempre diferentes. É simplesmente fantástico. E delicioso!
Agora me digam , é COISA DE RAINHA OU NÃO É?
Mil beijos de uma super fã!
Ariane Travensoli
***
Bom dia, adoro o site e gostaria de indicar uma matéria que saiu num dos jornais aqui de Curitiba
Uma flor que vira chá: Curitiba tem a extravagância da Maria Antonieta
http://guia.gazetadopovo.com.br/mat/uma-flor-que-vira-cha-curitiba-tem-a-extravagancia-da-maria-antonieta/1002608/
Achei a cara do “Rainhas”.
Bj
Lucimar - CTBA
***
Obrigada Ariane e Lucimar por lembrar de nós com uma coisa tão linda dessas.
E olha só, eu que nem curto chá fiquei super afins desse aí. Looosho! Fora que eu NECESSITO de um bulezinho transparente desses... coisa mais linda, aff :)

(foto Ivonaldo Alexandre/ Agência de Notícias Gazeta do Povo)
Por incrível que pareça, exatamente ao mesmo tempo duas leitoras de Curitiba enviaram emails comentando sobre essa matéria que saiu por lá. Ambas acreditaram que esse chá tem cara de rainha. E num é que tem mesmo? :)
Katita e Faby,
O Jornal de Curitiba trouxe uma novidade e como acompanho vocês a muito tempo pensei: “AGORA É A HORA DE MANDAR MEU 1º E-MAIL” , esse chá é a cara de qualquer RAINHA DO LAR. E agora com o inverno chegando nada melhor do que aderir a moda inglesa de um chazinho no fim da tarde.
Vamos ao chá:
Feito do botão de jasmim que em contato com a água quente desabrocha em uma delicada flor, e detalhe “escândalo” a cor da flor sempre é uma surpresa. Trata-se do chá YIN ZEN, de origem chinesa, que há muitos anos proporciona espetáculo aos olhos, olfato e paladar.
O Yin Zen é um flowering tea, o chá branco milenar mais precioso da China. Ele é feito com um botão de flor e envolto com folhas de chá verde. Após ser ressecado, recebe aroma de lavanda e é costurado no formato de um buquê com finos fios de algodão. Em contato com água quente, as folhas se desprendem e, como mágica, uma flor "nasce". Além do aspecto visual, a surpresa do chá ainda fica com as cores e formatos da flor, que são sempre diferentes. É simplesmente fantástico. E delicioso!
Agora me digam , é COISA DE RAINHA OU NÃO É?
Mil beijos de uma super fã!
Ariane Travensoli
***
Bom dia, adoro o site e gostaria de indicar uma matéria que saiu num dos jornais aqui de Curitiba
Uma flor que vira chá: Curitiba tem a extravagância da Maria Antonieta
http://guia.gazetadopovo.com.br/mat/uma-flor-que-vira-cha-curitiba-tem-a-extravagancia-da-maria-antonieta/1002608/
Achei a cara do “Rainhas”.
Bj
Lucimar - CTBA
***
Obrigada Ariane e Lucimar por lembrar de nós com uma coisa tão linda dessas.
E olha só, eu que nem curto chá fiquei super afins desse aí. Looosho! Fora que eu NECESSITO de um bulezinho transparente desses... coisa mais linda, aff :)
Eu, pessoa-mãe

(Bento e o vaso de tulipas que fez para mim na escola)
A maternidade me chegou de supetão. Assim como o casamento - que foi uma coisa instantânea, resultado de um amor urgente, que não podia e nem queria esperar por protocolos - Bento não foi planejado. Aliás, poucas coisas na minha vida foram planejadas.
Passados não mais do que cinco minutos de um certo medo e insegurança (que foi o tempo de dar a notícia para o meu parceiro, com o teste caseiro nas mãos, e receber o seu abraço de "vamos nessa"), incorporei imediatamente a pessoa-mãe e intui uma menina. Estava errada. Na verdade eu quis uma menina, e aquilo não tinha nada a ver com intuição. Quatro meses depois, quando o médico detectou alguma coisa entre as pernas do bebê e veio a confirmação de que era um menino, titubeei coisa de alguns segundos, meio que não acreditando que a minha "poderosa e fatídica" intuição tivesse falhado, mas também foi coisa de segundos para incorporar totalmente a pessoa-mãe de um menino. Hoje não consigo me imaginar mãe de menina.
Ganhei vários "manuais de bebê", mas confesso que jamais os acessei. A natureza sabe o que faz e a pessoa mãe também. Essa relação, para mim, foi absolutamente intuitiva, e ainda é, e sempre deu muito certo.
É fato que nos primeiros meses existe uma dependência quase absoluta da mãe, muito por conta da amamentação, e vivi absolutamente em sua função até os 8 meses quando ele deixou o meu seio materno. Apesar desta relação de dependência e de um amor sem limites, muito cedo consegui enxergar Bento como um indivíduo que não pertence a mim, mas ao mundo. Nunca entendi os discursos de algumas mães que adoravam alegar e abriam o peito orgulhosamente para dizer que viveram as suas vidas em função dos filhos, que abdicaram de tudo em função deles. Eu jamais jogaria isso na cara do meu filho. Jamais faria senti-lo culpado pela minha falta de coragem e acomodamento justificado como dedicação. E assim tenho construído o nosso amor e a nossa relação.
Com exceção deste primeiro momento de total dedicação, devo dizer que a maternidade não me privou de nada. Continuo indo religiosamente ao cinema, a festas, viajando, preservando meus momentos de individualidade tão necessários a minha saúde mental, e trabalhando mais do que nunca. É certo que tenho a sorte de ter um super parceiro nesta empreitada, duas avós incríveis e uma dinda, que dividem comigo, cada um na sua função, a missão de educá-lo e cria-lo, de acordo com a forma que eu e papai, muito afinados sempre, julgamos mais assertiva. Além deste núcleo familiar temos ainda mais de meia dúzia de amigos, dispostos e prontos para receberem uma super nanny, sempre que precisamos.
Não sou super protetora. É importante que ele caia de vez em quando, que rale o joelho, aprenda a se reerguer, e que nem sempre haverá alguém a sua sombra lá na frente. Não significa que não estou atenta, presente e sempre pronta para fazer-lhe o mais amoroso dos curativos.
Olhando ele daqui, vejo um garoto safo e amoroso ao mesmo tempo, inteligente, leve, seguro e feliz , e me vem a certeza de que escolhemos senão O caminho certo, pelo menos UM caminho certo.
A maternidade para mim é um exercício de doação, de auto-conhecimento e de plenitude. Sem pieguice. Sem caretice. =)

(Bento e o vaso de tulipas que fez para mim na escola)
A maternidade me chegou de supetão. Assim como o casamento - que foi uma coisa instantânea, resultado de um amor urgente, que não podia e nem queria esperar por protocolos - Bento não foi planejado. Aliás, poucas coisas na minha vida foram planejadas.
Passados não mais do que cinco minutos de um certo medo e insegurança (que foi o tempo de dar a notícia para o meu parceiro, com o teste caseiro nas mãos, e receber o seu abraço de "vamos nessa"), incorporei imediatamente a pessoa-mãe e intui uma menina. Estava errada. Na verdade eu quis uma menina, e aquilo não tinha nada a ver com intuição. Quatro meses depois, quando o médico detectou alguma coisa entre as pernas do bebê e veio a confirmação de que era um menino, titubeei coisa de alguns segundos, meio que não acreditando que a minha "poderosa e fatídica" intuição tivesse falhado, mas também foi coisa de segundos para incorporar totalmente a pessoa-mãe de um menino. Hoje não consigo me imaginar mãe de menina.
Ganhei vários "manuais de bebê", mas confesso que jamais os acessei. A natureza sabe o que faz e a pessoa mãe também. Essa relação, para mim, foi absolutamente intuitiva, e ainda é, e sempre deu muito certo.
É fato que nos primeiros meses existe uma dependência quase absoluta da mãe, muito por conta da amamentação, e vivi absolutamente em sua função até os 8 meses quando ele deixou o meu seio materno. Apesar desta relação de dependência e de um amor sem limites, muito cedo consegui enxergar Bento como um indivíduo que não pertence a mim, mas ao mundo. Nunca entendi os discursos de algumas mães que adoravam alegar e abriam o peito orgulhosamente para dizer que viveram as suas vidas em função dos filhos, que abdicaram de tudo em função deles. Eu jamais jogaria isso na cara do meu filho. Jamais faria senti-lo culpado pela minha falta de coragem e acomodamento justificado como dedicação. E assim tenho construído o nosso amor e a nossa relação.
Com exceção deste primeiro momento de total dedicação, devo dizer que a maternidade não me privou de nada. Continuo indo religiosamente ao cinema, a festas, viajando, preservando meus momentos de individualidade tão necessários a minha saúde mental, e trabalhando mais do que nunca. É certo que tenho a sorte de ter um super parceiro nesta empreitada, duas avós incríveis e uma dinda, que dividem comigo, cada um na sua função, a missão de educá-lo e cria-lo, de acordo com a forma que eu e papai, muito afinados sempre, julgamos mais assertiva. Além deste núcleo familiar temos ainda mais de meia dúzia de amigos, dispostos e prontos para receberem uma super nanny, sempre que precisamos.
Não sou super protetora. É importante que ele caia de vez em quando, que rale o joelho, aprenda a se reerguer, e que nem sempre haverá alguém a sua sombra lá na frente. Não significa que não estou atenta, presente e sempre pronta para fazer-lhe o mais amoroso dos curativos.
Olhando ele daqui, vejo um garoto safo e amoroso ao mesmo tempo, inteligente, leve, seguro e feliz , e me vem a certeza de que escolhemos senão O caminho certo, pelo menos UM caminho certo.
A maternidade para mim é um exercício de doação, de auto-conhecimento e de plenitude. Sem pieguice. Sem caretice. =)
Engordou o marido e fugiu de casa

(foto: GettyImages)
Nunca foi flor que se cheirasse, a Ester. Desde menina, defendia as suas convicções e perseguia os seus objetivos à maneira dos tratores, esmagando o que estivesse pela frente. Se achava boa e virtuosa porém, afinal, frequentava assiduamente as missas dominicais e pregava com veemência os 10 mandamentos, embora não os seguisse a risca ela mesma. Uma hipócrita, a Ester.
Conheceu o Cleber na faculdade de Biologia, e foi desejo a primeira vista, afinal ele era deslumbrante na época. Fazia natação desde moleque e tinha aquele fatídico peitoril, asas e barriga tanquinho de tirar o fôlego, de engasgar. Como se não bastasse, tinha olhos brilhantes e uma boca indecente, enorme, cheia de dentes absolutamente perfeitos, de uma brancura imaculada. E vivia a sorrir como um menino, displicente e alheio àquela beleza toda, e tão alto com aquelas mãos enormes capazes de nos acolher inteiras... mas era distraído, o Cleber.
Onze entre dez garotas desejavam casar, parir pelo menos sete filhos do Cleber, e dedicar o resto de suas vidas a lavar as suas cuecas sem economizar Confort. Mas foi a Ester quem o fisgou, apenas porque assim o desejou, e costumava conseguir o que queria. Enquanto as demais se atiravam, pixavam os muros de sua casa, gravavam-lhe cassetes com canções matadoras e abriam mais dois botões ao cruzarem com ele, a Ester apenas o fitava de longe, atraindo o seu olhar, e era ela quem mais lhe chamava a atenção. Perigosa, a Ester.
Mas também era linda, a desgraçada. De uma beleza natural, que não lhe demandava o menor esforço. Tinha o corpo esguio e firme (como perseguem as matriculadas em academias), sem fazer nenhum esforço, aliás, detestava exercícios físicos e achava aquilo tudo uma grande maçada! Sem dúvida, a natureza fora-lhe muito generosa (não deveria Ester retribuir?). Nem mesmo depilação lhe era necessário, pois os seus pelos eram fina e macia penugem que cobria a superfície do seu corpo, ora bem ralinha, ora mais densa, mas sempre macia. Para não dizer que nada fazia pela sua beleza, lançava mão da pinça vez por outra para arrancar uns 3 pelinhos de cada lado da sobrancelha, e fazia as unhas duas vezes por semana, tão religiosamente quanto ia a igreja. Sortuda, a Ester.
Ela tinha um plano: ter aquele homem lindo só para si, casar com ele, ter uma casa espetacular (sem filhos, cachorros ou plantas), e viverem um para o outro. E trabalhou neste sentido, sem muito esforço. Logo estavam casadíssimos! Para o Cleber, a Ester era um anjo de candura, a mais perfeita mulher do mundo, e ainda por cima, era exímia cozinheira, e sendo a gula o mais predominante pecado capital do moço, por causa deste fraco foi que caiu em desgraça.
Acontece que a Ester tinha um pequeno problema operacional para resolver, que era a beleza estonteante do Cleber. Não precisava seguir com o olhar as expressões derretidas das mulheres no restaurante, padaria, cinema, supermercado, academia, ao verem o Cleber. Sabia muito bem o rastro de corações suspirantes que ele deixava por onde passava. E não sentia ciúmes, apenas um incômodo de pendência a ser resolvida. Não demorou para encontrar a solução: engordá-lo com a sua comida, enfeiá-lo. Não fazia parte dos seus planos ser abandonada pelo seu marido, por causa de uma sirigaita qualquer... o Cleber era muito bobão, pensava.
Apenas um ano depois do casamento, o Cleber já não chamava mais a mesma atenção. Havia engordado 18kg, a pele havia perdido o viço, também os olhos e dentes. Dois anos depois, ele havia ganho mais 21kg, sofria com gases e tinha mau hálito. Por outro lado, Ester emoçava e se tornava mais linda a cada dia. Um fenômeno, a Ester.
A dieta, ou melhor, o plano era simples: começou sutilmente com deliciosos risotos a base de creme de leite e queijos, com uma saladinha verde para disfarçar; saladas de maionese com frangos assados com aquela pele crocante; batatas fritas, estrogonofes, rocamboles, pães e tortas doces incríveis, sobremesas meladas de chantilly, e pizzas e chocolates para as “românticas” sessões de cinema em seu fabuloso home theather... sempre havia também uma cervejinha estupidamente gelada esperando por ele, que quando deu por fé nunca mais havia tomado um suco, embora a geladeira estivesse sempre repleta de coca-cola. Mas não podia reclamar da vida, não é mesmo? A Esterzinha o tratava como um rei.
Três anos e 39 quilos mais tarde, a Ester se cansou do Cleber. Incomodou-lhe o seu mau hálito e sua flatulência. Desapareceu. Cleber meio que endoideceu, perdeu o prumo, o rumo, alcoolizou-se, quase suicidou-se. Levou anos para curar-se da depressão, do alcoolismo, e recuperar um pouco da sua auto-estima. Mas sobreviveu, e descobriu o verdadeiro amor nos braços da Cibele, aquela magricela míope que sentava sempre na primeira fila. Com ela teve dois filhos homens, um cachorro, um cágado e foi feliz para sempre.
A Ester foi vista por um colega de trabalho dele, numa outra capital enquanto deixava um jovem deus grego, com idade para ser seu filho, na porta de uma faculdade de design. Mas continuava emoçando e cada dia mais linda. Uma vampira, a Ester.
E aqui acaba a estória da moça que engordou o marido e depois o abandonou. Mas o que poderia ter salvado o Cleber de tamanha desgraça? Distraído, ele não foi capaz de perceber que faltava na comida de Ester um ingrediente fundamental, que era o amor. Foi feitiço o que ele comeu.
Moral da estória do ponto de vista de uma cozinheira: Comida também é feita de intenção.

(foto: GettyImages)
Nunca foi flor que se cheirasse, a Ester. Desde menina, defendia as suas convicções e perseguia os seus objetivos à maneira dos tratores, esmagando o que estivesse pela frente. Se achava boa e virtuosa porém, afinal, frequentava assiduamente as missas dominicais e pregava com veemência os 10 mandamentos, embora não os seguisse a risca ela mesma. Uma hipócrita, a Ester.
Conheceu o Cleber na faculdade de Biologia, e foi desejo a primeira vista, afinal ele era deslumbrante na época. Fazia natação desde moleque e tinha aquele fatídico peitoril, asas e barriga tanquinho de tirar o fôlego, de engasgar. Como se não bastasse, tinha olhos brilhantes e uma boca indecente, enorme, cheia de dentes absolutamente perfeitos, de uma brancura imaculada. E vivia a sorrir como um menino, displicente e alheio àquela beleza toda, e tão alto com aquelas mãos enormes capazes de nos acolher inteiras... mas era distraído, o Cleber.
Onze entre dez garotas desejavam casar, parir pelo menos sete filhos do Cleber, e dedicar o resto de suas vidas a lavar as suas cuecas sem economizar Confort. Mas foi a Ester quem o fisgou, apenas porque assim o desejou, e costumava conseguir o que queria. Enquanto as demais se atiravam, pixavam os muros de sua casa, gravavam-lhe cassetes com canções matadoras e abriam mais dois botões ao cruzarem com ele, a Ester apenas o fitava de longe, atraindo o seu olhar, e era ela quem mais lhe chamava a atenção. Perigosa, a Ester.
Mas também era linda, a desgraçada. De uma beleza natural, que não lhe demandava o menor esforço. Tinha o corpo esguio e firme (como perseguem as matriculadas em academias), sem fazer nenhum esforço, aliás, detestava exercícios físicos e achava aquilo tudo uma grande maçada! Sem dúvida, a natureza fora-lhe muito generosa (não deveria Ester retribuir?). Nem mesmo depilação lhe era necessário, pois os seus pelos eram fina e macia penugem que cobria a superfície do seu corpo, ora bem ralinha, ora mais densa, mas sempre macia. Para não dizer que nada fazia pela sua beleza, lançava mão da pinça vez por outra para arrancar uns 3 pelinhos de cada lado da sobrancelha, e fazia as unhas duas vezes por semana, tão religiosamente quanto ia a igreja. Sortuda, a Ester.
Ela tinha um plano: ter aquele homem lindo só para si, casar com ele, ter uma casa espetacular (sem filhos, cachorros ou plantas), e viverem um para o outro. E trabalhou neste sentido, sem muito esforço. Logo estavam casadíssimos! Para o Cleber, a Ester era um anjo de candura, a mais perfeita mulher do mundo, e ainda por cima, era exímia cozinheira, e sendo a gula o mais predominante pecado capital do moço, por causa deste fraco foi que caiu em desgraça.
Acontece que a Ester tinha um pequeno problema operacional para resolver, que era a beleza estonteante do Cleber. Não precisava seguir com o olhar as expressões derretidas das mulheres no restaurante, padaria, cinema, supermercado, academia, ao verem o Cleber. Sabia muito bem o rastro de corações suspirantes que ele deixava por onde passava. E não sentia ciúmes, apenas um incômodo de pendência a ser resolvida. Não demorou para encontrar a solução: engordá-lo com a sua comida, enfeiá-lo. Não fazia parte dos seus planos ser abandonada pelo seu marido, por causa de uma sirigaita qualquer... o Cleber era muito bobão, pensava.
Apenas um ano depois do casamento, o Cleber já não chamava mais a mesma atenção. Havia engordado 18kg, a pele havia perdido o viço, também os olhos e dentes. Dois anos depois, ele havia ganho mais 21kg, sofria com gases e tinha mau hálito. Por outro lado, Ester emoçava e se tornava mais linda a cada dia. Um fenômeno, a Ester.
A dieta, ou melhor, o plano era simples: começou sutilmente com deliciosos risotos a base de creme de leite e queijos, com uma saladinha verde para disfarçar; saladas de maionese com frangos assados com aquela pele crocante; batatas fritas, estrogonofes, rocamboles, pães e tortas doces incríveis, sobremesas meladas de chantilly, e pizzas e chocolates para as “românticas” sessões de cinema em seu fabuloso home theather... sempre havia também uma cervejinha estupidamente gelada esperando por ele, que quando deu por fé nunca mais havia tomado um suco, embora a geladeira estivesse sempre repleta de coca-cola. Mas não podia reclamar da vida, não é mesmo? A Esterzinha o tratava como um rei.
Três anos e 39 quilos mais tarde, a Ester se cansou do Cleber. Incomodou-lhe o seu mau hálito e sua flatulência. Desapareceu. Cleber meio que endoideceu, perdeu o prumo, o rumo, alcoolizou-se, quase suicidou-se. Levou anos para curar-se da depressão, do alcoolismo, e recuperar um pouco da sua auto-estima. Mas sobreviveu, e descobriu o verdadeiro amor nos braços da Cibele, aquela magricela míope que sentava sempre na primeira fila. Com ela teve dois filhos homens, um cachorro, um cágado e foi feliz para sempre.
A Ester foi vista por um colega de trabalho dele, numa outra capital enquanto deixava um jovem deus grego, com idade para ser seu filho, na porta de uma faculdade de design. Mas continuava emoçando e cada dia mais linda. Uma vampira, a Ester.
E aqui acaba a estória da moça que engordou o marido e depois o abandonou. Mas o que poderia ter salvado o Cleber de tamanha desgraça? Distraído, ele não foi capaz de perceber que faltava na comida de Ester um ingrediente fundamental, que era o amor. Foi feitiço o que ele comeu.
Moral da estória do ponto de vista de uma cozinheira: Comida também é feita de intenção.
A pressa é a inimiga da refeição
(entrevista com Carlo Petrini)

(foto: Slow Food Brasil)
Considerado pelo jornal The Guardian uma das 50 pessoas que podem salvar o planeta, o fundador do movimento Slow Food esteve no Brasil para disseminar a importância da agricultura sustentável e das culturas locais - acredite ou não, isso pode até salvar o planeta.
Calma. É isso o que vem pedir Carlo Petrini. Calma para respirar, para fazer escolhas conscientes e para conhecer o lugar e as tradições do lugar onde você mora. O fundador da Slow Food Foundation, com sede na cidade italiana de Bra e presente em 132 países, não quer apenas que as pessoas comam devagar. Ele quer mandar uma mensagem contra o consumo massificado e a agricultura industrializada. Ele defende a comida da vovó, a horta do vizinho, o cultivo e a produção de produtos genuínos e a valorização desses produtos nos mercados regionais. Petrini não se vira contra o novo, mas contra o que é artificial. "Ferran Adrià é um gênio, um Picasso", ele diz. Mas nem todo mundo pode ser um Picasso.
Ele é contra plantações de espécies híbridas resistentes a pragas, que quase extinguiram o pimentão quadrado d'Asti da região do baixo Piemonte (leia mais sobre alimentos que correm risco de extinção). Carnuda, perfumada e saborosa, essa variedade de pimentão foi trocada por pimentões holandeses sem gosto, mais rentáveis e baratos. É contra isso que ele luta.
Em sua visão, a alimentação contemporânea agroindustrial é a grande responsável pela destruição do planeta. Somos em sete bilhões, produzimos comida para 12 bilhões e ainda um bilhão passa fome. "Mais da metade do que produzimos é jogado no lixo. No sistema consumista, só conta o preço, e não o cuidado, a produção e o modo de conceber os alimentos", afirma. Você acha tudo isso uma bobagem? Petrini foi indicado pelo jornal inglês The Guardian, em 2008, como uma das 50 pessoas que poderiam salvar o mundo.
Petrini defende que a gastronomia é uma ciência complexa. Nas escola e faculdades onde ela é ensinada, os alunos deveriam aprender física, agricultura, antropologia, história, economia e química. Dessa maneira, sairiam de lá gastrônomos competentes e comprometidos com uma comida "boa, limpa e justa" – os três pilares da Slow Food. Construir uma horta nas escolas e universidades é o primeiro passo (clique e saiba como). "Tirem 10 vagas do estacionamento, quebrem o asfalto, coloquem terra e um pouco de estrume, plantem tomates, feijões, verduras. Se alguém reclamar que não tem vaga, ganha um tomate!", diz Petrini, bem humorado. Para ele, o Slow Food tem que ser divertido.
Carlo Petrini veio ao Brasil (no final de março) para participar do Terra Madre, evento da Slow Food Foundation, e lançar seu livro Slow Food – princípios da nova gastronomia, publicado em 2005, mas só traduzido para o português agora. Confira a entrevista abaixo.
Confira a entrevista:
ÉPOCA – As bases do Slow Food são: o bom, o justo e o limpo. O que elas significam?
Carlo Petrini – A comida tem que ser boa, gostosa, e o gosto deve ser respeitado de acordo com a região. No Piemonte (região italiana), temos um queijo que tem um cheiro que lembra chulé. Se o brasileiro cheirar, vai achar ruim, mas esse queijo lembra a minha infância. Temos que respeitar a diversidade. No geral, nossas bases gustativas são determinadas pelas nosas avós. A comida também deve ser justa, ou seja, tem que pagar quem trabalha para produzi-la, o camponês ou o cozinheiro, para que eles vivam com dignidade. E ser limpa: sua produção não deve destruir o ecossistema, não pode usar produtos químicos ou acabar com a fertilidade do solo.
ÉPOCA – Seguindo estes preceitos, até quanto mais caro você acha justo pagar? Se possível, em porcentagem.
Petrini – Não se pode falar em porcentagem. Preço justo é o que dá dignidade ao camponês para ele trabalhar de maneira pura, que garanta a ele uma vida digna. Depende da situação, mas não acho que tenha que ser mais caro do que já se paga hoje.
ÉPOCA – Como escolher o que comer?
Petrini – Não se deixe tentar por uma lógica consumista, especialmente quando se faz escolhas alimentares. Comer é um ato agrícola e pode impactar a economia local. Temos que ser consumidores responsáveis. Buscar apenas o sabor de um alimento não funciona. Há muitos chefs que usam produtos que destróem solos ou pagam mal os agricultores. E o principal responsável pela destruição do planeta é esse sistema alimentar. Na minha província, tem um milhão de pessoas e sete milhões de porcos porque precisamos comer presunto e embutidos (risos). Esses porcos poluem o lençol freático com seus excrementos e usamos essa mesma água para regar as plantações. Tivemos a pretensão de colocar os critérios da produção industrial na agricultura, mas ela não é independente do meio como é a indústria têxtil ou sirúrgica. A agricultura tem mais de 10 mil anos e não pode ser reduzida à mercantilização. Quando tudo se torna mercadoria não conseguimos mais distinguir o valor do preço.
ÉPOCA – É possível conciliar os princípios da Slow Food com a vida nas grandes cidades?
Petrini – É preciso unir os consumidores aos produtores. Para produzir um alimento orgânico, é preciso receber um certificado, que é caro. Mas se você mora perto de mim, eu não preciso de certificado para comprar seus produtos, porque eu posso ver como você os cultiva. Nós precisamos construir essa rede de produtores e consumidores, ou co-produtores, que conheçam o que estão comprando. Pode-se sempre organizar grupos que comprem diretamente do produtor: a gente economiza e o camponês ganha mais. A construção de mercados camponeses também deve ser incentivada. Em 1995, no coração de Nova York, construíram o primeiro mercado camponês. Hoje, há 12 mil feiras de camponeses nos Estados Unidos. É uma alternativa econômica que reforça e economia local.
ÉPOCA – No mundo, temos um bilhão de pessoas passando fome e 1,7 bilhão de pessoas que sofrem de doenças relacionadas à obesidade. A Slow Food pode consertar isso?
Petrini – Nos Estados Unidos, eu fiquei impressionado com a quantidade de obesos. Vivemos em uma sociedade em que se gasta mais para emagrecer dos que para comer (risos). É preciso evitar o desperdício, comer com moderação e construir um sistema alimentar melhor, mais limpo e mais justo.
ÉPOCA – Há muitos restaurantes em São Paulo comprometidos com preceitos da Slow Food, como valorizar ingredientes e culturas regionais e resgatar tradições. Só que muitos deles usam matérias-primas que só existem na Amazônia ou no Centro-Oeste, tendo que atravessar o país para chegar até São Paulo. Como resolver esse problema de distribuição?
Petrini – Com bom senso. O país é grande, não faz sentido transportar alguns produtos; mas é importante que se coma alimentos frescos. Comer um produto da Amazônia é melhor do que importar dos Estados Unidos.
ÉPOCA – Mas alguns peixes, por exemplo, vêm congelados da Amazônia.
Petrini – Pode ser contraditório. Mas os camarões congelados vendidos nos supermercados brasileiros são da Índia e do Equador. É preciso dar essa informação ao consumidor. O peixe da Amazônia eu como, o camarão congelado, não (risos).
ÉPOCA – O senhor defende que os estudantes de gastronomia voltem ao campo, conversem com os agricultores e até mesmo se tornem camponeses. O que você diria a algum jovem que deseja seguir seu conselho?
Petrini – Você é meu herói. A volta à terra é uma escolha difícil, moderna e corajosa. Não será fácil o seu futuro. A maior dificuldade será ter reconhecimento do seu trabalho. O camponês sempre foi o último da estrutura social, mas os tempos mudaram e devemos construir um novo humanismo. Quando vocês voltarem para trás (para o campo), já estarão lá na frente porque aquilo que vocês fazem interessa a todos. Vocês são mais importantes do que as multinacionais que não se importam com nossa saúde e só querem fazer negócio, transformando nossa comida em simples mercadoria. Não é verdade que comida industrial custa menos: eu pago a mais o preço da saúde, os custos de transporte e a perda da biodiversidade. Vocês darão mais prazer e mais sabor às pessoas. A gastronomia não é patromônio dos grandes chefs. As mulheres que você tem na família valem muito mais do que muitos restaurantes 3 estrelas (do Guia Michellin, o mais respeitado do gênero). Essas mulheres que não aparecem na TV, elas são nossos heróis.
ÉPOCA – E como estão as plantações de pimentão na região do baixo Piemonte?
Petrini – Eles voltaram a produzir pimentão, mas as tulipas não foram embora (risos)
(veja a animação no site para entender o problema dos pimentões e tulipas)
Fonte: Slow Food Brasil
(entrevista com Carlo Petrini)

(foto: Slow Food Brasil)
Considerado pelo jornal The Guardian uma das 50 pessoas que podem salvar o planeta, o fundador do movimento Slow Food esteve no Brasil para disseminar a importância da agricultura sustentável e das culturas locais - acredite ou não, isso pode até salvar o planeta.
Calma. É isso o que vem pedir Carlo Petrini. Calma para respirar, para fazer escolhas conscientes e para conhecer o lugar e as tradições do lugar onde você mora. O fundador da Slow Food Foundation, com sede na cidade italiana de Bra e presente em 132 países, não quer apenas que as pessoas comam devagar. Ele quer mandar uma mensagem contra o consumo massificado e a agricultura industrializada. Ele defende a comida da vovó, a horta do vizinho, o cultivo e a produção de produtos genuínos e a valorização desses produtos nos mercados regionais. Petrini não se vira contra o novo, mas contra o que é artificial. "Ferran Adrià é um gênio, um Picasso", ele diz. Mas nem todo mundo pode ser um Picasso.
Ele é contra plantações de espécies híbridas resistentes a pragas, que quase extinguiram o pimentão quadrado d'Asti da região do baixo Piemonte (leia mais sobre alimentos que correm risco de extinção). Carnuda, perfumada e saborosa, essa variedade de pimentão foi trocada por pimentões holandeses sem gosto, mais rentáveis e baratos. É contra isso que ele luta.
Em sua visão, a alimentação contemporânea agroindustrial é a grande responsável pela destruição do planeta. Somos em sete bilhões, produzimos comida para 12 bilhões e ainda um bilhão passa fome. "Mais da metade do que produzimos é jogado no lixo. No sistema consumista, só conta o preço, e não o cuidado, a produção e o modo de conceber os alimentos", afirma. Você acha tudo isso uma bobagem? Petrini foi indicado pelo jornal inglês The Guardian, em 2008, como uma das 50 pessoas que poderiam salvar o mundo.
Petrini defende que a gastronomia é uma ciência complexa. Nas escola e faculdades onde ela é ensinada, os alunos deveriam aprender física, agricultura, antropologia, história, economia e química. Dessa maneira, sairiam de lá gastrônomos competentes e comprometidos com uma comida "boa, limpa e justa" – os três pilares da Slow Food. Construir uma horta nas escolas e universidades é o primeiro passo (clique e saiba como). "Tirem 10 vagas do estacionamento, quebrem o asfalto, coloquem terra e um pouco de estrume, plantem tomates, feijões, verduras. Se alguém reclamar que não tem vaga, ganha um tomate!", diz Petrini, bem humorado. Para ele, o Slow Food tem que ser divertido.
Carlo Petrini veio ao Brasil (no final de março) para participar do Terra Madre, evento da Slow Food Foundation, e lançar seu livro Slow Food – princípios da nova gastronomia, publicado em 2005, mas só traduzido para o português agora. Confira a entrevista abaixo.
Confira a entrevista:
ÉPOCA – As bases do Slow Food são: o bom, o justo e o limpo. O que elas significam?
Carlo Petrini – A comida tem que ser boa, gostosa, e o gosto deve ser respeitado de acordo com a região. No Piemonte (região italiana), temos um queijo que tem um cheiro que lembra chulé. Se o brasileiro cheirar, vai achar ruim, mas esse queijo lembra a minha infância. Temos que respeitar a diversidade. No geral, nossas bases gustativas são determinadas pelas nosas avós. A comida também deve ser justa, ou seja, tem que pagar quem trabalha para produzi-la, o camponês ou o cozinheiro, para que eles vivam com dignidade. E ser limpa: sua produção não deve destruir o ecossistema, não pode usar produtos químicos ou acabar com a fertilidade do solo.
ÉPOCA – Seguindo estes preceitos, até quanto mais caro você acha justo pagar? Se possível, em porcentagem.
Petrini – Não se pode falar em porcentagem. Preço justo é o que dá dignidade ao camponês para ele trabalhar de maneira pura, que garanta a ele uma vida digna. Depende da situação, mas não acho que tenha que ser mais caro do que já se paga hoje.
ÉPOCA – Como escolher o que comer?
Petrini – Não se deixe tentar por uma lógica consumista, especialmente quando se faz escolhas alimentares. Comer é um ato agrícola e pode impactar a economia local. Temos que ser consumidores responsáveis. Buscar apenas o sabor de um alimento não funciona. Há muitos chefs que usam produtos que destróem solos ou pagam mal os agricultores. E o principal responsável pela destruição do planeta é esse sistema alimentar. Na minha província, tem um milhão de pessoas e sete milhões de porcos porque precisamos comer presunto e embutidos (risos). Esses porcos poluem o lençol freático com seus excrementos e usamos essa mesma água para regar as plantações. Tivemos a pretensão de colocar os critérios da produção industrial na agricultura, mas ela não é independente do meio como é a indústria têxtil ou sirúrgica. A agricultura tem mais de 10 mil anos e não pode ser reduzida à mercantilização. Quando tudo se torna mercadoria não conseguimos mais distinguir o valor do preço.
ÉPOCA – É possível conciliar os princípios da Slow Food com a vida nas grandes cidades?
Petrini – É preciso unir os consumidores aos produtores. Para produzir um alimento orgânico, é preciso receber um certificado, que é caro. Mas se você mora perto de mim, eu não preciso de certificado para comprar seus produtos, porque eu posso ver como você os cultiva. Nós precisamos construir essa rede de produtores e consumidores, ou co-produtores, que conheçam o que estão comprando. Pode-se sempre organizar grupos que comprem diretamente do produtor: a gente economiza e o camponês ganha mais. A construção de mercados camponeses também deve ser incentivada. Em 1995, no coração de Nova York, construíram o primeiro mercado camponês. Hoje, há 12 mil feiras de camponeses nos Estados Unidos. É uma alternativa econômica que reforça e economia local.
ÉPOCA – No mundo, temos um bilhão de pessoas passando fome e 1,7 bilhão de pessoas que sofrem de doenças relacionadas à obesidade. A Slow Food pode consertar isso?
Petrini – Nos Estados Unidos, eu fiquei impressionado com a quantidade de obesos. Vivemos em uma sociedade em que se gasta mais para emagrecer dos que para comer (risos). É preciso evitar o desperdício, comer com moderação e construir um sistema alimentar melhor, mais limpo e mais justo.
ÉPOCA – Há muitos restaurantes em São Paulo comprometidos com preceitos da Slow Food, como valorizar ingredientes e culturas regionais e resgatar tradições. Só que muitos deles usam matérias-primas que só existem na Amazônia ou no Centro-Oeste, tendo que atravessar o país para chegar até São Paulo. Como resolver esse problema de distribuição?
Petrini – Com bom senso. O país é grande, não faz sentido transportar alguns produtos; mas é importante que se coma alimentos frescos. Comer um produto da Amazônia é melhor do que importar dos Estados Unidos.
ÉPOCA – Mas alguns peixes, por exemplo, vêm congelados da Amazônia.
Petrini – Pode ser contraditório. Mas os camarões congelados vendidos nos supermercados brasileiros são da Índia e do Equador. É preciso dar essa informação ao consumidor. O peixe da Amazônia eu como, o camarão congelado, não (risos).
ÉPOCA – O senhor defende que os estudantes de gastronomia voltem ao campo, conversem com os agricultores e até mesmo se tornem camponeses. O que você diria a algum jovem que deseja seguir seu conselho?
Petrini – Você é meu herói. A volta à terra é uma escolha difícil, moderna e corajosa. Não será fácil o seu futuro. A maior dificuldade será ter reconhecimento do seu trabalho. O camponês sempre foi o último da estrutura social, mas os tempos mudaram e devemos construir um novo humanismo. Quando vocês voltarem para trás (para o campo), já estarão lá na frente porque aquilo que vocês fazem interessa a todos. Vocês são mais importantes do que as multinacionais que não se importam com nossa saúde e só querem fazer negócio, transformando nossa comida em simples mercadoria. Não é verdade que comida industrial custa menos: eu pago a mais o preço da saúde, os custos de transporte e a perda da biodiversidade. Vocês darão mais prazer e mais sabor às pessoas. A gastronomia não é patromônio dos grandes chefs. As mulheres que você tem na família valem muito mais do que muitos restaurantes 3 estrelas (do Guia Michellin, o mais respeitado do gênero). Essas mulheres que não aparecem na TV, elas são nossos heróis.
ÉPOCA – E como estão as plantações de pimentão na região do baixo Piemonte?
Petrini – Eles voltaram a produzir pimentão, mas as tulipas não foram embora (risos)
(veja a animação no site para entender o problema dos pimentões e tulipas)
Fonte: Slow Food Brasil
Acho que não, meu bem, obrigada. Se eu precisar de alguma coisa eu grito, tá?

(foto: GettyImages)
Eu adoro festa, casa cheia, coisa e tal, mas ao contrário da irmã, que consegue dividir a cozinha com mais sete cozinheiros, devo confessar que sou um pouco mais reservada nessas horas.
Gosto sim da cozinha cheia, dos amigos bebericando a mesa e roendo coisinhas que vou dispondo ali, mas tenho limitações na hora de dividir a minha bancada de trabalho, exceto em situações profissionais, quando os assistentes são fundamentais e dentro de critérios de divisão de funções bem claros, outra história.
Aquele é um território tão meu! Talvez a parte mais íntima da minha casa, vivo nua ali. E existe um compasso, uma dança das mãos que acessam as ferramentas todas, de joelhos que se flexionam até as panelas, de pontas de pés para alcançar latas... um fluxo da pia que lava à tábua que corta, ao fogo que cozinha, à geladeira que guarda... e eu me perco nesse fluxo, nessa dança, quando esbarro, e a tábua não está livre, e preciso indicar os lugares e dar orientações. Prefiro tanto a liberdade do meu compasso harmônico, da minha dança livre sem pisar no pé! Não se trata de não aceitar ajuda, a louça é toda sua! Também preciso de ajuda para montar os pratos, servir as bebidas, recolher lixinhos, socorro! É só o ritual de cozinhar, que prefiro solitário. Sou ruim?
É por isso que toda vez que eu estou cozinhando em casa e alguém faz aquela gentil pergunta: "Quer ajuda?" Eu sempre digo: "Acho que não, meu bem, obrigada. Se eu precisar de alguma coisa eu grito, tá?"

(foto: GettyImages)
Eu adoro festa, casa cheia, coisa e tal, mas ao contrário da irmã, que consegue dividir a cozinha com mais sete cozinheiros, devo confessar que sou um pouco mais reservada nessas horas.
Gosto sim da cozinha cheia, dos amigos bebericando a mesa e roendo coisinhas que vou dispondo ali, mas tenho limitações na hora de dividir a minha bancada de trabalho, exceto em situações profissionais, quando os assistentes são fundamentais e dentro de critérios de divisão de funções bem claros, outra história.
Aquele é um território tão meu! Talvez a parte mais íntima da minha casa, vivo nua ali. E existe um compasso, uma dança das mãos que acessam as ferramentas todas, de joelhos que se flexionam até as panelas, de pontas de pés para alcançar latas... um fluxo da pia que lava à tábua que corta, ao fogo que cozinha, à geladeira que guarda... e eu me perco nesse fluxo, nessa dança, quando esbarro, e a tábua não está livre, e preciso indicar os lugares e dar orientações. Prefiro tanto a liberdade do meu compasso harmônico, da minha dança livre sem pisar no pé! Não se trata de não aceitar ajuda, a louça é toda sua! Também preciso de ajuda para montar os pratos, servir as bebidas, recolher lixinhos, socorro! É só o ritual de cozinhar, que prefiro solitário. Sou ruim?
É por isso que toda vez que eu estou cozinhando em casa e alguém faz aquela gentil pergunta: "Quer ajuda?" Eu sempre digo: "Acho que não, meu bem, obrigada. Se eu precisar de alguma coisa eu grito, tá?"
Que marravilha!
Claude Troisgros se reuniu com jornalistas, na tarde desta quinta-feira (25), para promover o lançamento do "Que Marravilha!", seu novo programa no GNT, que estreia dia 15 de abril, às 22h. Troisgros levou a participante do primeiro episódio, Paula Gicovate, a seu restaurante Bistrô 66, na Lagoa, para preparar um bobó de camarão para a imprensa. O detalhe: ela só sabia preparar macarrão.
"O objetivo do programa é ajudar pessoas que não sabem cozinhar a fazer pratos de primeira linha e rapidamente. A ideia é usar produtos que são facilmente encontrados no mercado. Sofri muito por isso e cheguei a brigar com a produção, porque eu não queria usar tomate enlatado e azeite de baixa qualidade, por exemplo. Mas entendi que esses produtos são usados no dia a dia", explica Troisgros. "Estou aprendendo muito com esse programa, mais do que aprendi em todos os anos de gastronomia. Tem momentos emocionantes, engraçados, estressantes", completa.
Mas a direção avisa que o novo formato não tem a ver com o antigo programa do chef francês, "Menu Confiança". Além do aspecto de reality show, a intenção é que haja uma união entre TV e internet. Ao fim do programa, todas as receitas estarão disponibilizadas no site do GNT em um vídeo com o passo-a-passo.
"Gosto de chamar o programa de um reality show light, porque a competição principal é a superação de cada um", explica Ric Ostrower, diretor do "Que Marravilha!".
O programa se divide em três blocos. No primeiro, Claude vai às compras com um participante previamente selecionado através das inscrições pelo site do GNT. O chef francês prepara a receita e dá dicas, no segundo bloco. E, no último, o participante prepara sozinho a receita para um juri composto por familiares, amigos e Claude Troisgros. Cada um, ao final, dá sua nota.
"Não dou palpite nenhum quando o participante estiver cozinhando, mas isso é muito difícil, porque quando vou jantar na casa de alguém, eu me meto em tudo e faço até minha própria caipirinha. Mas se alguém dá palpite na minha cozinha, eu acho a pessoa muito chata", confessa Claude. Veja fotos do encontro do chef com a imprensa na galeria abaixo.
Para participar, basta enviar um vídeo para o site do programa contando por que você precisa da ajuda do chef Claude Troisgros na cozinha. E bon appétit!
Fonte: GNT
...
Falta muito para o dia 15 de abril? =))))
Claude Troisgros se reuniu com jornalistas, na tarde desta quinta-feira (25), para promover o lançamento do "Que Marravilha!", seu novo programa no GNT, que estreia dia 15 de abril, às 22h. Troisgros levou a participante do primeiro episódio, Paula Gicovate, a seu restaurante Bistrô 66, na Lagoa, para preparar um bobó de camarão para a imprensa. O detalhe: ela só sabia preparar macarrão.
"O objetivo do programa é ajudar pessoas que não sabem cozinhar a fazer pratos de primeira linha e rapidamente. A ideia é usar produtos que são facilmente encontrados no mercado. Sofri muito por isso e cheguei a brigar com a produção, porque eu não queria usar tomate enlatado e azeite de baixa qualidade, por exemplo. Mas entendi que esses produtos são usados no dia a dia", explica Troisgros. "Estou aprendendo muito com esse programa, mais do que aprendi em todos os anos de gastronomia. Tem momentos emocionantes, engraçados, estressantes", completa.
Mas a direção avisa que o novo formato não tem a ver com o antigo programa do chef francês, "Menu Confiança". Além do aspecto de reality show, a intenção é que haja uma união entre TV e internet. Ao fim do programa, todas as receitas estarão disponibilizadas no site do GNT em um vídeo com o passo-a-passo.
"Gosto de chamar o programa de um reality show light, porque a competição principal é a superação de cada um", explica Ric Ostrower, diretor do "Que Marravilha!".
O programa se divide em três blocos. No primeiro, Claude vai às compras com um participante previamente selecionado através das inscrições pelo site do GNT. O chef francês prepara a receita e dá dicas, no segundo bloco. E, no último, o participante prepara sozinho a receita para um juri composto por familiares, amigos e Claude Troisgros. Cada um, ao final, dá sua nota.
"Não dou palpite nenhum quando o participante estiver cozinhando, mas isso é muito difícil, porque quando vou jantar na casa de alguém, eu me meto em tudo e faço até minha própria caipirinha. Mas se alguém dá palpite na minha cozinha, eu acho a pessoa muito chata", confessa Claude. Veja fotos do encontro do chef com a imprensa na galeria abaixo.
Para participar, basta enviar um vídeo para o site do programa contando por que você precisa da ajuda do chef Claude Troisgros na cozinha. E bon appétit!
Fonte: GNT
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Falta muito para o dia 15 de abril? =))))
Macrô

(Imagem: Nutrição em foco)
Meia dúzia de textos de Sônia Hirsch, um restaurante macrô que frequento há alguns anos e um amigo ex-macrobiótico, quase me seduziram para a Macrobiótica, mas o fato é que a conversa é séria e vai para além de uma dieta alimentar. Na minha cabeça, a Macrobiótica é uma filosofia de vida, quase uma religião, e acho que foi bem aí que deu um nó. Mas nada impede que eu traga para a minha vida alguns hábitos macrô, e assim vou levando a minha vida sem seguir nada a risca e experimentando de tudo um pouco. Eu sou uma pessoa que acredita em meios-termos.
Mas eu chamei para falar de Macrobiótica um cabra que manja o assunto. Ex-macrô, meu amigo Luiz Geraldo, que eu apelidei de LG, e que eu sempre menciono aqui, vai expor para a gente suas opiniões sobre a Macrobiótica, e nos contar algumas de suas experiências enquanto foi uma pessoa macrô. Eu adorei a entrevista e espero que vocês gostem também. Para quem não manja nada de Macrobiótica vai dar para sair deste post mais esclarecido. Boa viagem!

LG é pernambucano do Recife, tem 51 anos e é professor de informática.
K: O que você entende por Macrobiótica? Tá mais para dieta ou filosofia?
LG: A macrobiótica é um regime alimentar, uma filosofia e um modo de vida, uma coisa não se separa da outra. A etmologia deriva de macro, grande, e bio, vida. O japonês George Ohsawa (1893-1966) é o principal responsável pela divulgação dessa cultura no ocidente, sendo Tomio Kikuchi, seu discípulo, o introdutor da Macrobiótica no Brasil. Baseia-se na idéia de que todos os fenômenos, físicos e biológicos podem ser vistos como produto da interação entre duas forças (princípios) opostas e complementares: Yin e Yang. Dessa interação nasce a vida, a morte e todas as mudanças.
Yin representa o frio, o etéreo, o feminino, o escuro, aquilo que dispersa, o que dilata, o repouso, a noite, o inverno, o ar e a água, as frutas suculentas, os líquidos. O trabalho intelectual. A maconha e o açúcar representam um excesso de Yin.
Yang é o calor, o sólido, o masculino, a luz, o foco, o que concentra, o movimento e o exercício, o trabalho, o dia, o verão, o solo e o fogo, as carnes vermelhas. O sal representa o excesso de Yang.
No mundo, nada é só yin ou só yang. Os fenômenos nascem do contínuo equilíbrio-desequilíbrio entre os dois princípios: Yin atrai Yang. Yang atrai Yin. O excesso de Yin tende a se transformar em Yang e vice-versa. Se o alimento é muito salgado (yang) dará sede. O líquido é o Yin que vem em resposta ao excesso de Yang.
O símbolo do Yin/Yang (que ilustra o post) ganha seu verdadeiro significado se pensarmos na esfera girando de modo que a área escura está sempre invadindo e sendo invadida pela área clara. Além disso, no centro da área escura nasce um ponto claro. O mesmo ocorrendo na área clara.
A saúde nasce do equilíbrio entre os dois; a doença, do excesso de um deles. A Macrobiótica procura entender o funcionamento desses princípios nos alimentos para facilitar e manter esse equilíbrio. Mas é necessário buscá-lo em todos os níveis da vida e não só na alimentação. Tudo é importante: o modo de preparo, o local da alimentação, o modo de mastigar, etc. Os cereais integrais são os alimentos mais equilibrados e são a base dessa alimentação. A dieta macrobiótica enfatiza cereais integrais cultivados localmente, legumes e produtos de soja fermentada, combinados em refeições, que podem diferir de pessoa a pessoa, de acordo com a situação de desequilíbrio entre Yin e Yang. O vegetais são preferencialmente cozidos ou grelhados (o calor os tornam mais yang). O líquido preferido é o chá (o calor equilibra o yin). São evitadas as carnes vermelhas (excesso de Yang). Mas tudo isso pode mudar de acordo com o estado da pessoa que se alimenta.
K: Por que procurou a Macrobiótica e por quanto tempo foi macrô?
LG: Procurei por problemas de saúde e por influência de alguns amigos que frequentavam um restaurante Macrô em Recife. Fui assíduo durante uns 3 anos.
K: Por que parou? Parou por quê?
LG: Ser Macrô exige um bocado de disciplina (não sou muito disciplinado) e limitou bastante a minha vida social. Só depois da macrobiótica é que eu me dei conta do quanto os encontros humanos se dão na maioria das vezes em volta de bebidas e alimentos. E, ou você carrega sua comida, ou não come quase nada ou então só se relaciona com macrôs. Eu dificilmente tinha tempo de comer em casa e só havia dois restaurantes macrôs na cidade. Alem disso havia meio que uma galera da cobrança: "comeu o que ontem?", "Vi você bebendo coca-cola!", "nem veio ontem ao restaurante!" e coisas do tipo.
K: Qual o melhor e o pior sabor da Macrobiótica que guarda na lembrança?
LG: Diria que na Macrobiótica acontece o mesmo que em qualquer tipo de cozinha, depende muito de quem prepara e dos produtos utilizados. Lembro de uma conhecida que transformava qualquer prato macrô numa delícia. O seu arroz integral com o gersal que ela mesma preparava era muito, mas muito bom. Seu missoshiro com aguê (tofu frito): uma comida que aquecia o coração. Lembro muito também do cheiro bom de gergelim torrando para fazer o gersal. Uma boa acelga preparada no vapor também pode ser uma delícia. Na Macrô o corte dos vegetais ( há cortes que deixam o alimento mais yang ou mais yin), o tempo de cozimento de cada um deles (na acelga, por exemplo, a parte branca é cozida durante mais tempo que a parte verde, que fica quase crua e sua cor fica um verde vivo e escuro) fazem muita diferença.
Por outro lado havia aqueles restaurantes naturais que não estavam nem aí: e tome-lhe comida sem sabor e sem beleza em nome de uma suposta saúde.
K: O que a Macrobiótica deixou de bom?
LG: Há um ditado na macrô: "você deve beber os sólidos e comer os líquidos". Ele se refere primordialmente a importância do mastigar. Comer sem pressa deixando que o alimento sólido se "dissolva" em sua boca. Manter cada bocado um pouco mais na boca e apreciar mais demoradamente os sabores e a textura de um alimento simples. Deixar também os líquidos pararem na boca, apreciá-los como se tivéssemos que mastigá-los.
Foi na macrô que aprendi também que qualquer sabor (doce, amargo, salgado, apimentado, azedo) pode ser bom na dosagem certa e no lugar certo para cada um (houve momentos em que o amargo de um chá de carqueja foi perfeito).
Foi através da macrô que conheci algas e cogumelos, que aprecio muito. Mas sobretudo, a idéia de equilíbrio entre Yin e Yang é, até hoje, um importante paradigma quando penso em alimento e saúde.
K: Alguma estória interessante para contar sobre o assunto?
LG: Há algumas coisas que hoje considero hilárias para o mundo moderno e que alguns macrôs defendiam veementemente, como por exemplo:
"Fazer comida é coisa de mulher, homem não deve preparar alimentos".
"Em pleno Nordeste Brasileiro, só beber 3 a 4 xícaras de chá, quente ou morno, por dia".
"Colocar peso sobre o pino da panela de pressão para preparar o arroz (pressão e calor tornam o arroz mais yang)".
***
LG, meu camarada, muito obrigada pela sua boa-vontade. Foi lindo!
Beijo macrô de inhame e arroz integral cozido na pressão com peso no pino,
K.

(Imagem: Nutrição em foco)
Meia dúzia de textos de Sônia Hirsch, um restaurante macrô que frequento há alguns anos e um amigo ex-macrobiótico, quase me seduziram para a Macrobiótica, mas o fato é que a conversa é séria e vai para além de uma dieta alimentar. Na minha cabeça, a Macrobiótica é uma filosofia de vida, quase uma religião, e acho que foi bem aí que deu um nó. Mas nada impede que eu traga para a minha vida alguns hábitos macrô, e assim vou levando a minha vida sem seguir nada a risca e experimentando de tudo um pouco. Eu sou uma pessoa que acredita em meios-termos.
Mas eu chamei para falar de Macrobiótica um cabra que manja o assunto. Ex-macrô, meu amigo Luiz Geraldo, que eu apelidei de LG, e que eu sempre menciono aqui, vai expor para a gente suas opiniões sobre a Macrobiótica, e nos contar algumas de suas experiências enquanto foi uma pessoa macrô. Eu adorei a entrevista e espero que vocês gostem também. Para quem não manja nada de Macrobiótica vai dar para sair deste post mais esclarecido. Boa viagem!

LG é pernambucano do Recife, tem 51 anos e é professor de informática.
K: O que você entende por Macrobiótica? Tá mais para dieta ou filosofia?
LG: A macrobiótica é um regime alimentar, uma filosofia e um modo de vida, uma coisa não se separa da outra. A etmologia deriva de macro, grande, e bio, vida. O japonês George Ohsawa (1893-1966) é o principal responsável pela divulgação dessa cultura no ocidente, sendo Tomio Kikuchi, seu discípulo, o introdutor da Macrobiótica no Brasil. Baseia-se na idéia de que todos os fenômenos, físicos e biológicos podem ser vistos como produto da interação entre duas forças (princípios) opostas e complementares: Yin e Yang. Dessa interação nasce a vida, a morte e todas as mudanças.
Yin representa o frio, o etéreo, o feminino, o escuro, aquilo que dispersa, o que dilata, o repouso, a noite, o inverno, o ar e a água, as frutas suculentas, os líquidos. O trabalho intelectual. A maconha e o açúcar representam um excesso de Yin.
Yang é o calor, o sólido, o masculino, a luz, o foco, o que concentra, o movimento e o exercício, o trabalho, o dia, o verão, o solo e o fogo, as carnes vermelhas. O sal representa o excesso de Yang.
No mundo, nada é só yin ou só yang. Os fenômenos nascem do contínuo equilíbrio-desequilíbrio entre os dois princípios: Yin atrai Yang. Yang atrai Yin. O excesso de Yin tende a se transformar em Yang e vice-versa. Se o alimento é muito salgado (yang) dará sede. O líquido é o Yin que vem em resposta ao excesso de Yang.
O símbolo do Yin/Yang (que ilustra o post) ganha seu verdadeiro significado se pensarmos na esfera girando de modo que a área escura está sempre invadindo e sendo invadida pela área clara. Além disso, no centro da área escura nasce um ponto claro. O mesmo ocorrendo na área clara.
A saúde nasce do equilíbrio entre os dois; a doença, do excesso de um deles. A Macrobiótica procura entender o funcionamento desses princípios nos alimentos para facilitar e manter esse equilíbrio. Mas é necessário buscá-lo em todos os níveis da vida e não só na alimentação. Tudo é importante: o modo de preparo, o local da alimentação, o modo de mastigar, etc. Os cereais integrais são os alimentos mais equilibrados e são a base dessa alimentação. A dieta macrobiótica enfatiza cereais integrais cultivados localmente, legumes e produtos de soja fermentada, combinados em refeições, que podem diferir de pessoa a pessoa, de acordo com a situação de desequilíbrio entre Yin e Yang. O vegetais são preferencialmente cozidos ou grelhados (o calor os tornam mais yang). O líquido preferido é o chá (o calor equilibra o yin). São evitadas as carnes vermelhas (excesso de Yang). Mas tudo isso pode mudar de acordo com o estado da pessoa que se alimenta.
K: Por que procurou a Macrobiótica e por quanto tempo foi macrô?
LG: Procurei por problemas de saúde e por influência de alguns amigos que frequentavam um restaurante Macrô em Recife. Fui assíduo durante uns 3 anos.
K: Por que parou? Parou por quê?
LG: Ser Macrô exige um bocado de disciplina (não sou muito disciplinado) e limitou bastante a minha vida social. Só depois da macrobiótica é que eu me dei conta do quanto os encontros humanos se dão na maioria das vezes em volta de bebidas e alimentos. E, ou você carrega sua comida, ou não come quase nada ou então só se relaciona com macrôs. Eu dificilmente tinha tempo de comer em casa e só havia dois restaurantes macrôs na cidade. Alem disso havia meio que uma galera da cobrança: "comeu o que ontem?", "Vi você bebendo coca-cola!", "nem veio ontem ao restaurante!" e coisas do tipo.
K: Qual o melhor e o pior sabor da Macrobiótica que guarda na lembrança?
LG: Diria que na Macrobiótica acontece o mesmo que em qualquer tipo de cozinha, depende muito de quem prepara e dos produtos utilizados. Lembro de uma conhecida que transformava qualquer prato macrô numa delícia. O seu arroz integral com o gersal que ela mesma preparava era muito, mas muito bom. Seu missoshiro com aguê (tofu frito): uma comida que aquecia o coração. Lembro muito também do cheiro bom de gergelim torrando para fazer o gersal. Uma boa acelga preparada no vapor também pode ser uma delícia. Na Macrô o corte dos vegetais ( há cortes que deixam o alimento mais yang ou mais yin), o tempo de cozimento de cada um deles (na acelga, por exemplo, a parte branca é cozida durante mais tempo que a parte verde, que fica quase crua e sua cor fica um verde vivo e escuro) fazem muita diferença.
Por outro lado havia aqueles restaurantes naturais que não estavam nem aí: e tome-lhe comida sem sabor e sem beleza em nome de uma suposta saúde.
K: O que a Macrobiótica deixou de bom?
LG: Há um ditado na macrô: "você deve beber os sólidos e comer os líquidos". Ele se refere primordialmente a importância do mastigar. Comer sem pressa deixando que o alimento sólido se "dissolva" em sua boca. Manter cada bocado um pouco mais na boca e apreciar mais demoradamente os sabores e a textura de um alimento simples. Deixar também os líquidos pararem na boca, apreciá-los como se tivéssemos que mastigá-los.
Foi na macrô que aprendi também que qualquer sabor (doce, amargo, salgado, apimentado, azedo) pode ser bom na dosagem certa e no lugar certo para cada um (houve momentos em que o amargo de um chá de carqueja foi perfeito).
Foi através da macrô que conheci algas e cogumelos, que aprecio muito. Mas sobretudo, a idéia de equilíbrio entre Yin e Yang é, até hoje, um importante paradigma quando penso em alimento e saúde.
K: Alguma estória interessante para contar sobre o assunto?
LG: Há algumas coisas que hoje considero hilárias para o mundo moderno e que alguns macrôs defendiam veementemente, como por exemplo:
"Fazer comida é coisa de mulher, homem não deve preparar alimentos".
"Em pleno Nordeste Brasileiro, só beber 3 a 4 xícaras de chá, quente ou morno, por dia".
"Colocar peso sobre o pino da panela de pressão para preparar o arroz (pressão e calor tornam o arroz mais yang)".
***
LG, meu camarada, muito obrigada pela sua boa-vontade. Foi lindo!
Beijo macrô de inhame e arroz integral cozido na pressão com peso no pino,
K.
Sobre panelas e mulheres
(por Dr. Alessandro Loiola*/Especial para BR Press)

(foto: Creative)
(BR Press) - Em um acesso de sinceridade, confesso: tenho um caso mal resolvido na cozinha. Mas calma lá com a interpretação, porque pensão alimentícia anda cara esses dias (né, Romário?). O fato é que na hora de preparar uma refeição, o utensílio que mais uso é o telefone. Nem sei mais a cor da geladeira, soterrada há anos sob várias camadas de ímãs de "disk-tudo".
Entendo nada de cozinha.
Para evitar que me xinguem de porco chauvinista logo no início da crônica (sei que inevitavelmente farão isso a partir do meio do texto), pensei em colocar em meu histórico culinário as competências "sabe preparar miojo, fazer pipocas no microondas e encher a forma de gelo". Mas decidi esperar o final do ano para acrescentar "capacitado para cortar ingredientes do salpicão". É sempre recomendável adicionar um certo nível de sofisticação no currículo.
Então, sendo eu este completo analfabeto de garfo e faca, me vi como um camundongo encurralado pela vassoura no cantinho do gás quando recebi um email perguntando: qual a melhor panela para preparar as refeições?
Pensei em responder "cheia", mas até o cinismo precisa de tempero. Pesquisando, descobri que assim como existem vários tipos de mulheres, existem vários tipos de panela - cada uma com indicações e efeitos adversos específicos.
Pronto, use "porco chauvinista!" à vontade a partir de agora.
Por exemplo: as panelas de alumínio e aço inox são como namoricos de verão - baratas e fáceis de encontrar. Apesar de excelentes para o preparo de carnes, elas podem absorver metais pesados durante o cozimento e afetar sua saúde.
Panelas de vidro são como namoradas de 20 e poucos anos: transparentes, bonitas e decorativas, esquentam muito rapidamente e devem ser desligadas com certa antecedência, ou comprometerão o resultado da refeição. Ao contrário das panelas de inox, elas não produzem só barulho quando derrubadas.
Panelas de cobre são mulheres independentes depois dos 30: mais caras e condutoras, porém menos práticas e potencialmente tóxicas. Causam uma boa impressão se você quiser passar um ar de alquimista e disfarçar seu péssimo molho culpando a limitada versatilidade gustativa dos convidados.
Panelas de teflon costumam ser utilizadas por executivos infiéis em busca de frituras rápidas, com pouco óleo. Estas panelas possuem um revestimento interno de politetrafluoretileno que as torna antiaderentes. Mas atenção: o politetrafluoretileno solta-se com alguma facilidade e jamais deve ser ingerido.
Panelas de porcelana são mulheres em plena TPM: cheias de personalidade, possuem um toque intimista (ou seria intimidador?), mancham fácil e ao menor estresse ameaçam soltar o esmalte.
Uma panela de pressão é uma mulher na pré-menopausa. Experiente, tecnologicamente pensada, não é recomendada para iniciantes. Apesar de cozinhar bem em temperaturas acima de 100 graus, todo cuidado com a válvula de pressão é pouco. Sem manutenção, ela pode explodir na sua cara quando você menos esperar.
Finalmente, a boa e velha panela de ferro é como aquela mulher que escolhemos para casar. Podem ser levadas à mesa, são versáteis e concentram mais o calor, cozinhando tudo ao mesmo tempo.
Vegetarianos
Além de manterem o sabor e as propriedades do alimento, as panelas de ferro adicionam nutrientes valiosos. Pesquisas mostram que o preparo de alimentos nesse tipo de panela chega a suprir cerca de 20% das necessidades diárias de ferro do organismo, tornando-as especialmente indicadas para quem adota uma alimentação vegetariana.
Para manter uma panela de ferro sempre em ordem, você deve tomar alguns cuidados básicos. Elas devem ser limpas com delicadeza e se possível secadas no forno quente e aconchegante. Uma vez resfriadas ao natural, aplique uma leve camada de óleo e guarde-as em um local apropriado.
Com a dose certa de atenção e carinho, elas devem durar bastante. Afinal de contas, panela velha é que faz... Você sabe.
(*) Dr. Alessandro Loiola é médico, escritor, palestrante, autor de Vida e Saúde da Criança e Crianças em Forma: Saúde na Balança (www.editoranatureza.com.br). Fale com ele pelo e-mail aloiola@brpress.net ou pelo Blog do Leitor.
***
Texto enviado pela comadre Miriam Levy, que ganhou uma Le Creuset laranja de Natal e acredita em declarações de amor inusitadas :))))
(por Dr. Alessandro Loiola*/Especial para BR Press)

(foto: Creative)
(BR Press) - Em um acesso de sinceridade, confesso: tenho um caso mal resolvido na cozinha. Mas calma lá com a interpretação, porque pensão alimentícia anda cara esses dias (né, Romário?). O fato é que na hora de preparar uma refeição, o utensílio que mais uso é o telefone. Nem sei mais a cor da geladeira, soterrada há anos sob várias camadas de ímãs de "disk-tudo".
Entendo nada de cozinha.
Para evitar que me xinguem de porco chauvinista logo no início da crônica (sei que inevitavelmente farão isso a partir do meio do texto), pensei em colocar em meu histórico culinário as competências "sabe preparar miojo, fazer pipocas no microondas e encher a forma de gelo". Mas decidi esperar o final do ano para acrescentar "capacitado para cortar ingredientes do salpicão". É sempre recomendável adicionar um certo nível de sofisticação no currículo.
Então, sendo eu este completo analfabeto de garfo e faca, me vi como um camundongo encurralado pela vassoura no cantinho do gás quando recebi um email perguntando: qual a melhor panela para preparar as refeições?
Pensei em responder "cheia", mas até o cinismo precisa de tempero. Pesquisando, descobri que assim como existem vários tipos de mulheres, existem vários tipos de panela - cada uma com indicações e efeitos adversos específicos.
Pronto, use "porco chauvinista!" à vontade a partir de agora.
Por exemplo: as panelas de alumínio e aço inox são como namoricos de verão - baratas e fáceis de encontrar. Apesar de excelentes para o preparo de carnes, elas podem absorver metais pesados durante o cozimento e afetar sua saúde.
Panelas de vidro são como namoradas de 20 e poucos anos: transparentes, bonitas e decorativas, esquentam muito rapidamente e devem ser desligadas com certa antecedência, ou comprometerão o resultado da refeição. Ao contrário das panelas de inox, elas não produzem só barulho quando derrubadas.
Panelas de cobre são mulheres independentes depois dos 30: mais caras e condutoras, porém menos práticas e potencialmente tóxicas. Causam uma boa impressão se você quiser passar um ar de alquimista e disfarçar seu péssimo molho culpando a limitada versatilidade gustativa dos convidados.
Panelas de teflon costumam ser utilizadas por executivos infiéis em busca de frituras rápidas, com pouco óleo. Estas panelas possuem um revestimento interno de politetrafluoretileno que as torna antiaderentes. Mas atenção: o politetrafluoretileno solta-se com alguma facilidade e jamais deve ser ingerido.
Panelas de porcelana são mulheres em plena TPM: cheias de personalidade, possuem um toque intimista (ou seria intimidador?), mancham fácil e ao menor estresse ameaçam soltar o esmalte.
Uma panela de pressão é uma mulher na pré-menopausa. Experiente, tecnologicamente pensada, não é recomendada para iniciantes. Apesar de cozinhar bem em temperaturas acima de 100 graus, todo cuidado com a válvula de pressão é pouco. Sem manutenção, ela pode explodir na sua cara quando você menos esperar.
Finalmente, a boa e velha panela de ferro é como aquela mulher que escolhemos para casar. Podem ser levadas à mesa, são versáteis e concentram mais o calor, cozinhando tudo ao mesmo tempo.
Vegetarianos
Além de manterem o sabor e as propriedades do alimento, as panelas de ferro adicionam nutrientes valiosos. Pesquisas mostram que o preparo de alimentos nesse tipo de panela chega a suprir cerca de 20% das necessidades diárias de ferro do organismo, tornando-as especialmente indicadas para quem adota uma alimentação vegetariana.
Para manter uma panela de ferro sempre em ordem, você deve tomar alguns cuidados básicos. Elas devem ser limpas com delicadeza e se possível secadas no forno quente e aconchegante. Uma vez resfriadas ao natural, aplique uma leve camada de óleo e guarde-as em um local apropriado.
Com a dose certa de atenção e carinho, elas devem durar bastante. Afinal de contas, panela velha é que faz... Você sabe.
(*) Dr. Alessandro Loiola é médico, escritor, palestrante, autor de Vida e Saúde da Criança e Crianças em Forma: Saúde na Balança (www.editoranatureza.com.br). Fale com ele pelo e-mail aloiola@brpress.net ou pelo Blog do Leitor.
***
Texto enviado pela comadre Miriam Levy, que ganhou uma Le Creuset laranja de Natal e acredita em declarações de amor inusitadas :))))
Sobre xícaras de chá e delicadeza

(foto: Creative)
Às oito da manhã, meu apartamento recende a café recém coado. É um aroma rico e revigorante, do meu café preferido, forte e escolhido a dedo. Enquanto esse perfume me desperta, a maciez dos lençóis de puro algodão, perfumados com lavanda, me envolve, me aconchega. Custo a abrir os olhos, a porta da cozinha cuidadosamente fechada para que haja silêncio e apenas o calor da xícara fumegante e um sorriso venham interromper meu sono.
À tardinha, meu apartamento recende a qualquer coisa recém tirada do forno. Aromas reconfortantes de molhos preparados em fogo brando, perfumados com manjericão e alecrim, derramados com afeição sobre opulentos pratos de massa vistosa.
Eu acredito em eu-te-amos de camomila, maçã e canela. Acredito em eu-te-amos que saem de borbulhantes panelas ou do vapor do ferro de passar. Eu-te-amos silenciosos e sorridentes, gentis e educados, corteses, delicados.
Acredito no amor que nutre. Que desperta apetites, envolve os sentidos, alimenta vontades, sustenta o espírito.
Acredito em ogros que preparam xícaras de chá delicadas. Em mulheres fortes e independentes que perfumam com lavanda lençóis bordados com as próprias mãos.
E se o amor é paradoxal e caprichoso, a delicadeza nas relações é permanência.
(Autora: Ana Paula Sampaio - www.anasampaio.com.br)
* poema enviado pela leitora Juliana Gimenez

(foto: Creative)
Às oito da manhã, meu apartamento recende a café recém coado. É um aroma rico e revigorante, do meu café preferido, forte e escolhido a dedo. Enquanto esse perfume me desperta, a maciez dos lençóis de puro algodão, perfumados com lavanda, me envolve, me aconchega. Custo a abrir os olhos, a porta da cozinha cuidadosamente fechada para que haja silêncio e apenas o calor da xícara fumegante e um sorriso venham interromper meu sono.
À tardinha, meu apartamento recende a qualquer coisa recém tirada do forno. Aromas reconfortantes de molhos preparados em fogo brando, perfumados com manjericão e alecrim, derramados com afeição sobre opulentos pratos de massa vistosa.
Eu acredito em eu-te-amos de camomila, maçã e canela. Acredito em eu-te-amos que saem de borbulhantes panelas ou do vapor do ferro de passar. Eu-te-amos silenciosos e sorridentes, gentis e educados, corteses, delicados.
Acredito no amor que nutre. Que desperta apetites, envolve os sentidos, alimenta vontades, sustenta o espírito.
Acredito em ogros que preparam xícaras de chá delicadas. Em mulheres fortes e independentes que perfumam com lavanda lençóis bordados com as próprias mãos.
E se o amor é paradoxal e caprichoso, a delicadeza nas relações é permanência.
(Autora: Ana Paula Sampaio - www.anasampaio.com.br)
* poema enviado pela leitora Juliana Gimenez
Cozinhando para os pequenos

Foi sentada diante de uma das prateleiras da sessão infantil da Saraiva, enquanto escolhia um livro que explicasse de forma muito linda a disposição do universo para o meu filho, que encontrei esta fofura, que acabei ganhando de Natal da minha mãe.
Fiquei encantada com a proposta de escolha de ingredientes saudáveis, mas sem levantar nenhuma bandeira; com a proposta de envolvimento dos pequenos no feitio de pratos coloridos e divertidos; e principalmente, com a cuidadosa seleção de algo em torno de 260 receitas super sedutoras para as crianças, de lanchinhos de escola a almoços especiais.
Mas não são pratos infantis. Sim, há barrinhas, biscoitinhos, brigadeiro, cachorro-quente, gelatinas coloridas, mini-hambúrgueres, muffins, panquecas, pastéis, picolés, pizzas, queijadinhas e sanduíches, mas a grande maioria das receitas agrada e faz parte do cardápio dos adultos, como bacalhoadas, batatas especiais, bolos, caldos, purês, quiches, risotos, saladas, strudel, suflês, tortas, yakissoba, carré, e até chilli. O grande lance proposto é envolver os guris no feitio dos pratos, seduzi-los a experimentar frutas e legumes das mais diversas formas, apresentando a comida de uma forma divertida, e promovendo bons momentos à mesa. Uma coisa suuuuuuuuper família.
Comecei pelos biscoitinhos de limão, mas certamente vou experimentar várias dicas deste livro foférrimo!

(ilustração do livro)
Prato do dia para as crianças - receitas fáceis de Tiça Magalhães. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2009; brochura, formato 20cm X 20cm; com ilustrações de Jana Magalhães. R$39,90 na Saraiva.

Foi sentada diante de uma das prateleiras da sessão infantil da Saraiva, enquanto escolhia um livro que explicasse de forma muito linda a disposição do universo para o meu filho, que encontrei esta fofura, que acabei ganhando de Natal da minha mãe.
Fiquei encantada com a proposta de escolha de ingredientes saudáveis, mas sem levantar nenhuma bandeira; com a proposta de envolvimento dos pequenos no feitio de pratos coloridos e divertidos; e principalmente, com a cuidadosa seleção de algo em torno de 260 receitas super sedutoras para as crianças, de lanchinhos de escola a almoços especiais.
Mas não são pratos infantis. Sim, há barrinhas, biscoitinhos, brigadeiro, cachorro-quente, gelatinas coloridas, mini-hambúrgueres, muffins, panquecas, pastéis, picolés, pizzas, queijadinhas e sanduíches, mas a grande maioria das receitas agrada e faz parte do cardápio dos adultos, como bacalhoadas, batatas especiais, bolos, caldos, purês, quiches, risotos, saladas, strudel, suflês, tortas, yakissoba, carré, e até chilli. O grande lance proposto é envolver os guris no feitio dos pratos, seduzi-los a experimentar frutas e legumes das mais diversas formas, apresentando a comida de uma forma divertida, e promovendo bons momentos à mesa. Uma coisa suuuuuuuuper família.
Comecei pelos biscoitinhos de limão, mas certamente vou experimentar várias dicas deste livro foférrimo!

(ilustração do livro)
Prato do dia para as crianças - receitas fáceis de Tiça Magalhães. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2009; brochura, formato 20cm X 20cm; com ilustrações de Jana Magalhães. R$39,90 na Saraiva.
As comidinhas do Moinho de Pedra

Eu já falei sobre o Moinho de Pedra aqui, que inclusive é meu vizinho e onde eu simplesmente adoro comer e que, não à toa, foi eleito o melhor restaurante natural de SP pela Veja Comer & Beber 2009.
Agora, o convite é para o lançamento do livro da chef Tatiana Cardoso, que comanda as panelas no Moinho e manda super bem.
Então, quem estiver em Sampa não pode perder o lançamento - com coquetel de Prosecco orgânico, comidinhas do Moinho e sucos naturais. Combinado? =)

Eu já falei sobre o Moinho de Pedra aqui, que inclusive é meu vizinho e onde eu simplesmente adoro comer e que, não à toa, foi eleito o melhor restaurante natural de SP pela Veja Comer & Beber 2009.
Agora, o convite é para o lançamento do livro da chef Tatiana Cardoso, que comanda as panelas no Moinho e manda super bem.
Então, quem estiver em Sampa não pode perder o lançamento - com coquetel de Prosecco orgânico, comidinhas do Moinho e sucos naturais. Combinado? =)
vizinha órfã

meu filho de 4 anos deixou escorregar
pela trama da rede de proteção
uma miniatura de carrinho que caiu
no quintal do apartamento de baixo
a dona me interfonou pedindo que eu tivesse mais cuidado
poderia atingir os seus filhos ou a cadelinha
pedi todas as desculpas do mundo
contei que entendesse por ter dois filhos
que já tiveram 4 anos
insinuou que eu não o estivesse orientando bem
que os seus filhos jamais haviam atirado coisas pelas janelas
ofendi-me
pedi que encerasse o seu contato ao registro do incidente
e que por favor não questionasse a educação que dou para o meu filho
não seria sensato, tampouco delicado
cortei
encerramos
pedi que a babá descesse para pegar o carrinho que ele tanto amava
a moça informou que ele havia sido atirado no lixo
não acreditei
aquilo não podia ser verdade
deveria ter havido algum engano
ela não seria capaz
interfonei
perguntei sobre o carrinho
era verdade
e qualquer outra coisa que caísse do meu ou de qualquer outo apartamento
teria o mesmo destino
disse em vão:
mas é só uma criança de 4 anos...
e ela: e daí?
não sabia o que dizer
só saiu um muito sincero
eu tenho pena de você
desligou
eu tremia muito
não sabia o que pensar
o que era aquilo? não conseguia entender
já se passaram 4 horas e ainda tremo
mas não é de raiva
é de tristeza e desolação
ao pousar a cabeça no travesseiro
a resposta veio:
ela é má
e a reação também veio:
orfandade, o poema de adélia prado que me foi oferecido aqui
por linda leitora
um amigo me trouxe o livro todo de tão tocada que fiquei, o bagagem
tomei uma folha de papel e uma bic
copie o poema e acabo de colocar sob a sua porta.
entenderá?
funcionará?
ô, deus, ajuda!
Orfandade
"Meu Deus,
me dê cinco anos.
Me dê um pé de fedegoso com formiga preta,
me dê um Natal e sua véspera,
o ressonar das pessoas no quartinho.
Me dê a negrinha Fia pra eu brincar,
me dê uma noite pra eu dormir com minha mãe.
Me dê minha mãe, alegria sã e medo remediável,
me dá a mão, me cura de ser grande.
Ó meu Deus, meu pai,
meu pai."
Adélia Prado

meu filho de 4 anos deixou escorregar
pela trama da rede de proteção
uma miniatura de carrinho que caiu
no quintal do apartamento de baixo
a dona me interfonou pedindo que eu tivesse mais cuidado
poderia atingir os seus filhos ou a cadelinha
pedi todas as desculpas do mundo
contei que entendesse por ter dois filhos
que já tiveram 4 anos
insinuou que eu não o estivesse orientando bem
que os seus filhos jamais haviam atirado coisas pelas janelas
ofendi-me
pedi que encerasse o seu contato ao registro do incidente
e que por favor não questionasse a educação que dou para o meu filho
não seria sensato, tampouco delicado
cortei
encerramos
pedi que a babá descesse para pegar o carrinho que ele tanto amava
a moça informou que ele havia sido atirado no lixo
não acreditei
aquilo não podia ser verdade
deveria ter havido algum engano
ela não seria capaz
interfonei
perguntei sobre o carrinho
era verdade
e qualquer outra coisa que caísse do meu ou de qualquer outo apartamento
teria o mesmo destino
disse em vão:
mas é só uma criança de 4 anos...
e ela: e daí?
não sabia o que dizer
só saiu um muito sincero
eu tenho pena de você
desligou
eu tremia muito
não sabia o que pensar
o que era aquilo? não conseguia entender
já se passaram 4 horas e ainda tremo
mas não é de raiva
é de tristeza e desolação
ao pousar a cabeça no travesseiro
a resposta veio:
ela é má
e a reação também veio:
orfandade, o poema de adélia prado que me foi oferecido aqui
por linda leitora
um amigo me trouxe o livro todo de tão tocada que fiquei, o bagagem
tomei uma folha de papel e uma bic
copie o poema e acabo de colocar sob a sua porta.
entenderá?
funcionará?
ô, deus, ajuda!
Orfandade
"Meu Deus,
me dê cinco anos.
Me dê um pé de fedegoso com formiga preta,
me dê um Natal e sua véspera,
o ressonar das pessoas no quartinho.
Me dê a negrinha Fia pra eu brincar,
me dê uma noite pra eu dormir com minha mãe.
Me dê minha mãe, alegria sã e medo remediável,
me dá a mão, me cura de ser grande.
Ó meu Deus, meu pai,
meu pai."
Adélia Prado
"Executando lagostas de forma mais humana"

(imagem: www.bicodocorvo.com.br)
Eu imaginava que levaria as lagostas para casa num balde, mas o sujeito as enfiou numa sacola de papel. Disse para eu mantê-las na geladeira. E avisou que duravam até quinta-feira. Eca. Voltei com elas para o carro e coloqui-as no banco de trás - o que eu ia fazer, transportar aqueles bichos no colo? No caminho de volta minha nuca formigava e meus ouvidos permaneciam atentos a qualquer ruído que sugerisse a movimentação furtiva de uma garra de lagosta se vaenturando para fora da sacola - mas elas não se mexiam. Deve ser o que acontece com criaturas asfixiadas.
... no Joy of Cooking também não há uma palavra sobre o assunto, mas pelo menos esse catatau me dá a dica de que as lagostas devem estar bem vivas e se debatendo quando saem do tanque... Joy diz que , se elas estiverem muito molengas, podem morrer antes de ir para a panela. E a impressão que o livro passa é a de que isso não é uma boa coisa. Abri a geladeira para dar uma espiada na sacola e topei com quatro olhinhos pretos na extremidade de seus pedúnculos, com antenas se mexendo a esmo.
Eu havia me informado sobre todos os métodos existentes para quem deseja executar suas lagostas de uma forma mais humana (KAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKA!) - deixá-las no freezer, colocá-las numa panela de água gelada que em seguida é posta no fogo (com a intenção de enganá-las, para que não percebam que estão sendo fervidas vivas), (KAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKA!) quebrar sua espinha antes de enfiá-las na panela. No entanto, todos esses procedimentos me pareciam paliativos inventados mais para apaziguar a angústia emocional de quem comandava a fervura do que para aplacar o sofrimento físico de quem era fervido. Por fim, resolvi simplesmente pegar a sacola e despejar as lagostas numa panela com um pouco de água fervendo, vermute e legumes. E elas fizeram um sururu danado.
A panela não era grande o bastante. Embora as lagostas não tenham gritado de terror no exato instante em que as joguei lá dentro, sua quietude momentânea só fez prolongar aqueles instantes lancinantes... a qualquer momento a dor faria as criaturas despertar do coma a que tinham sido induzidas pela asfixia, eu sabia disso, e não conseguiria colocar a maldita tampa no lugar!
... dizem que as lagostas fazem um barulho horrível na panela. Não posso dizer que sim nem que não. Passei os vinte minutos seguintes assistindo a um jogo de golfe na TV no volume máximo. Quando voltei para a cozinha, as lagostas estavam bem vermelhas, e não fazima barulho nenhum. Julia dizia que estão prontas quando "as antenas compridas que elas têm na cabeça podem ser arrancadas com facilidade". E, de fato, bastou um puxãozinho. Pobrezinhas.
***
Antes que os vegetarianos e afiliados PETA se manifestem, eu queria dizer que o que me mata de rir neste trecho do Julie&Julia, não é a desgraça à qual foram destinadas as pobres criaturas, mas a cega determinação, a frieza técnica e inocente da Julia (que não navega no plano do sentimento, não tem qualquer relação afetiva com o bicho, apenas um dever a cumprir), e a consciência humana da Julie atropelada pela obrigação quase religiosa de reproduzir a receita de sua ídola. Existe aí uma abordagem muito clara sobre o terror da matança dos animais, consciente ou não, e na outra mão, o pega-mata-e-come ancestral do bicho homem.

(imagem: www.bicodocorvo.com.br)
" Se você tem alguma coisa contra colocar uma lagosta viva numa panela com água fervendo ou parti-la ao meio, pode matá-la quase instantaneamente antes de levá-la ao fogo, enfiando a ponta de uma faca na cabeça dela, entre os olhos, ou quebrando sua espinha com uma pequena incisão na casca, no ponto de junção entre o peito e o rabo".
Julia Child em Mastering the Art of French Cooking, Vol 1.
Julia Child em Mastering the Art of French Cooking, Vol 1.
Eu imaginava que levaria as lagostas para casa num balde, mas o sujeito as enfiou numa sacola de papel. Disse para eu mantê-las na geladeira. E avisou que duravam até quinta-feira. Eca. Voltei com elas para o carro e coloqui-as no banco de trás - o que eu ia fazer, transportar aqueles bichos no colo? No caminho de volta minha nuca formigava e meus ouvidos permaneciam atentos a qualquer ruído que sugerisse a movimentação furtiva de uma garra de lagosta se vaenturando para fora da sacola - mas elas não se mexiam. Deve ser o que acontece com criaturas asfixiadas.
... no Joy of Cooking também não há uma palavra sobre o assunto, mas pelo menos esse catatau me dá a dica de que as lagostas devem estar bem vivas e se debatendo quando saem do tanque... Joy diz que , se elas estiverem muito molengas, podem morrer antes de ir para a panela. E a impressão que o livro passa é a de que isso não é uma boa coisa. Abri a geladeira para dar uma espiada na sacola e topei com quatro olhinhos pretos na extremidade de seus pedúnculos, com antenas se mexendo a esmo.
Eu havia me informado sobre todos os métodos existentes para quem deseja executar suas lagostas de uma forma mais humana (KAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKA!) - deixá-las no freezer, colocá-las numa panela de água gelada que em seguida é posta no fogo (com a intenção de enganá-las, para que não percebam que estão sendo fervidas vivas), (KAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKA!) quebrar sua espinha antes de enfiá-las na panela. No entanto, todos esses procedimentos me pareciam paliativos inventados mais para apaziguar a angústia emocional de quem comandava a fervura do que para aplacar o sofrimento físico de quem era fervido. Por fim, resolvi simplesmente pegar a sacola e despejar as lagostas numa panela com um pouco de água fervendo, vermute e legumes. E elas fizeram um sururu danado.
A panela não era grande o bastante. Embora as lagostas não tenham gritado de terror no exato instante em que as joguei lá dentro, sua quietude momentânea só fez prolongar aqueles instantes lancinantes... a qualquer momento a dor faria as criaturas despertar do coma a que tinham sido induzidas pela asfixia, eu sabia disso, e não conseguiria colocar a maldita tampa no lugar!
... dizem que as lagostas fazem um barulho horrível na panela. Não posso dizer que sim nem que não. Passei os vinte minutos seguintes assistindo a um jogo de golfe na TV no volume máximo. Quando voltei para a cozinha, as lagostas estavam bem vermelhas, e não fazima barulho nenhum. Julia dizia que estão prontas quando "as antenas compridas que elas têm na cabeça podem ser arrancadas com facilidade". E, de fato, bastou um puxãozinho. Pobrezinhas.
***
Antes que os vegetarianos e afiliados PETA se manifestem, eu queria dizer que o que me mata de rir neste trecho do Julie&Julia, não é a desgraça à qual foram destinadas as pobres criaturas, mas a cega determinação, a frieza técnica e inocente da Julia (que não navega no plano do sentimento, não tem qualquer relação afetiva com o bicho, apenas um dever a cumprir), e a consciência humana da Julie atropelada pela obrigação quase religiosa de reproduzir a receita de sua ídola. Existe aí uma abordagem muito clara sobre o terror da matança dos animais, consciente ou não, e na outra mão, o pega-mata-e-come ancestral do bicho homem.
Ah! E se der, um ofurô também!

(foto: www.brasildobem.blogspot.com)
Quando fiz 30 anos escrevi um post sobre as transformações a mim me impostas pelo fenômeno balzaquiano. Falava, sob o ponto de vista de uma rainha do lar, que ganhara a sua primeira toalha branca de linho da sogra. Hoje me dei conta de que a década passou voando, e que olhando daqui já posso vislumbrar os meus 40 anos.
Não sei se por conformismo ou otimismo, eu tenho para mim que a vida deve mesmo começar aos 40. As fases começam a ficar mais claras e distintas, daqui do alto dos 38. Vejo a infância bem definida até os 12, o início da adolescência aos 13, estendendo-se até o que eu chamaria de uma fase pré-adulta, dos 21 aos 28, quando eu comecei a me sentir uma mulher feita, fato consumado apenas aos 30. Até ali tudo havia sido descoberta, a construção do meu banco de dados; foi aquela enxurrada de sensações e frustrações e paixões, tudo numa intensidade louca, um querer tudo de uma vez, uma ótica um tanto desfocada. Aos 30 foi um arrumar de caixas, um descartar de excessos, um desafogar das malas de minha existência, um escolher de caminhos, um perseguir de metas, um abrir de espaços, um estabelecer-me. E quando os 40 chegarem, os valores já estarão muito claros, já conquistei um pequeno espaço no mundo, é hora de trabalhar num ritmo menos frenético, rir-me de asneiras distantes, de ficar o bonita que falta, de trocar definitivamente a quantidade pela qualidade, despir-me das últimas futilidades, fechar no salto adequado, investir só nos basiquinhos Levis-Zara, viajar, ler todos os livros da estante, abandonar-me na rede, entregar-me ao ócio, fazer ioga, chega de pressa, poucas e boas.
E não seria isso o que queriam dizer os que criaram a expressão “a vida começa aos 40”? E que enorme alegria descobrir aos 38 que isso deve ser verdade! Então quer dizer que tenho a vida toda pela frente?
O meu palpite é que aos 40 a rainha do lar que existe em mim vá buscar um pouco mais de conforto nas toalhas brancas, sem preocupações com o fato de que são mais fáceis de encardir, e bem certa de que a felicidade reside numa toalha muito branca. E mais:
Alguns milhares de fios nas tramas dos meus lençóis!
Mais saúde no meu prato!
Mais espaços vazios em casa!
Mais silêncio, menos telefone!
Uma horta!
Um supermercado sem fila e sem tomate podre!
Tickets pela internet, entregues em casa!
Um cepo!
Mais duas panelas Le Creuset!
Um fogão enorme!
Uma cama de cinema vestida de branco, BRANCO, BRAAAAAAAAAAAAANCO!
Restaurante sem fila de espera!
Ar condicionado, não precisa, prefiro o vento.
Prédio de luxo, não precisa, prefiro os velhos.
Direção hidráulica, precisa.
Só isso. Ah! E se der, um ofurô também!
Solicitante: uma formiguinha, trabalhadeira incessante desde os 15.
Não perca daqui a 10 anos o post 50? Já? - O abraçar de árvores (embora eu já me sinta impelida a fazê-lo).
P.S.: As unhas provavelmente permanecem vermelhas, e o batom, cor de boca; cabelos curtos, suponho - começo a considerar pintá-los (tá demais, tô grisalha, gente!).

(foto: www.brasildobem.blogspot.com)
Quando fiz 30 anos escrevi um post sobre as transformações a mim me impostas pelo fenômeno balzaquiano. Falava, sob o ponto de vista de uma rainha do lar, que ganhara a sua primeira toalha branca de linho da sogra. Hoje me dei conta de que a década passou voando, e que olhando daqui já posso vislumbrar os meus 40 anos.
Não sei se por conformismo ou otimismo, eu tenho para mim que a vida deve mesmo começar aos 40. As fases começam a ficar mais claras e distintas, daqui do alto dos 38. Vejo a infância bem definida até os 12, o início da adolescência aos 13, estendendo-se até o que eu chamaria de uma fase pré-adulta, dos 21 aos 28, quando eu comecei a me sentir uma mulher feita, fato consumado apenas aos 30. Até ali tudo havia sido descoberta, a construção do meu banco de dados; foi aquela enxurrada de sensações e frustrações e paixões, tudo numa intensidade louca, um querer tudo de uma vez, uma ótica um tanto desfocada. Aos 30 foi um arrumar de caixas, um descartar de excessos, um desafogar das malas de minha existência, um escolher de caminhos, um perseguir de metas, um abrir de espaços, um estabelecer-me. E quando os 40 chegarem, os valores já estarão muito claros, já conquistei um pequeno espaço no mundo, é hora de trabalhar num ritmo menos frenético, rir-me de asneiras distantes, de ficar o bonita que falta, de trocar definitivamente a quantidade pela qualidade, despir-me das últimas futilidades, fechar no salto adequado, investir só nos basiquinhos Levis-Zara, viajar, ler todos os livros da estante, abandonar-me na rede, entregar-me ao ócio, fazer ioga, chega de pressa, poucas e boas.
E não seria isso o que queriam dizer os que criaram a expressão “a vida começa aos 40”? E que enorme alegria descobrir aos 38 que isso deve ser verdade! Então quer dizer que tenho a vida toda pela frente?
O meu palpite é que aos 40 a rainha do lar que existe em mim vá buscar um pouco mais de conforto nas toalhas brancas, sem preocupações com o fato de que são mais fáceis de encardir, e bem certa de que a felicidade reside numa toalha muito branca. E mais:
Alguns milhares de fios nas tramas dos meus lençóis!
Mais saúde no meu prato!
Mais espaços vazios em casa!
Mais silêncio, menos telefone!
Uma horta!
Um supermercado sem fila e sem tomate podre!
Tickets pela internet, entregues em casa!
Um cepo!
Mais duas panelas Le Creuset!
Um fogão enorme!
Uma cama de cinema vestida de branco, BRANCO, BRAAAAAAAAAAAAANCO!
Restaurante sem fila de espera!
Ar condicionado, não precisa, prefiro o vento.
Prédio de luxo, não precisa, prefiro os velhos.
Direção hidráulica, precisa.
Só isso. Ah! E se der, um ofurô também!
Solicitante: uma formiguinha, trabalhadeira incessante desde os 15.
Não perca daqui a 10 anos o post 50? Já? - O abraçar de árvores (embora eu já me sinta impelida a fazê-lo).
P.S.: As unhas provavelmente permanecem vermelhas, e o batom, cor de boca; cabelos curtos, suponho - começo a considerar pintá-los (tá demais, tô grisalha, gente!).
Orgânicos x Não orgânicos - A "batalha" continua

(foto: GettyImages)
Orgânicos: vale tudo isso?
por Olívia Fraga, Blog Paladar - O Estado de São Paulo
A polêmica sobre alimentação orgânica não para. O jornalista Russ Parsons, editor da seção Food and Dining do Los Angeles Times, passou todo o mês de julho debatendo os dúbios benefícios do cultivo de alimentos sem agrotóxico, e foi categórico ao afirmar que não acreditava neles.
No início de agosto, pesquisadores de um instituto de Londres defenderam, em estudo, que não existem diferenças nutritivas substanciais entre alimentos orgânicos e não-orgânicos. Como Parsons, foram categóricos.
Nessa semana, do lado de cá do Atlântico, a briga teve um desdobramento curioso: John Mackey, fundador da Whole Foods, maior cadeia de alimentos orgânicos dos Estados Unidos, sugeriu em artigo publicado no Wall Street Journal uma série de mudanças no sistema de saúde norte-americano.
O problema foram as sugestões de Mackey: menos controle governamental, abandono da proposta de Obama de oferecer programas de seguro saúde aos mais pobres, e a sugestão (aparentemente, inocente) de que as pessoas viveriam mais, bem mais, e deixariam de dar trabalho ao setor de saúde pública, caso se alimentassem melhor. Sugestão de orgânicos, talvez? Mackey, até hoje visto como um visionário, revelou-se propagandista – e conservador.
Muita gente não gostou, e não foram só os detratores dos orgânicos. Ex-consumidores revelaram-se surpresos com a posição de Mackey, e passaram a criticar o preço abusivo dos produtos “limpos” da Whole Foods. Via web, a reação pública foi imediata: no Facebook, ‘Boycott Whole Foods’, uma comunidade contra a rede, já conta com 14 mil membros, de acordo com o jornal inglês Independent. Agora são eles, os engajados, que se fazem a pergunta: quanto vale o alimento orgânico?
***
Tsc, tsc... isso vai longe hein? :(

(foto: GettyImages)
Orgânicos: vale tudo isso?
por Olívia Fraga, Blog Paladar - O Estado de São Paulo
A polêmica sobre alimentação orgânica não para. O jornalista Russ Parsons, editor da seção Food and Dining do Los Angeles Times, passou todo o mês de julho debatendo os dúbios benefícios do cultivo de alimentos sem agrotóxico, e foi categórico ao afirmar que não acreditava neles.
No início de agosto, pesquisadores de um instituto de Londres defenderam, em estudo, que não existem diferenças nutritivas substanciais entre alimentos orgânicos e não-orgânicos. Como Parsons, foram categóricos.
Nessa semana, do lado de cá do Atlântico, a briga teve um desdobramento curioso: John Mackey, fundador da Whole Foods, maior cadeia de alimentos orgânicos dos Estados Unidos, sugeriu em artigo publicado no Wall Street Journal uma série de mudanças no sistema de saúde norte-americano.
O problema foram as sugestões de Mackey: menos controle governamental, abandono da proposta de Obama de oferecer programas de seguro saúde aos mais pobres, e a sugestão (aparentemente, inocente) de que as pessoas viveriam mais, bem mais, e deixariam de dar trabalho ao setor de saúde pública, caso se alimentassem melhor. Sugestão de orgânicos, talvez? Mackey, até hoje visto como um visionário, revelou-se propagandista – e conservador.
Muita gente não gostou, e não foram só os detratores dos orgânicos. Ex-consumidores revelaram-se surpresos com a posição de Mackey, e passaram a criticar o preço abusivo dos produtos “limpos” da Whole Foods. Via web, a reação pública foi imediata: no Facebook, ‘Boycott Whole Foods’, uma comunidade contra a rede, já conta com 14 mil membros, de acordo com o jornal inglês Independent. Agora são eles, os engajados, que se fazem a pergunta: quanto vale o alimento orgânico?
***
Tsc, tsc... isso vai longe hein? :(
"Servidão Humana"

Entre aspas porque este é o título de um dos livros da minha vida. Nele, o protagonista vai até as últimas consequências da servidão humana por amor. Um amor doente é bem verdade, um auto-flagelo.
Mas o que a servidão tem a ver com uma rainha do lar? Muito, respondo. Pelo menos no meu caso, guardadas as devidas proporções (para quem leu o livro).
Desde muito miúda eu sempre tive fascínio por servir. Lembro perfeitamente de como jurava concentração e equilíbrio para que a mamãe permitisse que eu circulasse as bandejas em dias de festa. Os convivas se encantavam, tomavam do seu quinhão, e sorriam para mim, no que eu respondia com um sorriso maior e um declinar de cabeça. E não era só servir, mas limpar também. Era fundamental que o ambiente social estivesse sempre limpo e organizado, apesar da festa. E era um tal de enxugar mesas e trocar copos e recolher pratinhos... e assim eu curtia a festa dos adultos enquanto as outras crianças ralavam os joelhos no pega-pega de quintal.
O tempo passou, quase 30 anos, e eu continuo a mesma. Nos meus tempos de garçonete as minhas mesas eram concorridíssimas porque, modéstia a parte, o meu atendimento era impecável. Mesas molhadas, jamais; cinzeiros sujos, nem pensar! Me recusava a levar cervejas apenas geladas, elas tinham que vestir um véu de noiva; rapidez para despachar os meus pedidos, por favor! E assim eu curtia a noite baiana nos idos dos 80.
Sem perceber ainda, fui conduzindo a minha vida profissional para atividades todas relacionadas a servidão. Me tornei decoradora porque adoro a casa linda para viver e receber os queridos; me tornei cozinheira não apenas para comer bem, mas principalmente, para servir uma boa comida; juntei as duas coisas e me tornei produtora de celebrações, para servir em dobro, e nestas ocasiões, apesar de adorar a etapa da concepção, da montagem, e da barriga no fogão, o que mais gosto mesmo é de servir os meus quitutes eu mesma no salão, e continuar me permitindo a recolher um cinzeiro (até porque alguém tem que me amarrar para não recolhê-los quando os vejo - odeio cigarro com todas as minhas forças) ou um copo vazio; atender a um desejo de alguém que adoraria sorver daquele creme se ele não estivesse salpicado de coentro... e assim vou curtindo as festas dos outros que também são minhas.
Tá, mas o que eu estou querendo dizer? Que eu sou uma fofa, gracinha, uma santa? Não se iludam. Eu faço isso pelo meu prazer, em princípio. Um prazer vaidoso e quase egoísta, devo confessar. É claro que a reação e o encantamento das pessoas é que nutrem este prazer, e uma coisa acaba levando a outra. Mas, diabos, se é bom para mim e se é bom para o outro, deve ser bom, não? Sim, definitivamente é bom.
Tá, mas o que essa foto de bandeja de café da manhã que ilustra o post tem a ver com servidão? Tudo. É o café da manhã de um querido amigo recém-operado que eu acabo de adotar. =)
Tem algum psicanalista aí?

Entre aspas porque este é o título de um dos livros da minha vida. Nele, o protagonista vai até as últimas consequências da servidão humana por amor. Um amor doente é bem verdade, um auto-flagelo.
Mas o que a servidão tem a ver com uma rainha do lar? Muito, respondo. Pelo menos no meu caso, guardadas as devidas proporções (para quem leu o livro).
Desde muito miúda eu sempre tive fascínio por servir. Lembro perfeitamente de como jurava concentração e equilíbrio para que a mamãe permitisse que eu circulasse as bandejas em dias de festa. Os convivas se encantavam, tomavam do seu quinhão, e sorriam para mim, no que eu respondia com um sorriso maior e um declinar de cabeça. E não era só servir, mas limpar também. Era fundamental que o ambiente social estivesse sempre limpo e organizado, apesar da festa. E era um tal de enxugar mesas e trocar copos e recolher pratinhos... e assim eu curtia a festa dos adultos enquanto as outras crianças ralavam os joelhos no pega-pega de quintal.
O tempo passou, quase 30 anos, e eu continuo a mesma. Nos meus tempos de garçonete as minhas mesas eram concorridíssimas porque, modéstia a parte, o meu atendimento era impecável. Mesas molhadas, jamais; cinzeiros sujos, nem pensar! Me recusava a levar cervejas apenas geladas, elas tinham que vestir um véu de noiva; rapidez para despachar os meus pedidos, por favor! E assim eu curtia a noite baiana nos idos dos 80.
Sem perceber ainda, fui conduzindo a minha vida profissional para atividades todas relacionadas a servidão. Me tornei decoradora porque adoro a casa linda para viver e receber os queridos; me tornei cozinheira não apenas para comer bem, mas principalmente, para servir uma boa comida; juntei as duas coisas e me tornei produtora de celebrações, para servir em dobro, e nestas ocasiões, apesar de adorar a etapa da concepção, da montagem, e da barriga no fogão, o que mais gosto mesmo é de servir os meus quitutes eu mesma no salão, e continuar me permitindo a recolher um cinzeiro (até porque alguém tem que me amarrar para não recolhê-los quando os vejo - odeio cigarro com todas as minhas forças) ou um copo vazio; atender a um desejo de alguém que adoraria sorver daquele creme se ele não estivesse salpicado de coentro... e assim vou curtindo as festas dos outros que também são minhas.
Tá, mas o que eu estou querendo dizer? Que eu sou uma fofa, gracinha, uma santa? Não se iludam. Eu faço isso pelo meu prazer, em princípio. Um prazer vaidoso e quase egoísta, devo confessar. É claro que a reação e o encantamento das pessoas é que nutrem este prazer, e uma coisa acaba levando a outra. Mas, diabos, se é bom para mim e se é bom para o outro, deve ser bom, não? Sim, definitivamente é bom.
Tá, mas o que essa foto de bandeja de café da manhã que ilustra o post tem a ver com servidão? Tudo. É o café da manhã de um querido amigo recém-operado que eu acabo de adotar. =)
Tem algum psicanalista aí?
Do Livro dos Esnobes...

(foto: GettyImages)
Um dia, como eu disse, conheci um homem que, jantando em minha companhia, comeu ervilhas com o auxílio da faca. Ele era uma pessoa cuja companhia a princípio agradou-me muitíssimo... mas o problema é que eu nunca o tinha visto antes diante de um prato de ervilhas, e sua conduta em relação a elas causou-me a mais profunda dor.
Após tê-lo visto comportar-se daquela maneira, só me restou apenas um caminho - cortar relações com ele. Designei um amigo mútuo para resolver o problema com esse cavalheiro da maneira mais delicada possível, e dizer que circunstâncias dolorosas obrigavam-me a evitar intimidade com ele; e assim passamos a nos evitar de maneira ostensiva.
...
Durante quatro anos jamais murmurei a causa da minha desavença com Marrowfat a ninguém até o 4 de junho do ano passado.
Encontramo-nos em casa de Sir George Golloper. Fomos colocados, ele à direita, e este seu humilde criado à esquerda do grupo organizado para o banquete - patos e ervilhas verdes. Tremi ao ver Marrowfat servir-se, e desviei o olhar nauseado, temendo assistir ao disparo da arma em suas horríveis mandíbulas.
Qual foi o meu assombro, qual foi o meu prazer quando o vi usar o garfo como qualquer outro cidadão! Ele não manuseou o frio aço da faca uma vez sequer. Os velhos tempos voltaram rápido à minha mente... quase caí em lágrimas de alegria - minha voz tremeu de emoção. "George, meu rapaz!", exclamei, "George, meu querido amigo, um copo de vinho!"
...
Eu poderia tê-lo estreitado em meu peito, não fosse a presença do grupo de pessoas. Lady Golloper pouco sabia da causa da emoção que lançou o patinho que eu trinchava em seu colo de seda rosa. A mais bondosa das mulheres perdoou o erro, e o mordomo removeu a ave.
...
A propósito, como certos leitores são lentos de compreensão, posso muito bem dizer qual a moral da história. A moral é esta - a sociedade estabeleceu certos costumes, os homens são obrigados a estabelecer as leis da sociedade, e a se conformar com suas inofensivas regras.
***
Fragmentos do absurdo O Livro dos Esnobes, escrito por um deles, de W.M. Thackeray, do acervo que herdei do meu irmão. Tackeray descreveu através de artigos hilários como este, os costumes da Inglaterra Vitoriana (século XIX). O seu humor lembra demais o nosso Machado.
Vocês não têm noção do que é Thackeray descrevendo esnobes reais, esnobes clérigos, esnobes literários, esnobes da universidade, militares esnobes, esnobes que dão festas, esnobes que jantam fora, esnobes do campo, esnobes e o casamento, esnobes de clube... esnobes.
Impagável!
Aliás, Tackeray me fez constatar que todo mundo é esnobe - consideradas e guardadas as devidas proporções e esferas de atuação - mas não tem para onde correr. Nós, rainhas, então.... afff! Só por Cristo! =)))))
...
"Sou, mas quem não é?"

(foto: GettyImages)
Um dia, como eu disse, conheci um homem que, jantando em minha companhia, comeu ervilhas com o auxílio da faca. Ele era uma pessoa cuja companhia a princípio agradou-me muitíssimo... mas o problema é que eu nunca o tinha visto antes diante de um prato de ervilhas, e sua conduta em relação a elas causou-me a mais profunda dor.
Após tê-lo visto comportar-se daquela maneira, só me restou apenas um caminho - cortar relações com ele. Designei um amigo mútuo para resolver o problema com esse cavalheiro da maneira mais delicada possível, e dizer que circunstâncias dolorosas obrigavam-me a evitar intimidade com ele; e assim passamos a nos evitar de maneira ostensiva.
...
Durante quatro anos jamais murmurei a causa da minha desavença com Marrowfat a ninguém até o 4 de junho do ano passado.
Encontramo-nos em casa de Sir George Golloper. Fomos colocados, ele à direita, e este seu humilde criado à esquerda do grupo organizado para o banquete - patos e ervilhas verdes. Tremi ao ver Marrowfat servir-se, e desviei o olhar nauseado, temendo assistir ao disparo da arma em suas horríveis mandíbulas.
Qual foi o meu assombro, qual foi o meu prazer quando o vi usar o garfo como qualquer outro cidadão! Ele não manuseou o frio aço da faca uma vez sequer. Os velhos tempos voltaram rápido à minha mente... quase caí em lágrimas de alegria - minha voz tremeu de emoção. "George, meu rapaz!", exclamei, "George, meu querido amigo, um copo de vinho!"
...
Eu poderia tê-lo estreitado em meu peito, não fosse a presença do grupo de pessoas. Lady Golloper pouco sabia da causa da emoção que lançou o patinho que eu trinchava em seu colo de seda rosa. A mais bondosa das mulheres perdoou o erro, e o mordomo removeu a ave.
...
A propósito, como certos leitores são lentos de compreensão, posso muito bem dizer qual a moral da história. A moral é esta - a sociedade estabeleceu certos costumes, os homens são obrigados a estabelecer as leis da sociedade, e a se conformar com suas inofensivas regras.
***
Fragmentos do absurdo O Livro dos Esnobes, escrito por um deles, de W.M. Thackeray, do acervo que herdei do meu irmão. Tackeray descreveu através de artigos hilários como este, os costumes da Inglaterra Vitoriana (século XIX). O seu humor lembra demais o nosso Machado.
Vocês não têm noção do que é Thackeray descrevendo esnobes reais, esnobes clérigos, esnobes literários, esnobes da universidade, militares esnobes, esnobes que dão festas, esnobes que jantam fora, esnobes do campo, esnobes e o casamento, esnobes de clube... esnobes.
Impagável!
Aliás, Tackeray me fez constatar que todo mundo é esnobe - consideradas e guardadas as devidas proporções e esferas de atuação - mas não tem para onde correr. Nós, rainhas, então.... afff! Só por Cristo! =)))))
...
"Sou, mas quem não é?"
De mal com a cozinha

(Carne queimada)
Hoje eu não deveria ter entrado na cozinha. Primeiro porque ela já não é mais tão minha... quase tudo já está embalado para a mudança, e o meu coração, não vou negar, já pertence à minha nova cozinha.
Mas o fato é que o mascarpone e as tangerinas, que eu comprei para fazer uma receita que acabou não rolando na data prevista, estavam no limite de sua validade, e não seria justo perdê-los, aliás, seria inadimissível perdê-los. E lá fui eu para a cozinha, sem amor, num rápido intervalo de almoço.
Comecei muito mal batendo distraidamente uma massa podre no liquidificador. Insisti e nos intervalos de forno e cocção de calda do doce, que devo postar amanhã, "se Deus der o bom tempo", resolvi fazer um almocinho vagabundo só para não precisar encarar o quilo, mas foi uma péssima idéia. Queimei a carne de sol, queimei a cebola da farofa, e quando resolvi afogar minhas mágoas num copo de vinho, a rolha, muito da vagabunda se rompeu ao meio polvilhando o vinho não menos vagabundo (se eu tava dura por que diabos não comprei uma cerveja?).

(farofa de cebola queimada e vinho fuleiro polvilhado de rolha vagabunda)
Comi a carne esturricada, a farofa amarga, tomei o vinho fuleiro polvilhado de rolha, enquanto me despedia definitivamente desta cozinha que me acolheu tão gentilmente nestes últimos sete anos.

(Carne queimada)
Hoje eu não deveria ter entrado na cozinha. Primeiro porque ela já não é mais tão minha... quase tudo já está embalado para a mudança, e o meu coração, não vou negar, já pertence à minha nova cozinha.
Mas o fato é que o mascarpone e as tangerinas, que eu comprei para fazer uma receita que acabou não rolando na data prevista, estavam no limite de sua validade, e não seria justo perdê-los, aliás, seria inadimissível perdê-los. E lá fui eu para a cozinha, sem amor, num rápido intervalo de almoço.
Comecei muito mal batendo distraidamente uma massa podre no liquidificador. Insisti e nos intervalos de forno e cocção de calda do doce, que devo postar amanhã, "se Deus der o bom tempo", resolvi fazer um almocinho vagabundo só para não precisar encarar o quilo, mas foi uma péssima idéia. Queimei a carne de sol, queimei a cebola da farofa, e quando resolvi afogar minhas mágoas num copo de vinho, a rolha, muito da vagabunda se rompeu ao meio polvilhando o vinho não menos vagabundo (se eu tava dura por que diabos não comprei uma cerveja?).

(farofa de cebola queimada e vinho fuleiro polvilhado de rolha vagabunda)
Comi a carne esturricada, a farofa amarga, tomei o vinho fuleiro polvilhado de rolha, enquanto me despedia definitivamente desta cozinha que me acolheu tão gentilmente nestes últimos sete anos.
Joana Maria de Jesus Santos

(Mulher enfeixando trigo, de Van Gogh)
Joana Maria de Jesus Santos nasceu preta e pobre, em 1921, 24 de junho, dia de São João Batista, que determinou o seu nome de batismo e a sua religião algumas décadas depois.
O cenário era um pequeno roçado de cacau no Distrito de Itamaraju, próximo ao município de Ubatã, interior da Bahia. Filha mais nova de três irmãos, perdeu os pais quando tinha dois anos de idade, e passou a ser criada pela sua irmã mais velha, de oito anos, que ao se casar, aos quinze, levou-a consigo para outra cidade, deixando para trás o irmão do meio, que ficou ali para cuidar daquele pequeno pedaço de terra, onde criou seus filhos e permaneceu até a sua morte.
Até os seus vinte anos, Joana trabalhou exclusivamente derrubando roçado. Conhecia como ninguém a região, seu clima, sua vegetação, as trilhas do mato. Sua força física e manejo perfeito do facão a destacavam e a tornaram respeitada entre os colegas homens, a quem nada deixava a desejar. E o ano era 1940.
A casa em que moravam tornou-se uma pensão, que abrigava os fazendeiros da região que vinham até a cidade aos sábados para adquirir os proventos semanais para suas famílias. A partir de então, Joana abandonou para sempre o facão, e passou a dedicar-se às tarefas domésticas. Lavava roupa “de ganho”, engomava que era uma beleza no ferro de brasa, e começou as suas primeiras incursões na cozinha, fazendo doces.
Foi quando uma imensa melancolia que logo entendeu solidão, começou a brotar aflita no seu peito motivando-a a constituir uma família. Uma família sem homem. Deles só queria uma coisa: filhos. E conheceu o alfaiate Sebastião, com quem teve a sua primeira filha. A relação não foi a diante, apesar da paixão febril de Sebastião por Joana, até o seu derradeiro dia. A alegação de Joana era a bebida, mas ainda que, por amor, Sebastião se tornasse abstêmio da noite para o dia, de nada adiantaria, pois o real motivo era que Joana não queria um homem dentro de sua vida, apenas filhos. Alguns, não sabia ainda quantos lhe bastariam. E assim, nem o alfaiate Sebastião, nem o biscate Seu Euclides, nem o agricultor Seu Manoel, nem Seu Zuquinha carpinteiro, nem o fazendeiro Seu Alexandre, assumiram o status de homem da casa de Dona Joana, aliás, sequer freqüentaram aquela casa.
Foram sete filhos no total. Todos vindos ao mundo pelas mãos bondosas da parteira Mãe Ana. Bastava. Estava agora realizada, plena, senhora de sua família. Nunca pediu qualquer ajuda a nenhum daqueles homens. Pouco importava-lhe se tinham recursos ou não. Conhecia a sua própria capacidade de trabalho, as suas competências, e jamais a afligiu o fato de ter sete, dez, vinte filhos para criar. Sabia que não lhes faltaria o essencial até que pudessem começar a contribuir para as suas próprias subsistências. Tudo o que queria daqueles homens, já tinha.
(Mulher enfeixando trigo, de Van Gogh)
Joana Maria de Jesus Santos nasceu preta e pobre, em 1921, 24 de junho, dia de São João Batista, que determinou o seu nome de batismo e a sua religião algumas décadas depois.
O cenário era um pequeno roçado de cacau no Distrito de Itamaraju, próximo ao município de Ubatã, interior da Bahia. Filha mais nova de três irmãos, perdeu os pais quando tinha dois anos de idade, e passou a ser criada pela sua irmã mais velha, de oito anos, que ao se casar, aos quinze, levou-a consigo para outra cidade, deixando para trás o irmão do meio, que ficou ali para cuidar daquele pequeno pedaço de terra, onde criou seus filhos e permaneceu até a sua morte.
Até os seus vinte anos, Joana trabalhou exclusivamente derrubando roçado. Conhecia como ninguém a região, seu clima, sua vegetação, as trilhas do mato. Sua força física e manejo perfeito do facão a destacavam e a tornaram respeitada entre os colegas homens, a quem nada deixava a desejar. E o ano era 1940.
A casa em que moravam tornou-se uma pensão, que abrigava os fazendeiros da região que vinham até a cidade aos sábados para adquirir os proventos semanais para suas famílias. A partir de então, Joana abandonou para sempre o facão, e passou a dedicar-se às tarefas domésticas. Lavava roupa “de ganho”, engomava que era uma beleza no ferro de brasa, e começou as suas primeiras incursões na cozinha, fazendo doces.
Foi quando uma imensa melancolia que logo entendeu solidão, começou a brotar aflita no seu peito motivando-a a constituir uma família. Uma família sem homem. Deles só queria uma coisa: filhos. E conheceu o alfaiate Sebastião, com quem teve a sua primeira filha. A relação não foi a diante, apesar da paixão febril de Sebastião por Joana, até o seu derradeiro dia. A alegação de Joana era a bebida, mas ainda que, por amor, Sebastião se tornasse abstêmio da noite para o dia, de nada adiantaria, pois o real motivo era que Joana não queria um homem dentro de sua vida, apenas filhos. Alguns, não sabia ainda quantos lhe bastariam. E assim, nem o alfaiate Sebastião, nem o biscate Seu Euclides, nem o agricultor Seu Manoel, nem Seu Zuquinha carpinteiro, nem o fazendeiro Seu Alexandre, assumiram o status de homem da casa de Dona Joana, aliás, sequer freqüentaram aquela casa.
Foram sete filhos no total. Todos vindos ao mundo pelas mãos bondosas da parteira Mãe Ana. Bastava. Estava agora realizada, plena, senhora de sua família. Nunca pediu qualquer ajuda a nenhum daqueles homens. Pouco importava-lhe se tinham recursos ou não. Conhecia a sua própria capacidade de trabalho, as suas competências, e jamais a afligiu o fato de ter sete, dez, vinte filhos para criar. Sabia que não lhes faltaria o essencial até que pudessem começar a contribuir para as suas próprias subsistências. Tudo o que queria daqueles homens, já tinha.


